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SÃO PAULO – Todo mundo já sabe qual será a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) nesta quarta-feira (27), mas contrariando o que o investidor deve pensar, este será o evento mais importante da semana. Isso porque a decisão de manter os juros inalterados na banda entre 0,25% e 0,50% ao ano que o comitê fará hoje pouco importa diante de algo que realmente fará preço, justamente o comunicado da reunião. E mais importante que o próprio comunicado, uma única palavra: volatilidade.
É verdade que o nervosismo febril que tomava conta do mercado antes de qualquer decisão de política monetária dos Estados Unidos no ano passado não será mais o mesmo depois que o Fomc já realizou o primeiro aumento de juros do país desde 2006 em novembro. Contudo, uma questão ainda tem que ficar clara, que é justamente qual será a intensidade e a velocidade deste ciclo de aperto monetário. Tudo depende, segundo as últimas comunicações do Federal Reserve, dos indicadores macroeconômicos americanos. O ritmo das altas de juros seguirá o ritmo de recuperação da maior economia do mundo.
Contudo, dificilmente o banco central dos EUA tomará uma decisão que afete muito negativamente os mercados. Então o comunicado desta quarta deve, muito provavelmente, incluir a volatilidade recente nos mercados globais para explicar a decisão de não elevar mais uma vez as taxas de juros do país.
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Para o economista da Rio Bravo, Evandro Buccini, ao comentar sobre as recentes quedas do mercado para explicar a decisão de manter juros, o Fomc deve gerar expectativas de que o ritmo de aumento das taxas de juros nos EUA seja mais gradual e suave. “Se eles apertarem a caneta nesta volatilidade, podemos esperar por aumentos mais graduais”. O resultado prático disso nos mercados seria uma alta das bolsas, já que a rentabilidade dos títulos da dívida norte-americana não aumentaria tanto e não causaria uma fuga de apetite de risco global tão forte.
Só há um risco, segundo Buccini: “se o Fomc exagerar, as bolsas podem cair por temores de que a economia esteja muito ruim”, explica o economista.
Já a Wagner Investimentos lembra em relatório que o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA referente ao quarto trimestre de 2015 sai na sexta-feira. A média das projeções dos analistas é de 0,9% de crescimento, uma desaceleração em relação aos 2% de avnço do terceiro trimestre. “Pelo visto, o PIB dos EUA irá se desacelerar e colocará mais dúvidas sobre o ciclo de alta dos juros pelo Fed”, diz José Faria Júnior, o diretor técnico da Wagner.
Atualmente, a curva de juros dos treasuries norte-americanos precifica apenas três elevações das taxas até o final de 2017. Isso ao mesmo tempo em que o Fed projeta quatro altas de juros ainda este ano. Ou seja, é importante ficar de olho no comunicado para saber como o mercado vai reagir à decisão de juros.