Tesouro Direto: prefixados 2025 e 2029 perdem patamar de 12%; mercado está de olho no governo de transição

Juro máximo de papéis de inflação volta a se aproximar dos 6% ao ano - patamar que era visto em agosto

Bruna Furlani Neide Martingo

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Os nomes que integrarão a equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram divulgados nesta terça-feira (8). Na área social, o time será formado por Simone Tebet (MDB-MS), Márcia Lopes, Tereza Campello e André Quintão. Já na economia, a equipe será comandada pelos economistas Persio Arida, André Lara Resende, Guilherme Melo e Nelson Barbosa.

Segundo o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), os nomes anunciados não têm relação direta com os ministérios. Apesar disso, a notícia trouxe certa calma ao mercado. O Ibovespa se firmou em terreno positivo e o dólar perdeu força frente ao real, ao fechar em queda de 0,56%.

A condução da política fiscal, no entanto, segue sem resposta. Investidores estão preocupados com os efeitos fiscais da manutenção do Auxílio Brasil ou Bolsa Família em R$ 600 e com o reajuste real do salário mínimo, além de possíveis “bombas fiscais“.

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No Tesouro Direto, as taxas oferecidas pelos títulos públicos operam em alta nesta tarde. A remuneração real mais elevada entre os papéis atrelados à inflação era oferecida pelo Tesouro IPCA+ 2045 no valor de 5,93%, às 15h20 de hoje. Na véspera, o mesmo título entregava 5,89% ao ano. Com isso, o papel volta a se aproximar de patamar que era visto em agosto, quando as taxas do título estavam acima de 6% ao ano.

Depois de abrir o dia com as taxas dos três títulos prefixados acima de 12%, os papéis com vencimento em 2025 e 2029 apresentavam juros abaixo desse patamar, na última atualização do dia, com taxas de 11,93% e de 11,97%, respectivamente. Na sessão anterior, ambos entregavam retornos de 11,88% ao ano.

Na parte da manhã, as taxas oferecidas pelos títulos públicos do Tesouro Direto chegaram a avançar até 21 pontos-base (0,21 ponto percentual), mas perderam força ao longo do dia.

“Agora à tarde o dólar arrefeceu e isso ajudou o mercado de juros, tanto na curva de juros DI quanto no Tesouro Direto. Ambos estão diretamente relacionados. E o motivo dessa piora dos mercados de câmbio e de juros são as dúvidas que cercam os nomes que estão sendo ventilados para o ministério da Economia do governo Lula”,  diz Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed.

Além disso, segundo ele, as incertezas que pairam sobre a PEC da transição são preocupantes, já que “não sabemos qual é o tamanho do orçamento e do waiver [licença para gastar]”, para que os programas propostos avancem.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (8):

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Transição

Além da divulgação dos nomes de Simone Tebet, Persio Arida e André Lara Resende, que participarão do governo de transição, o PT convidou o presidente do MDB, Baleia Rossi, para integrá-lo também.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem três opções à mesa para tentar viabilizar a execução de promessas feitas durante a campanha eleitoral já em seu primeiro ano de mandato. Os caminhos têm riscos e níveis de dificuldade distintos, mas todos exigiriam a abertura de canais de negociação antes mesmo do início da nova gestão, em 1º de janeiro de 2023.

A 54 dias de assumir o comando do Poder Executivo pela terceira vez, Lula tenta garantir espaço na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 para pagar o Bolsa Família (nome que será retomado no lugar do Auxílio Brasil) em parcelas de R$ 600,00 e um adicional de R$ 150,00 por criança de zero a seis anos de famílias beneficiárias do programa. Nos cálculos de especialistas, as medidas somariam R$ 70 bilhões de impacto fiscal (R$ 52 bilhões para a manutenção das parcelas e R$ 18 bilhões para o outro benefício).

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O próximo presidente também quer assegurar recursos para um aumento real do salário mínimo logo em seu primeiro ano de governo. Esse foi um dos eixos prioritários de sua campanha contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição.

A ideia, segundo o senador eleito Wellington Dias (PT-PI), um dos nomes de confiança de Lula e que tem tratado de perto a questão, seria garantir um ganho real (ou seja, recomposição acima da inflação) do salário mínimo de 1,3% a 1,4%. A nova regra levaria em conta a soma de inflação e uma média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cinco anos.