Publicidade
SÃO PAULO â A consultoria de risco polÃtico Eurasia tradicionalmente publica no inÃcio de cada ano um relatório apontando os 10 tendências polÃticas e geopolÃticas mais desafiadoras para os investidores globais.
Neste ano, alguns temas ganham relevância, conforme apontam o presidente da consultoria, Ian Bremmer, e o chairman Cliff Kupchan, como o crescimento do risco geopolÃtico, mas sem uma “verdadeira” crise internacional.
Os analistas polÃticos apontam que a globalização segue sendo chave, tendo criado oportunidades e riquezas ao longo dos últimos anos com troca de ideias, bens e capital humano. Porém, China e Estados Unidos estão se dissociando em termos de tecnologia, enquanto paÃses do mundo desenvolvido estão se tornando cada vez mais polarizados.
Continua depois da publicidade
Já a economia global, após emergir da recessão de 2008, agora está vendo suas taxas de crescimento diminuir, com mais economistas esperando uma recessão em 2020 ou 2021. “E o mundo está entrando agora em uma recessão geopolÃtica, com a falta de uma liderança global como resultado de unilateralismo dos EUA, uma erosão das alianças lideradas por americanos, uma Rússia em declÃnio que quer diminuir a estabilidade e coesão dos EUA e aliados, além de um crescente aumento do poderio da China que cria uma alternativa global”.
As mudanças climáticas também fazem parte da lista de riscos globais, entrando na pauta polÃtica como nunca antes.
Veja os 10 principais riscos para 2019, segundo a Eurasia:
1. Quem governará os EUA?
A consultoria destaca que, em 2020, as instituições polÃticas americanas serão testadas como nunca antes e a eleição de novembro produzirá um resultado que muitos podem ver como ilegÃtimo.
Se Trump vencer em um momento em que passa por processos de irregularidades, o resultado será contestado. Se ele perder, particularmente se a votação for apertada, isso também pode acontecer, avaliam os analistas polÃticos da consultoria.
Qualquer um desses cenários criaria meses de ações judiciais e um vácuo polÃtico mas, diferentemente da contestada eleição George W. Bush- Al Gore em 2000, é improvável que o perdedor aceite um resultado decidido pelo tribunal como legÃtimo. à um Brexit dos EUA, onde a questão não é o resultado, mas a incerteza polÃtica sobre em que as pessoas votaram.
Continua depois da publicidade
2. A grande dissociação
De acordo com a Eurasia, a decisão de EUA e China de se dissociarem no setor de tecnologia está interrompendo fluxos bilaterais não só tecnológicos, mas também de talento e investimento. Em 2020, além dos setores estratégicos, como semicondutores, computação em nuvem e 5G, a atividade econômica será atingida por isso de forma mais ampla, aponta a consultoria.
“Essa tendência afetará não apenas o setor de tecnologia global estimado em US$ 5 trilhões, mas também outras indústrias e instituições”, avalia. Este movimento criará uma divisão comercial, econômica e cultural cada vez mais profunda, que correrá o risco de se tornar permanente, lançando um profundo calafrio geopolÃtico sobre os negócios globais. A grande questão que fica é: onde fica o Muro de Berlim Virtual?
A dissociação do setor de tecnologia dos EUA e da China já está interrompendo os fluxos bilaterais de tecnologia, talento e investimento. Em 2020, passará além dos setores estratégicos de tecnologia, como semicondutores, computação em nuvem e 5G, para uma atividade econômica mais ampla. Essa tendência afetará não apenas o setor de tecnologia global estimado em US$ 5 trilhões, mas também outras indústrias e instituições.
Continua depois da publicidade
Isso criará uma divisão comercial, econômica e cultural cada vez mais profunda, que correrá o risco de se tornar permanente, lançando mais uma tensão geopolÃtica sobre os negócios globais. A grande questão: onde ficará o Muro de Berlim Virtual?
3. Tensão EUA – China
Este fator está relacionado ao segundo, mas de forma ainda mais ampla. Quando essa dissociação ocorre, as tensões entre EUA e China provocam um choque mais explÃcito sobre segurança, influência e valores nacionais.
Os dois lados continuarão a usar ferramentas econômicas nessa luta – sanções, controles de exportação e boicotes – com fusÃveis e objetivos mais curtos, mais explicitamente polÃticos.
