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O dado mais brando de outubro divulgado hoje no núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, que mostrou alta de 0,2% no mês e de 5% no ano, reforça a visão de que o Federal Reserve vai reduzir o ritmo de alta dos juros em sua reunião nos dias 13 e 14 de dezembro. Mas na opinião de analistas e economistas, ainda não permite antecipar o patamar final das taxas.
Para Carlos Vaz, fundador da Conti Capital, ainda vai demorar um pouco para que os preços desacelerem significativamente nos EUA. “Imagino que isso só deverá acontecer a partir de meados de 2023, mantendo a continuidade em 2024, quando finalmente poderemos sentir algum alívio em relação à inflação”, afirmou.
Vaz acredita que, até lá, a política monetária adotada pelo Fed levará a economia dos EUA a desacelerar e o desemprego aumentar, gradativamente. Em sua visão, isso não vai significar uma recessão de fato. Por enquanto, estamos assistindo o consumo das famílias ora crescendo, ora caindo levemente, apesar da inflação alta, situação somada ao fato de o mercado de trabalho ainda estar pressionando o banco central americano em relação às decisões sobre a taxa de juros”, disse.
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Na minha visão, os EUA até poderão entrar em recessão, mas não será uma fase crítica e deverá ser atravessada sem grandes prejuízos, justamente em razão da força e resiliência do mercado de trabalho americano, e ao consumo da população, que ainda deve se manter firme por mais um tempo.
Angelo Polydoro, economista da ASA Investments, disse ter observado duas informações importantes na divulgação do PCE. “A primeira, bem positiva é desaceleração da inflação de e bens. A outra notícia, preocupante, é que a inflação de serviços continua acelerando”, comentou.
Para ele, esse foi um dos motivos de o discurso na quarta-feira do presidente do Fed, Jerome Powell, ter mudado o foco para o mercado de trabalho.
Sobre o discurso, o Bradesco BBI avaliou que houve um alerta de que a taxa terminal (que define o final do ciclo) pode ser superior aos 4,6% projetados pelos formuladores de políticas em setembro.
Francisco Nobre, economista da XP, também vou alguma pressão relacionada ao mercado de trabalho ainda forte, como o rendimento pessoal, que aumentou 0,7% em outubro na comparação mensal, acima das expectativas do mercado, de 0,4%. E o rendimento pessoal disponível (DPI) também aumentou os mesmos 0,7% no mês. Além disso, as despesas de consumo pessoal aumentaram 0,8%, em linha com as expectativas.
“Nossos modelos sugerem que os preços do core PCE terminarão 2022 em 4,3% ao ano e terminarão 2023 mostrando um aumento de 2,6% anuais.”
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Sobre a política monetária, Nobre disse que os dados de hoje mais fracos do que o esperado reforçam as expectativas de que o Fed reduzirá o ritmo de aperto em sua reunião de dezembro para 50 pontos-base. “Os dados de inflação de outubro mais benevolentes do que o esperado (CPI e PPI e PCE), a maioria dos indicadores antecedentes de alta frequência apontando para uma desaceleração significativa da economia dos EUA e o fato de que o Fed já fez progressos consideráveis no aperto da política monetária, será mais do que suficiente para defender esta decisão”, afirmou.
Para o economista da XP, o CPI de novembro será a chave para determinar se novos aumentos serão necessários e, portanto, a taxa terminal. “Há uma chance considerável de que o próximo processo de desinflação surpreenda os mercados positivamente, e o Fed fará uma pausa após elevar as taxas para 4,5% em sua reunião de dezembro”, estimou.