As expectativas para a “melhor ação de 2016” são altíssimas: mas até onde irá a Magazine Luiza em 2017?

Mercado está de olho no balanço da companhia, a ser revelado nesta quinta, e as expectativas são bem altas 

Lara Rizério

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(Divulgação)
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SÃO PAULO – Quem achou que o rali da “melhor ação da bolsa em 2016” tinha ficado para trás, enganou-se: após subir 501% apenas no ano passado (saindo de R$ 17,56 para R$ 105,65), a ação da Magazine Luiza (MGLU3) estendeu seus ganhos ao longo de 2017 e nos últimos dias tem operado na faixa entre R$ 225 e R$ 235 – nestes quase 17 meses, a valorização chega a 1.200%.

Esta alta voltou a ganhar forças principalmente nas últimas semanas, quando as empresas trouxeram surpresas positivas nos resultados divulgados para o 1º trimestre, principalmente aquelas do setor de consumo e varejo. Com os balanços favoráveis de Pão de Açúcar (PCAR4), Restoque (LLIS3), Raia Drogasil (RADL3) e Cia. Hering (HGTX3), os investidores parecem apostar que a Magazine Luiza deve trazer boas notícias no balanço que será apresentado nesta quinta-feira (4) após o fechamento do pregão.

Mas o que será que os analistas que acompanham a varejista de eletrodomésticos está esperando para o balanço? Em resumo, os números devem mostrar que o pior realmente ficou para trás e, como a empresa continua “barata” na bolsa em relação aos seus pares mesmo com essa disparada de 1.200%, a ação tende a performar positivamente no médio prazo.

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Confira abaixo as principais opiniões dos analistas que acompanham a Magazine Luiza: 

Conforme destaca o BTG Pactual, de uma forma geral, os resultados do primeiro trimestre para o setor de varejo vão mostrar que o pior ficou para trás. Porém, um dos grandes destaques dessa temporada de resultados ficará para a companhia, com expectativa de um crescimento de e-commerce de 30% na comparação anual e com perspectiva de expansão de margens.

“A maior expansão do lucro líquido será um grande highlight no primeiro trimestre em meio a mudanças transformacionais dos seus negócios”, apontam os analistas do BTG, Fabio Monteiro e Luiz Guanais. A Magazine Luiza, ressaltam eles, deve claramente ter uma performance superior nas divisões B&M e na operação online em comparação a seus pares, com aceleração em relação aos trimestres anteriores. A expectativa é de que o lucro suba 14%, as SSS (vendas nas mesmas lojas) devem registrar alta de 8,6% nas lojas convencionais.

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O BB Investimentos destaca ainda a expectativa de alta nas vendas com a empresa, beneficiando-se da decisão recente do governo de liberar a retirada do saldo do FGTS das contas inativas e impulsionando o consumo, além do aumento de participação de mercado da empresa. Por outro lado, a expectativa de queda nas despesas financeiras em meio à queda da Selic só deve ocorrer nos próximos trimestres.

Expectativas altas
Desta forma, se 2016 já foi bom em um cenário de forte contração econômica, a expectativa para os primeiros três meses desse ano são bem altas. E o primeiro trimestre será um bom indicativo disso. De acordo com um gestor que acompanha de perto a ação, empresa está sendo extremamente competente num setor altamente competitivo e que vem sofrendo devido ao péssimo cenário macroeconômico (desemprego, PIB fraco, taxa de juros elevada). “Apesar de todas as mazelas que atingem o setor e os concorrentes, além do PIB com contração de 3,6%, a Magazine Luiza conseguiu crescer em 2016”, avalia, apontando a alta de 5,9% da receita líquida, 13,3% do lucro bruto, 60% do Ebitda, reversão do prejuízo para lucro, além da redução da sua dívida líquida em R$ 230 milhões.

Com essa recuperação no ano passado, ele questiona: “o que será que a companhia conseguirá entregar de resultado com um PIB que deixa de ser negativo e com queda da taxa de juros? E quando o PIB passar para terreno positivo e o desemprego voltar a diminuir em 2 ou 3 anos?” As expectativas são altas.

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E, apesar do forte rali da companhia, ele aponta que a companhia ainda está subavaliada. Para tanto, o gestor destaca múltiplos como o EV/Ebitda (EV = Enterprise Value, que é a soma do valor de mercado com a dívida líquida; Ebitda = lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) e o P/E (Preço sobre lucro). A ação está sendo negociada a um múltiplo de 5,2 vezes o EV/Ebitda esperado para 2018, mais baixo que empresas como o Pão de Açúcar (6,2 vezes), Lojas Americanas (8,4 vezes) e que Raia Drogasil (15,5 vezes), M. Dias Branco (12,6 vezes) e Hypermarcas (12,4 vezes). Já o P/E com base nas estimativas para o ano que vem é de 17,6 vezes, ante 41 vezes da Restoque e 34,5 vezes da Lojas Americanas. “A empresa surpreendeu positivamente o mercado durante os últimos trimestres e acreditamos que isso deverá continuar ocorrendo”, ressalta o gestor. 

Nesse mesmo sentido, em relatório de 18 de abril, o Santander revisou o preço-alvo dos papéis MGLU3 de R$ 120,00 para R$ 220,00, com recomendação de compra para os ativos e seguindo os fortes resultados do quarto trimestre. Também de acordo com o analista João Mamede, a companhia continuará surpreendendo positivamente (e, como as outras casas de análise, apontam otimismo para o primeiro trimestre). E ainda aponta que a Magazine Luiza possui uma boa combinação: um valuation atrativo e uma beneficiária da queda de taxa de juros. Segundo as estimativas do Santander, a cada redução de 1 ponto percentual na taxa Seli, as despesas financeiras como percentagem do EBIT caem cerca de 9%. 

Em meio a todo esse cenário, os investidores estarão voltados para os números da Magazine Luiza no dia 4 de maio. Será que ela continuará a surpreender e terá mais espaços para altas?

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.