Continua depois da publicidade
“As divergências entre as estruturas polÃticas dos dois paÃses estão trazendo diferenças irreconciliáveis ââà tona. Então, a rivalidade EUA-China será cada vez mais travada como um choque de valores e animados pelo fervor patriótico”, afirmam os consultores.
4. Multinacionais não vão preencher lacuna
A Eurasia aponta que muitos observadores acreditam que as empresas multinacionais podem preencher as lacunas na governança global e na ordem liberal deixadas pelo Mundo G-Zero (em que nenhum paÃs ou bloco de paÃses tem o cacife polÃtico e econômico – ou a vontade – para tocar uma agenda internacional).
Especificamente, o setor privado entraria em cena para liderar em áreas como mudança climática, alÃvio da pobreza e até comércio e liberalização do investimento. “Nós somos céticos. Especialmente no cenário em que as empresas enfrentam uma regulamentação regulatória e ambiente geopolÃtico conflituoso no próximo ano”, aponta a consultoria.
Continua depois da publicidade
Longe de preencher as lacunas em questões crÃticas como mudança climática, redução da pobreza e liberalização do comércio criada por governos nacionais com baixo desempenho, a consultoria avalia que as empresas multinacionais enfrentarão novas pressões de polÃticos, eleitos e não eleitos.
Os polÃticos que trabalham para estancar a desaceleração do crescimento global, a crescente desigualdade, os rivais populistas e os desafios de segurança criados pelas novas tecnologias se afirmarão à s custas das multinacionais, avaliam.
5. Mudanças na Ãndia com Modi
Em 2019, o primeiro-ministro Narendra Modi e o seu governo revogaram em 2019 o status especial para Jammu e Caxemira, (removendo a autonomia de sete décadas da região disputada pelo paÃs e pelo Paquistão), comandaram um plano para tirar a cidadania de quase 2 milhões de pessoas em Asam (estado do nordeste da Ãndia foco de tensões religiosas e étnicas) e aprovaram uma lei de imigração que gerou protestos por levar em consideração filiação religiosa.
“Manifestações de vários tipos se espalharam por toda a Ãndia, mas Modi não recuará e uma resposta dura do governo em 2020 pode provocar ainda mais protestos”, afirmam.
Os lÃderes da oposição em nÃvel estadual estão encorajados e desafiarão diretamente o governo central, deixando Modi com menos espaço de manobra para a reforma econômica em um momento de crescimento lento, avalia a consultoria.
6. GeopolÃtica na Europa
Durante anos, a Europa tentou buscar uma estratégia sobre traçar seu próprio curso no exterior e na polÃtica comercial. “Até agora, provou ser incapaz ou relutante em efetivamente ter uma reação forte quando apresenta discordâncias de Washington e cada vez mais, de Beijing. Isso está prestes a mudar”, aponta a Eurasia.
As autoridades europeias agora acreditam, segundo a consultoria, que a União Europeia deve se defender mais agressivamente contra modelos econômicos e polÃticos concorrentes. Com relação à regulamentação, as autoridades antitruste continuarão a combater os gigantes da tecnologia norte-americanos.
No comércio, a União Europeia se tornará mais assertiva em matéria de aplicação de regras e retaliação. Em segurança, as autoridades tentarão usar o maior mercado comum do mundo para derrubar barreiras fronteiriças ao comércio militar e ao desenvolvimento de tecnologia. Essa Europa mais independente gerará atritos com os EUA e a China.
7. PolÃtica versus economia da mudança climática
A Eurasia apontou que a polÃtica atual de mudança climática não está funcionando. Dezenas de paÃses assinaram o Acordo de Paris cinco anos atrás para limitar o aumento da temperatura global em 2ºC no final do século. Contudo, os estados-nação têm falhado em implementar polÃticas para atingir esse objetivo.
Este ano, esse fracasso deve levar a decisões corporativas abaixo do que é visto como ideal, interrupções operacionais dos negócios e instabilidade polÃtica, afirma a consultoria.
A mudança climática colocará governos, investidores e a sociedade em geral em rota de colisão com os tomadores de decisão nas corporações, que devem escolher entre compromissos ambiciosos para reduzir suas emissões e seus resultados financeiros.
“A sociedade civil será implacável com investidores e empresas caso achem que eles estão se movendo muito devagar. Empresas de petróleo e gás, companhias aéreas, fabricantes de automóveis e produtores de carne sentirão o efeito. A interrupção nas cadeias de suprimentos é um risco significativo. Os investidores reduzirão as exposições a indústrias intensivas em carbono, reduzindo o preço dos ativos. Tudo isso torna os desastres naturais mais prováveis, mais frequentes e mais graves”, afirmam.
