O ‘plano de voo’ da Log CP (LOGG3) para os próximos anos 

Objetivo é atrair empresas para galpões mais modernos, movimento de mercado que é visto pela companhia como uma grande avenida de crescimento

Rikardy Tooge

André Vitória, diretor financeiro e de RI da Log CP (Divulgação)
André Vitória, diretor financeiro e de RI da Log CP (Divulgação)

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A Log Comercial Properties (LOGG3) quer mostrar ao mercado que pensa além do e-commerce e da venda de ativos para fundos de investimento – suas principais fontes de receita atualmente. O plano de voo da companhia que atua na construção e desenvolvimento de galpões logísticos é absorver operações de empresas que atuam em galpões mais velhos e com menos estrutura.

A estratégia, batizada pela companhia de flight to quality, é uma vista como uma das alavancas de crescimento e inovação da Log nos próximos anos, segundo o CFO, André Luiz Vitória. A estimativa é que o mercado de galpões no Brasil hoje seja de 172 milhões de metros quadrados, com apenas 15% do total sendo considerado de qualidade superior.

A avaliação é de que será mandatório para as empresas modernizarem sua estrutura logística, seja para ter mais produtividade ou para conseguir se adequar à legislação. “Cada ano que passa vai ficando mais difícil obter todas as licenças de operação, sem falar que o desgaste do tempo também prejudica a eficiência das empresas” argumenta o executivo.

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Nos nove primeiros meses de 2022, a Log afirma que cerca de 40% de sua captação de clientes veio por meio da estratégia flight to quality. Com isso, até o fim de setembro, a companhia teve R$ 154,3 milhões em receita líquida dos contratos de locação, o que representou um avanço de 36% em relação a igual período de 2021. Já o lucro líquido no período foi de R$ 355,9 milhões – resultado impulsionado pela venda de ativos–, com alta de 21% na comparação anual.

Fármacos e alimentos no radar

Entre os segmentos com maior potencial para migrar de galpão, André Luiz Vitória aponta para empresas de distribuição de remédios e de alimentos e bebidas. Esse é outro ponto positivo, na avaliação do executivo, uma vez que aumenta o repertório de setores atendidos pela Log CP, que hoje já é referência na logística para o e-commerce.

Nos cálculos da empresa, o aluguel de um galpão “Classe A” chega a ser 25% mais caro do que um mais antigo. No entanto, o argumento é que há mais eficiência na operação, além de um menor custo com energia, apólice de seguro e segurança nos locais mais modernos. “Com o tempo, a conta fecha e faz todo o sentido”, reforça Vitória.

O modelo de construção para essa estratégia é a de condomínios de galpões modulares, onde as empresas dividem os custos principais, como segurança terceirizada e monitoramento.

Isso também difere do atendimento ao e-commerce, onde há mais demanda pelo buid-to-suit (BTS), que é quando a Log constrói um galpão para um cliente e, em troca, é celebrado um longo contrato de aluguel.

O Nordeste é a região onde mais faz sentido implementar a estratégia, diz o CFO. Diante da forte concentração e disputa por áreas de Rio de Janeiro e São Paulo, a empresa vê “caminho livre” para atuar em outras áreas do país e se tornar dominante nestes locais. Hoje, a Log tem operação em 17 estados e o Distrito Federal, com 39 municípios com algum galpão da empresa.

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Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br