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SÃO PAULO – Após semanas de fortíssimas emoções, a poeira baixou na crise política brasileira em meio à delação da JBS (JBSS3). Mas isso não quer dizer que haja definições: muitas incertezas rondam o mercado brasileiro, principalmente sobre se o presidente Michel Temer seguirá na presidência com forte ou fraco apoio do Congresso para fazer as reformas ou, se cair, quem será o seu sucessor (isso dependerá também se haverá eleições diretas ou indiretas).
Com isso, analistas e economistas do Bank of America Merrill Lynch tentaram traçar, em relatório divulgado na última sexta-feira, quais cenários são possíveis e em quais papéis investir em cada um deles.
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“O cenário político no Brasil permanece altamente incerto no curto prazo. A recente turbulência aumentou o risco de atrasos na aprovação da reforma da Previdência, um dos principais pilares da nossa narrativa de alta das ações do Brasil”, avaliam os estrategistas. Eles citam o economista para o Brasil do banco, David Beker, que ressalta que o otimismo para a recuperação econômica, menores taxas de juros estruturais e melhoria da dinâmica fiscal baseiam-se no progresso da agenda de reformas. “Qualquer atraso provavelmente inverterá os indicadores de confiança e atenuará a frágil recuperação econômica. Ao menos, pensamos que o pano de fundo político incerto deve aumentar a volatilidade do mercado que, até agora, tem sido relativamente moderada”, afirmam.
É curioso apontar que cada cenário não cita se Temer seguirá no poder ou não, e sim como se dará o equilíbrio político, sinalização já feita por alguns economistas de que há sim futuro sem Temer no poder (confira mais clicando aqui). Porém, eles apontam que, no curto prazo, o próximo dia 6 de junho será bastante importante para decidir o futuro do País, com o julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa vencedora da eleição de 2014 Dilma Rousseff-Michel Temer.
Os três cenários apontados pelo BofA são bearish (negativo, sem equilíbrio político e sem reformas), um cenário médio (equilíbrio político estável, mas com avanço apenas modesto nas reformas) e o bullish (otimista, com alta probabilidade de aprovação da agenda reformista). Isso tem impacto nos juros, crescimento do PIB, inflação, taxa de juros, CDS e Ibovespa, como apresentado no quadro abaixo:
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| Expectativa para o fim de 2017 | Cenário atual | Pessimista | Médio | Otimista |
| Câmbio (R$/US$) | 3,27 | 4,00 | 3,40 | 3,00 |
| PIB (2017/2018)% | -0,5/-1 | 0,5/1,5 | 1,0/3,5 | |
| Inflação (2017/2018)% | 4,5/5,25 | 4,0/4,4 | 3,9/4,2 | |
| Selic | 11,25 | 10,25 | 9,00 | 7,50 |
| Taxa de juros de 10 anos | 5,72 | 7 | 6 | 5 |
| CDS de 5 anos | 236 | 350 | 250 | 190 |
| Ibovespa | 48.000 | 58.000 | 75.000 |
As ações que podem ter um bom desempenho em cada cenário
Neste sentido, os estrategistas apontaram quais ações podem ter boa performance baseados em alavancagem e liquidez, exposição ao crescimento interno, riscos de moeda, beta de mercado e possuem recomendação de compra pelos analistas fundamentalistas do BofA. “A maioria das ações em nosso cenário de baixa tem pouca exposição ao crescimento econômico doméstico, beneficiam-se da queda do real e se caracterizam por mostrarem balanços saudáveis. As ações em nosso cenário de alta são mais altamente alavancadas – beneficiando de um ciclo de queda dos juros mais rápido – e possuem beta mais alto. Finalmente, no cenário intermediário, incluímos aquelas empresas que acreditamos que devem se comportar bem mesmo com uma recuperação econômica modesta”, afirmam. Segue abaixo: Neste cenário, não há equilíbrio político, as reformas são empurradas até depois das eleições de 2018, o choque de confiança leva a uma recessão e o real mais fraco interrompe o ciclo de queda mais forte de juros. As ações para investir nesse cenário são: 2. Cenário intermediário
Neste cenário, o equilíbrio político é estável. O governo centrista continua a fazer algum progresso no Congresso, mas sem grandes reformas. A expectativa é de melhoras modesta no front macroeconômico. As ações para investir nesse cenário são: 3. Cenário Bullish
O cenário aponta para forte equilíbrio político. Há neste ambiente uma maior probabilidade de aprovar a agenda de reformas, trazendo um choque de confiança positivo. Há uma ponte centrista clara para as eleições de 2018. As ações para investir nesse cenário são estas, segundo o BofA: Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!
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