8. Oriente Médio em ebulição
O fracasso da polÃtica dos EUA em relação ao Irã, Iraque e SÃria – os principais paÃses liderados por xiitas no Oriente Médio – cria riscos significativos para a estabilidade regional, aponta a consultoria.
Isso inclui um conflito letal com o Irã (risco agravado após os EUA matarem um alto comandante militar), a pressão crescente dos preços do petróleo, um Iraque entre a órbita do Irã e o fracasso do Estado, e uma SÃria entre a Rússia e o Irã.
Para a consultoria, nem Donald Trump nem os lÃderes do Irã querem uma guerra total mas, na avaliação deles, é provável que haja conflitos mortais no Iraque entre as tropas dos EUA e do Irã.
“O Irã deve interceptar mais navios-tanque no Golfo Pérsico e pode atingir os EUA no ciberespaço. Também pode usar aliados em outros paÃses do Oriente Médio para atingir cidadãos e aliados dos EUA. Está aumentando a chance do governo iraquiano expulsar as tropas americanas este ano, enquanto a resistência popular de alguns iraquianos contra a influência do Irã lá pressionará o estado iraquiano – o segundo maior produtor de petróleo da OPEP. A polÃtica imprudente dos EUA na SÃria também aumentará o risco regional em 2020.
9. Descontentamento na América Latina
Após protestos em diferentes paÃses no segundo semestre de 2019, a consultoria aponta que as sociedades latino-americanas têm se tornado crescentemente polarizadas nos últimos anos. Em 2020, o descontentamento público com o cenário de baixo crescimento, corrupção e baixa qualidade dos serviços públicos devem manter a instabilidade polÃtica como um risco alto.
Agora, esses movimentos acontecem em um momento em que a classe média espera mais gastos do estado em serviços sociais, o que reduz a capacidade dos governantes de adotar medidas de austeridade esperadas por investidores estrangeiros e pelo Fundo Monetário Internacional. “Nós iremos ver mais protestos, fiscal se deteriorando, aumento da força dos polÃticos anti-establishment e os resultados das eleições podem ser menos previsÃveis”, avaliam.
10. Turquia
Recep Tayyip Erdogan, presidente turco que tem um longo histórico de comportamento provocativo em resposta à s ameaças estrangeiras e crÃticas domésticas, entrou em um perÃodo de declÃnio do poder polÃtico e perda de popularidade, principalmente entre a população mais jovem.
O seu partido sofre deserções, com antigos aliados populares criando novos partidos, enquanto a sua coalizão governista é instável. “As relações com os EUA atingirão novos patamares de deterioração, já que as sanções provavelmente entrarão em vigor no primeiro semestre deste ano, minando a reputação e o clima de investimento do paÃs e pressionando ainda mais a lira, moeda local. As respostas de Erdogan a essas várias pressões prejudicarão ainda mais a economia em dificuldades da Turquia”.
Parecem riscos, mas…
A Eurasia também aponta todos os anos alguns temas que âparecem ser riscos relevantesâ, mas que na verdade não são, os chamados âred herringsâ.
Para 2020, os analistas não mostram tanto temor com as polÃticas populistas no mundo desenvolvido. Apesar dos populistas ganharem a atenção do noticiário polÃtico, a Eurasia avalia que as democracias mais estabelecidas permanecem bem posicionadas para resistir à tempestade populista pelo menos no próximo ano, mesmo que por razões diferentes.
Outro “red herring” é o pós-Brexit. O Reino Unido teve um respiro com uma grande vitória para Boris Johnson e seu Partido Conservador. A nova maioria conservadora de Johnson votará através do acordo de retirada e uma âdeclaração polÃtica”para formalizar a saÃda do Reino Unido ainda este mês.
Johnson liderará um “governo de divergência”. Isso pode limitar o acesso ao único mercado e cria ventos contrários substanciais para o Reino Unido economia e seu coração industrial. Apesar disso, a Eurasia avalia ser improvável um impacto forte em 2020. O Reino Unido permanecerá em transição durante todo esse ano, mesmo quando as negociações forem difÃceis (o que invariavelmente serão, segundo a consultoria).
Proteja seu dinheiro das incertezas globais. Invista com a ajuda da melhor assessoria do Brasil: abra uma conta na XP â é de graça!