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Após quatro meses de ganhos, os ETFs (fundos de índice) com exposição a criptomoedas fecharam maio em queda generalizada, refletindo o baixo desempenho do setor diante de um Bitcoin (BTC) mais enfraquecido.
Em meio à perda da correlação com os ativos financeiros tradicionais, o BTC trouxe prejuízo para investidores que apostam em criptos como elemento de diversificação de carteira.
A moeda digital fechou maio com recuo de 7%, segundo dados do CoinMarketCap, no seu primeiro resultado negativo em 2023, e o pior desde a falência da FTX, em novembro.
Com alto peso em BTC, os ETFs de criptomoedas ofertados no Brasil também enfrentaram perdas, com a maioria dos produtos registrando também seu primeiro mês negativo.
Os fundos negociados em bolsa com exposição a ativos digitais chegaram a cair até 15%, segundo dados da Economatica.
Veja o ranking dos principais ETFs de cripto em maio
Enquanto os populares ETFs BOVA11, que rastreia o Ibovespa; e IVVB11, que acompanha o S&P 500, fecharam o mês passado com alta de 3,90% e 1,52%, respectivamente, o maior ETF de cripto do País e segundo maior ETF da Bolsa, o HASH11 encerrou o período com queda de 5,61%.
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Todos os ETFs de cripto negociados na B3 caíram em maio. Na lista dos principais por quantidade de cotistas após o HASH11, o QBTC11, da QR Asset, teve recuo de 6,46%, em linha com o desempenho do Bitcoin no mês. Na sequência, aparece o BITH11, com perda de 4,57% no período.
Os ETFs com exposição a Ethereum (ETH) se deram “menos pior” no mês, diante de uma tentativa do ETH de recuperar o tempo perdido e reduzir a distância em relação ao BTC no ano, em movimento que já havia sido percebido em abril.
Os fundos de índice de ETHE11, da Hashdex, e QETH11, da QR Asset, que têm exposição integral ao ETH, foram os que cederam menos em maio entre os mais relevantes da Bolsa, entregando 1,41% e 0,58% negativos, respectivamente.
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“O Ethereum fez uma bem sucedida transição para o modelo de validação proof-of-stake e tem uma agenda de novas atualizações pela frente”, explica João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex.
Segundo Cunha, apesar do recuo, o Ethereum e ativos menores conhecidos como altcoins podem surfar melhor o momento de mercado a partir daqui, intensificando uma recuperação frente ao Bitcoin, que já deu uma boa dose de ganhos no ano
“Os ativos menores ficaram para trás nos cinco primeiros meses do ano e podem recuperar parte do terreno perdido nos meses por vir”, aponta.
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Confira o desempenho dos maiores ETFs de cripto da Bolsa em maio de 2023
| Nome | Código | Retorno em maio (em %) |
Q. cotistas até maio |
| Hashdex NCI | HASH11 | -5,61 | 137.061 |
| QR Bitcoin | QBTC11 | -6,46 | 35.979 |
| Hashdex BTCN | BITH11 | -4,57 | 12.706 |
| Hashdex ETH | ETHE11 | -1,41 | 11.892 |
| QR Ether | QETH11 | -0,58 | 11.673 |
Fonte: Economatica
Investidor mais arrojado segue perdendo
Apesar do otimismo com as altcoins, o resultado ainda não veio de verdade, deixando os ETFs de cripto mais arrojados, que têm no portfólio criptomoedas menores, amargando novamente os piores resultados do mês — dessa vez, com direito a quedas de dois dígitos.
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Refletindo o menor desempenho dos projetos ligados ao segmento dos tokens não-fungíveis (NFTs), o ETF NFTS11, da Investo, fechou maio com queda de 15,11%, e segue como o único até aqui a se manter no vermelho em 2023 — no ano, o produto ainda registra perda de 9,11%. Em 12 meses, o fundo registra queda de mais de 50%.
Na sequência vem o WEB311, que aposta na tese das plataformas de contratos inteligentes (smart contracts), cedendo 14,32% em maio, porém mantendo ganhos na casa dos 36% no ano.
O QDFI11, que investe em ativos ligados às finanças descentralizadas (DeFi), aparece com perdas de 9,52%, perto do BLOK11, que recuou 9,48% no último mês.
Confira os ETFs de cripto com os piores desempenhos em maio de 2023
| Nome | Código | Retorno em maio (em %) |
Retorno 12 meses em % |
Retorno no ano em % |
| Investo NFTs | NFTS11 | -15,11 | -53,84 | -9,11 |
| Smart Hash | WEB311 | -14,32 | -39,31 | 36,75 |
| Meta Hash | META11 | -11,72 | * | 12,64 |
| ETF QDFI | QDFI11 | -9,52 | -26,40 | 13,73 |
| Investo BLOK | BLOK11 | -9,48 | * | 29,75 |
*Sem dados para o período
Fonte: Economatica
Desafio regulatório
Cauê Mançanares, CEO da Investo, ressalta que o desempenho negativo em janelas mais longas, apesar de afastar o investidor mais conservador, pode atrair aquele que assume maior risco e tem preferência justamente por comprar na baixa.
“Aqueles que estão dispostos a assumir mais riscos em busca de maiores retornos podem estar mais inclinados a investir em ETFs cripto, visto que boa parte desses ETFs ainda não virou para o positivo na janela de 12 meses (buy low, sell high)”.
Na opinião do executivo, ETFs como o BLOK11, que investem em ativos de contratos inteligentes, têm alto potencial porque são tecnologias que retiram intermediários e podem ser programados para realizar uma variedade de funções.
“Contratos inteligentes são basicamente automações. Por exemplo, podem ser usados para facilitar transações de criptomoedas, para criar tokens personalizados (como os tokens ERC-20 na blockchain Ethereum), para construir aplicações descentralizadas (dApps), ou para criar organizações autônomas descentralizadas (DAOs)”, explica.
Na sua avaliação, apesar do potencial, o ambiente regulatório ainda incerto, com autoridades tendo dificuldades para classificar esses ativos, vem afastando o investidor — daí a volatilidade negativa dos tokens.
Macro ainda domina
Para o investidor que planeja alocar no setor de criptoativos, ainda é importante ficar de olho nas movimentações macroeconômicas, especialmente nos indicadores dos Estados Unidos.
“Recomendamos que os investidores ajam com prudência e mantenham um olhar atento sobre o mercado americano, independentemente de os ETFs atingirem ou não o ponto de breakeven em um período de 12 meses”, destaca Guilherme Kinzel, head da Transfero Gestora de Recursos.
O especialista arrisca algumas projeções. Para ele, caso ocorra uma rápida queda na inflação americana, as expectativas podem mudar drasticamente, indicando a possibilidade de cortes mais rápidos na taxa de juros dos EUA, quem sabe ainda em 2023. “Na conjuntura atual, acreditamos que para criptoativos há maior espaço para surpresas upsides”, conta.
“Embora o preço desses ativos tenha enfrentado desalento nos últimos meses, as tecnologias, soluções e protocolos continuam sendo desenvolvidos a pleno vapor. Para os próximos meses, aguardamos com otimismo o início de um novo ciclo de preços, onde acreditamos que oportunidades serão ainda mais abundantes”.