“Pequenas corrupções”: quase metade dos brasileiros usam software pirata

Pesquisa constata que 47% dos softwares usados no Brasil não são licenciados

Paula Zogbi

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SÃO PAULO – Mesmo com queda de 3 pontos percentuais ante 2013 e a menor taxa da América Latina, o Brasil ainda tem quase metade de seus softwares funcionando ilegalmente – mais especificamente 47%. É o que mostram dados da pesquisa global da BSA | The Software Alliance.

O estudo Seizing Opportunity Through License Compliance (As oportunidades oferecidas pela conformidade de licenciamento) analisou o uso de softwares em 2015 mostra que há forte ligação entre ataques cibernéticos e a utilização de software não licenciado. Onde há software não licenciado em uso, a probabilidade de ocorrência de malware aumenta dramaticamente, e os levantamentos apontam que só em 2015 os ataques cibernéticos custaram mais de US$ 400 bilhões às empresas de todo o mundo.

Mesmo sabendo dessa relação, as empresas com casos de softwares piratas normalmente não tomam providências para mudar esse cenário. A pesquisa descobriu que a taxa mundial para o uso de não licenciados é 25% — um em cada quatro — nas indústrias bancárias, seguradoras e de segurança.

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Economia

Pode parecer uma relação improvável, mas não pagar pelo uso do software custa mais caro do que pagar.

Segundo a publicação, no caso das empresas, “gerenciar software devidamente pode levar a uma economia de gastos de até 25%, já que permite ver as ineficiências de aplicativos com excesso de licenças ou softwares não utilizados”.

“É de extrema importância para uma empresa saber quais softwares fazem parte de sua rede corporativa”, afirmou a presidente e CEO da BSA |The Software Alliance, Victoria A. Espinel em texto enviado à imprensa. “Muitos CIOs não sabem o total de softwares instalados nas suas redes corporativas e se os mesmos são legítimos”, completa.

A estimativa é que 15% dos funcionários instalem software sem que a área responsável na empresa fique ciente.

América Latina

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A taxa de 47% do Brasil está longe de ser a mais preocupante. Na Venezuela, por exemplo 88% dos softwares são não-licenciados. Acima dos 80% também estão o Paraguai, Nicarágua e El Salvador, só na América Latina (veja abaixo as tabelas).

Para o country manager da BSA para o Brasil, Antonio Eduardo Mendes da Silva, “Pitanga”, a diminuição da taxa brasileira pode ser relacionada a três fatores: campanhas de conscientização a respeito promovidas por parcerias entre entidades; crescimento da cultura de gestão de ativos de software por parte das empresas e expansão da venda de softwares por meio da tecnologia cloud, que permite ao consumidor e às empresas um novo modelo comercial.

Paula Zogbi

Analista de conteúdo da Rico Investimentos, ex-editora de finanças do InfoMoney