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As taxas dos títulos públicos operam mistas na tarde desta quinta-feira (18). Nos prefixados, as taxas apresentam alta de até 13 pontos-base. Já nos papéis de inflação, o movimento é de queda de até 3 pontos-base.
Segundo Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, as taxas seguem em movimento de correção iniciado ontem, após a forte queda nas últimas sessões desde a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária).
Ele destaca que o mercado de renda fixa começa a ficar apreensivo com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) ser mais agressivo nos ajustes no encontro de setembro, diante da inflação e escalada no preço dos ativos.
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De acordo com Serrano, após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) vir abaixo das expectativas na semana passada, o mercado até incorporou a possibilidade de o Fed parar o aperto monetário antes, o que levou a queda das taxas de juros lá fora e a alta nas bolsas. “As condições financeiras que estavam ficando mais restritivas voltaram a afrouxar. Isso atrapalha o Fed, porque ele precisa de condições restritivas para a economia e inflação desacelerarem”, comenta.
Na ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed divulgada na quarta-feira (17), a autoridade monetária deixou claro que deve chegar a 3,75% no final do ciclo de aperto monetário, mas que deve diminuir a velocidade dos aumentos no curto prazo.
Os reflexos dessa leitura não tardaram a aparecer: os contratos futuros dos Fed Funds mostravam nesta manhã que havia uma probabilidade de 63,5% de que a autoridade monetária elevasse os juros em 0,50 ponto percentual na reunião de setembro. Uma semana antes, a chance de alta nesse patamar era de 57,0%, segundo o CME Group.
Serrano cita que o leilão do Tesouro hoje também pressionou algumas taxas.
Números de inflação também são destaque na Europa. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro avançou 8,9% nos últimos 12 meses até julho – atingindo nova máxima histórica.
Na cena doméstica, o mercado monitora ainda as negociações entre estados e União referente a perdas com arrecadação após desoneração do ICMS, além do impacto que um possível aumento de 18% no salário do Poder Judiciário poderia gerar nas contas públicas.
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No radar do mercado, e que pode impactar as próximas sessões, Serrano destaca o payroll (relatório de emprego), PCE (índice de preços de gastos com consumo) e o IPCA-15 (prévia da inflação de agosto) na próxima semana. “Dados mais fortes e o aumento de vagas de emprego, podem pressionar as taxas. Se tiver surpresa baixista, isso deve aliviar os juros”, comenta.
Dentro do Tesouro Direto, as taxas dos prefixados avançavam, com destaque para o título de médio prazo.
O Tesouro Prefixado 2029 apresentava um retorno anual de 11,98% às 15h23, superior aos 11,85% registrados na véspera.
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Já o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, ofereciam uma rentabilidade anual de 12,03% e 12,10%, respectivamente, acima dos 11,91% e 12% vistos na quarta-feira (17).
Nos títulos atrelados à inflação, o movimento era de queda nas taxas de entre 2 e 3 pontos-base. Apenas a taxa do Tesouro IPCA+ 2026 permanecia estável.
O maior ganho real registrado era de 5,84%.
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Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (18):

Visão de Campos Neto
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira, 18, que já é possível enxergar um pequeno arrefecimento da inflação global, mas destacou que os preços internacionais ainda estão em níveis altos. “A dinâmica de inflação convergiu, mesmo entre países com histórico de pouca inflação há uma correlação com os emergentes”, afirmou, em painel no Macro Day 2022, organizado pelo BTG Pactual. “A inflação de serviços tem sido desafiadora em vários lugares”, completou.
Campos Neto avaliou que o Brasil tem uma pequena melhora em termos de IPC cheio, bem como os Estados Unidos, sobretudo na inflação relacionada a energia.
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“Sair de uma inflação de 9% nos EUA e voltar para 4,5% é um trabalho, ligado à energia. Outra parte mais difícil é sair de 4,5% e voltar para 2%, que é uma questão muito mais ligada ao mercado de trabalho”, analisou o presidente do BC.
Campos Neto avaliou que a expectativa é que a desaceleração global será acompanhada de uma queda na inflação. “De fato, as condições financeiras apertaram muito rapidamente com o movimento sincronizados dos BCs. Acho que o mais importante é que a China começou a entrar de forma diferenciada. Uma coisa é aperto monetário com China crescendo muito, outra com a China desacelerando forte. E a recessão da Europa foi um pouco mais forte que o esperado”, afirmou.
Por outro lado, ele voltou a alertar que, se a desaceleração global ainda vier acompanhada de uma janela de inflação alta, os impactos para os mercados emergentes serão mais nocivos. “O mercado não está preparado para período longo de inflação alta e economia desacelerando”, avisou.
Inflação na Europa
Com foco nos próximos passos das autoridades monetárias, investidores repercutem dados do CPI da zona do euro. Segundo a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, o índice de preços ao consumidor avançou 8,9% nos últimos 12 meses e 0,1% em julho na comparação mensal.
Ambos os resultados vieram em linha com a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.
Apenas o núcleo do CPI do bloco – que desconsidera os preços de energia e de alimentos – teve ganho anual de 4% em julho, confirmando a estimativa prévia. Já no confronto com junho, o núcleo do índice recuou 0,2% no último mês.
Reajuste judiciário, Auxílio Brasil e combustíveis
Na cena política, um reajuste de 18% nas remunerações do Poder Judiciário poderia gerar efeitos da ordem de R$ 1,8 bilhão em 2023, R$ 5,5 bilhões em 2024 e R$ 6,3 bilhões de 2025 em diante para a União, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal.
A proposta do Supremo Tribunal Federal (STF) de reajustar os salários da magistratura complicou ainda mais a elaboração do projeto do Orçamento de 2023, que precisa ser enviado ao Congresso Nacional em duas semanas.
Também na seara política, Paulo Guedes, ministro da Economia, disse que, para manter o auxílio extra de R$ 200 no ano que vem, “basta aprovar reforma tributária um dia após a eleição”.
Ainda sobre a continuidade do benefício, Guedes afirmou que uma possibilidade seria corrigir o limite para isenção de Imposto de Renda e tributar lucros e dividendos.
O ministro afirmou ainda, durante evento da TAG Investimentos, que até então as despesas extras, incluídas as relacionadas ao auxílio emergencial, seriam cobertas por receitas extraordinárias.
De olho em um novo mandato, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse ontem (17) que conversou com parte da equipe econômica e garantiu no Orçamento a manutenção da zeragem dos impostos federais sobre gasolina, diesel, álcool e gás de cozinha em 2023.
Em evento com prefeitos em Brasília, o candidato à reeleição afirmou que negocia com o Ministério da Economia a possibilidade de zerar também os tributos federais sobre o querosene de aviação.
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