“Nunca antes neste País”: os 6 recordes que o Brasil alcançou após mais um PIB decepcionante

Série começou em 1996 e não animou nem um pouco o mercado, por ser ainda pior do que o esperado

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SÃO PAULO – O PIB (Produto Interno Bruto) conseguiu ser ainda pior do que o esperado pelo mercado, levando a vários recordes negativos, que indicam também uma seguida deterioração mais à frente (principalmente levando em conta os dados de investimento) e que mostram que o Brasil “ainda está cavando o fundo do poço”.

Mais precisamente, seis na série histórica, iniciada em 1996. São eles: queda do PIB na comparação anual, na comparação trimestral, no acumulado dos quatro trimestres e na comparação trimestral. Além disso, os dados do FBCF e a queda anual do PIB de serviços também foram recordes. 

A economia contraiu 4,5% na comparação anual e teve recuo de 1,7% no terceiro trimestre em relação ao segundo. Também são recordes da série as quedas no PIB acumulado do ano ante igual período do ano anterior (3,2%) e no acumulado de quatro trimestres ante os quatro trimestres anteriores (2,5%).

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A FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), por sua vez, teve baixa de 15,0% na comparação com igual período de 2014, também a maior em 19 anos. Com o resultado, a FBCF completa seis trimestres de taxas negativas nesse tipo de comparação, acentuando o ritmo de queda. No segundo trimestre de 2015, o recuo tinha sido de 12,9%, antecedido por um tombo de 10,1% no primeiro trimestre do ano. 

“A gente pode ver que em todas as comparações a gente teve taxas negativas. Além disso, desde o primeiro trimestre de 2015, a gente está tendo taxas negativas em todas as comparações”, segundo Claudia Dionísio, gerente de Contas Trimestrais do IBGE.

Na comparação com o segundo trimestre, a agropecuária registrou queda de 2,4%, a indústria teve baixa de 1,3%, serviços tiveram queda de 1%. A FBCF por sua vez, teve baixa de 4%, o consumo das famílias, que chegou a guiar o PIB brasileiro por um bom período, teve queda de 1,5% e o consumo do governo teve leve alta de 0,3%.

Quando comparado os números do terceiro trimestre do ano anterior, os números são ainda mais impressionantes. Além da queda de 15% do FBCF, o PIB da agropecuária caiu 2%, da indústria teve baixa de 6,7% e os serviços tiveram contração de 2,9%, também a mais acentuada na série histórica. Com o resultado, os serviços completam cinco trimestres de taxas negativas nesse tipo de comparação. O consumo das famílias caiu 4,5% na base anual, enquanto os gastos do governo tiveram leve baixa de 0,4%.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) no terceiro trimestre de 2015 foi de 18,1% do PIB, inferior à do mesmo período de 2014 (20,2%). A taxa de poupança foi de 15,0% no terceiro trimestre de 2015 (ante 17,2% no mesmo período de 2014).

Revisões
O IBGE revisou a variação do Produto Interno Bruto do segundo trimestre deste ano. O recuo foi de 2,1% na comparação com o primeiro trimestre de 2015. Inicialmente, o instituto havia apurado um recuo de 1,9% no período, como divulgado em agosto.  

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O órgão ainda revisou os resultados do primeiro trimestre de 2015 ante o quarto trimestre de 2014, de -0,7% para -0,8%, e do quarto trimestre de 2014 ante o terceiro trimestre do ano passado, de 0,0% para +0,1%.

Na comparação sem ajuste sazonal, o IBGE revisou o resultado do PIB do segundo trimestre ante igual período de 2014, de -2,6% para -3,0%, e do primeiro trimestre de 2015 em relação ao primeiro trimestre de 2014, de -1,6% para -2,0%.

Ainda sem ajuste, o órgão revisou o resultado do PIB no quarto trimestre de 2014 em relação ao quarto trimestre de 2013, de -0,2% para -0,7%. 

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Revisões para baixo
Com isso, diversas casas de análise passaram a revisar as suas projeções para baixo: a Capital Economics revisou a sua projeção de queda de 2,5% para 3,5%, enquanto o Banco Fibra cortou a previsão do PIB de 2015 deste ano foi revisada de -3,1% para -3,8% e para o PIB de 2016 de -2,6% para -3,1% “a despeito do crescimento moderado da economia mundial”, segundo relatório de analistas. 

Em comum nas análises, destaque para: “olhando para a frente não há nada que permita visualizar cenário positivo”. “Esse cenário é resultado de fatores estruturais relacionados a limitações no campo da oferta e também herança do deficiente gerenciamento macroeconômico adotado entre 2011 e 2014, a fracassada ‘nova matriz macroeconômica’”, avalia o Fibra, que completa: “com o forte recuo dos investimentos, a taxa de crescimento do PIB potencial apresenta significativa e preocupante e desaceleração nos últimos trimestres”. 

(Com Agência Estado) 

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.