SÃO PAULO – Na hora de conseguir um emprego, o currÃculo é uma ferramenta importante. Afinal, é um documento que mostra as qualificações do candidato. Ainda assim, uma pesquisa da consultoria de recolocação DNA Outplacement mostrou que cerca de 75% dos brasileiros mentem nos seus CVs.
Mas mentir sobre a fluência em idiomas, sobre o histórico acadêmico ou até sobre certificações pode ter consequências muito maiores do que a tentativa de impressionar o recrutador: o profissional pode ser demitido por justa causa, de acordo com Daniela Mello, advogada do escritório Urbano Vitalino Advogados.
“Um dos elementos primordiais do vÃnculo empregatÃcio consiste na confiança depositada pelo empregador ao empregado. O artigo 482 da CLT prevê, então, que o rompimento desse laço de confiabilidade por meio de inverdades â como mentiras no currÃculo â justifica a demissão por justa causa”, explica.
As informações prestadas no currÃculo se destinam à comprovação dos requisitos para o preenchimento da vaga. “Ou seja, [se mentir] é clara a má-fé existente, pois o candidato está se valendo de informação falsa para ocupar um cargo em detrimento de outros que poderiam deter à quelas especificações exigidas.”
Por isso, na prática, toda ação ou omissão desonesta do empregado, que revela desonestidade, abuso de confiança, fraude ou má-fé, visando a uma vantagem para si ou para outrem, como, por exemplo, a adulteração de documentos pessoais (o que inclui o currÃculo), é passÃvel de demissão por justa causa.
“Nos Tribunais, nos deparamos com situações análogas, como, por exemplo, a apresentação de atestados falsos ou atos de falsidade ideológica, que legitimam à adoção da pena mais severa pelo empregador, desde que a penalidade seja aplicada de imediato, ou seja, assim que comprovada efetivamente”, diz.
De qualquer maneira, a advogada explica que cada situação exige uma análise especÃfica, que será avaliada conforme seu nÃvel de gravidade.
âLogo, os candidatos a vagas de emprego devem estar atentos e sempre prestar informações verÃdicas, ficando a critério do empregador, no momento em que identificar a existência de informação falsa prestada, que possa comprometer a empresa e trazer prejuÃzo institucional, a aplicação da penalidade máximaâ, explica.
Pelo lado da empresa, a advogada orienta que a companhia solicite que o candidato assine termo de responsabilidade de que as informações prestadas são verÃdicas para ficar resguardada judicialmente.
Efeitos na carreira
Cada vez mais os profissionais de RH e recrutadores estão atentos à s informações dos currÃculos que recebem. Segundo Ana Guimarães, gerente de recrutamento da Robert Half, existem algumas formas de achar inconsistências.
Para evitar qualquer problema âhoje os recrutadores checam referências, testam fluência em idiomas, se preparam melhor fazendo perguntas mais detalhadas, solicitam os comprovantes de certificações, entre outras coisasâ.
Mas sem dúvida mentir e ser demitido por isso é uma mancha na carreira. âQuando uma mentira é descoberta durante a trajetória profissional, todas as verdades que foram ditas são colocadas em dúvida, abalando a credibilidade do funcionárioâ, Ana.
Aquele velho ditado âmentira tem perna curtaâ realmente se aplica neste caso: em pouco tempo, a falácia pode ser descoberta.
âSe o  candidato conseguir preencher a vaga a partir de uma inverdade, se o conhecimento e experiência solicitada são necessárias para o bom exercÃcio do cargo, a vida na empresa terá seus dias contados, já que o profissional dificilmente terá um bom desempenhoâ, complementa Jacqueline Resch, sócia e consultora da recrutadora Resch Recursos Humanos.