Magalu (MGLU3) dispara 16% após fechar parceria com Mercado Livre (MELI34)

Varejistas anunciaram nesta quarta uma parceria na qual a Magalu listará cerca de 27 mil SKUs de seu estoque próprio no marketplace da MELI

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O Magazine Luiza (MGLU3) e o Mercado Livre (BDR:MELI34) anunciaram nesta quarta-feira (2) uma parceria na qual o Magalu listará cerca de 27 mil SKUs de seu estoque próprio no marketplace da MELI, com as vendas começando já em setembro. Na sessão, as ações do Magalu subiram 16,88%, cotadas a R$ 5,40.

O acordo também abrange a KaBuM! e a Época Cosméticos, e a Netshoes deverá ser adicionada posteriormente. Os termos são semelhantes ao acordo com a Amazon anunciado em junho e à parceria já existente da MELI com a Casas Bahia (BHIA3).

Além disso, o Magalu também atualizou sua operação de quick-commerce, com uma nova aba “Magalu Delivery” no aplicativo, que dá acesso à rede de restaurantes, supermercados e farmácias operada pela Aiqfome, uma plataforma de entregas adquirida pelo grupo em 2020.

Para a Ativa Investimentos, a parceria tende a ser positiva para as duas empresas. O Magalu ganha acesso a um novo canal de vendas, potencialmente com margem superior à obtida por meio de mídia paga, enquanto o Mercado Livre amplia seu acesso a produtos de linha branca e móveis, categorias nas quais ainda tem baixa penetração.

A XP Investimentos também avaliou o anúncio como positivo para o Magalu, uma vez que enxerga espaço para um aumento nas vendas de produtos de primeira linha (1P) no 4º trimestre de 2026, semelhante ao observado pela Casas Bahia a partir do 4º trimestre de 2025.

No caso do Magazine Luiza, a empresa inicia o 4º trimestre de 2026 com um potencial selo Prime e alguns meses de curva de aprendizado em vendas por meio de parcerias. A administração estima que cerca de 75% dos compradores na plataforma da MELI serão novos clientes do Magalu, o que deve limitar a canibalização no curto prazo.

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Com a Casas Bahia em processo de recuperação judicial e fechamentos recentes de lojas, a XP também espera que o Magazine Luiza conquiste parte dessa fatia de mercado. Diante disso, um cenário macroeconômico desfavorável pode limitar a recuperação e, em um horizonte mais longo, ainda a corretora vê risco de canibalização nos próprios canais do Magalu.

Impacto para Mercado Livre

A XP tambem avaliou de forma positiva a parceria para o Mercado Livre, destacando que o acordo ajuda a preencher uma lacuna no sortimento da plataforma argentina: itens de grande porte, como eletrodomésticos e produtos de linha branca.

Segundo a análise, as cerca de 1.200 lojas do Magalu também podem ampliar a capilaridade do Mercado Livre ao funcionar como pontos de coleta e devolução. A Magalog, braço logístico da varejista, ainda poderia eventualmente apoiar as entregas desses produtos.

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Apesar dos benefícios, a XP considera que o acordo é mais estratégico do que transformador. O GMV do Magalu representa menos de 15% do volume bruto de mercadorias movimentado pelo Mercado Livre no Brasil, enquanto o da Casas Bahia fica abaixo de 6%. Além disso, apenas uma parcela do sortimento das empresas será disponibilizada na plataforma.

Para a XP, portanto, a parceria representa principalmente uma defesa do Mercado Livre em categorias específicas, sem necessidade de grandes investimentos em logística, e não um catalisador relevante para o crescimento do GMV.

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Felipe Moreira
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