AGU aponta envolvidos em atos golpistas e pede bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens de pessoas e empresas

Quantia foi baseada em danos estimados ao prédio do Congresso Nacional, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
A Esplanada dos Ministérios interditada para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil )
A Esplanada dos Ministérios interditada para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil )

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Dando seguimento às investigações para chegar aos responsáveis por financiar atos golpistas em Brasília ocorridos no dia 8 de janeiro, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu o bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens de 52 pessoas e sete empresas apontadas como financiadoras do transporte dos vândalos que participaram da invasão e depredação das sedes do Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto.

Para chegar aos envolvidos, a AGU contou com auxílio de dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), sobre ônibus apreendidos que realizavam transporte de pessoas que participaram dos atos golpistas. O bloqueio de bens inclui imóveis, veículos e contas bancárias.

Entre os envolvidos estão empresas de transporte e fretamento sediadas nos municípios de Araguaína (TO), Cornélio Procópio (PR), Frutal (MG), Primavera do Leste (MT) e Cariacica (ES), além de uma empresa de serviços florestais localizada em Piraí do Sul (PR) e o Sindicato Rural de Castro (PR). Já as pessoas que foram listadas pela AGU na medida cautelar são na maioria moradoras dos estados de São Paulo e Paraná. (confira a lista completa ao final desta reportagem).

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A medida cautelar destacou o papel dos envolvidos para que o ataque aos prédios símbolos dos Três Poderes tomasse grande proporção e implicasse diretamente em uma ameaça ao regime democrático, apontando que “a aglomeração de pessoas com fins não pacíficos só foi possível graças ao financiamento e atuação das pessoas listadas”.

De acordo com a petição, a solicitação de bloqueio de bens no valor de R$ 6,5 milhões é baseada no dano estimado nos prédios da Câmara dos Deputados e no Senado Federal a partir de dados de relatórios preliminares.

O documento também ressalta que o objetivo é reparar o dano causado. O valor a ser bloqueado deverá ser revisado na medida em que a contabilização dos prejuízos, que ainda não foi concluída, avance sobre os valores das perdas estimadas com a depredação das dependências do Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto.

De acordo com a AGU, ao realizar a contratação dos ônibus que transportaram até a capital federal os vândalos, essas empresas e pessoas também assumiram responsabilidade pelos atos de violência e depredação do patrimônio público.

“Os réus tiveram papel fundamental, para não se dizer central, na formação dessa multidão e por consequência na própria perpetração dos atos subsequentes, na medida em que, como já pontuado, financiaram/patrocinaram a contratação de ônibus para transporte de manifestantes até a cidade de Brasília, sendo que a partir desse transporte e aglomeração de manifestantes é que se desenrolou toda a cadeia fática que culminou com a invasão e depredação de prédios públicos federais”, diz o documento.

Por defender que houve uma relação direta entre a destruição provocada nas sedes do Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto à contratação de transporte feita por pessoas jurídicas e físicas que se tornaram alvos da medida cautelar, a AGU pediu que o pedido de bloqueio de bens seja analisado de maneira urgente pela Justiça Federal do Distrito Federal.

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A medida cautelar é assinada pelo Procurador Geral da União, Marcelo Eugênio Feitosa Almeida, pelo Subprocurador-Regional da União na 1ª Região, Flávio Tenório Cavalcanti de Medeiros, pelo Coordenador-Geral de Defesa da Probidade, Raniere Rocha Lins e pelo Advogado da União Vanir Fridriczewski.

Pessoas

Adailton Gomes Vidal, de São Paulo (SP)

Ademir Luis Graeff, de Missal (PR)

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Adoilto Fernandes Coronel, de Maracaju (MS)

Adriane de Casia Schmatz Hagemann, de Realeza (PR)

Adriano Luis Cansi, de Cascavel (PR)

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Alethea Veruska, de São José dos Campos (SP)

Amir Roberto El Dine, de Porto União (SC)

Aparecida Solange Zanini, de Três Lagoas (MS)

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Bruno Marcos de Souza Campos, de Belo Horizonte (MG)

Carlos Eduardo Oliveira, de São Pedro (SP)

Cesar Pagatini, de Bento Gonçalves (RS)

Claudia Reis de Andrade, de Juiz de Fora (MG)

Daniela Bernardo Bussolotti, de Belo Horizonte (MG)

Dyego Primolan Rocha, de Presidente Prudente (SP)

Fernando José Ribeiro Casaca, de São Vicente (SP)

Franciely Sulamita de Faria, de Nova Ponte (MG)

Genival Jose da Silva, de Ribeirão Preto (SP)

Hilma Schumacher, de Belo Horizonte (MG)

Jasson Ferreira Lima, de Paracatu (MG)

Jean Franco de Souza, de Mirassol (SP)

João Carlos Baldan, de São José do Rio Preto (SP)

Jorge Rodrigues Cunha, de Pilar do Sul (SP)

José de Oliveira, de Bom Jesus dos Perdões (SP)

José Roberto Bacarin, de Cianorte (PR)

Josiany Duque Gomes Simas, de Cuiabá (MT)

Leomar Schinemann, de Guarapuava (PR)

Marcelo Panho, de Iguaçu (PR)

Marcia Regina Rodrigues, de Ribeirão Preto (SP)

Márcio Vinícius Carvalho Coelho, de Marília (SP)

Marco Antonio de Souza, de Leme (SP)

Marcos Oliveira Queiroz, de São Paulo (SP)

Marlon Diego de Oliveira, de Tupã (SP)

Michely Paiva Alves, de Limeira (SP)

Monica Regina Antoniazi, de Piracicaba (SP)

Nelma Barros Braga Perovani, de Piratininga (SP)

Nelson Eufrosino, de Piratininga (SP)

Pablo Henrique da Silva Santos, de Belo Horizonte (MG)

Patricia dos Santos Alberto Lima, de Belo Horizonte (MG)

Pedro Luis Kurunczi, de Londrina (PR)

Rafael da Silva, de Catalão (GO);

Rieny Munhoz Marcula, de Campinas (SP)

Rosângela de Macedo Souza, de Riolândia (SP)

Ruti Machado da Silva, de Nova Londrina (PR)

Sandra Nunes de Aquino, de Sorocaba (SP)

Sheila Mantovanni, de Mogi das Cruzes (SP)

Stefanus Alexssandro Franca Nogueira, de Ponta Grossa (PR)

Sulani da Luz Antunes Santos, de Vinhedo (SP)

Terezinha de Fátima Issa da Silva, de Caxias do Sul (RS)

Vanderson Alves Nunes, de Francisco Beltrão (PR)

William Bonfim Norte, de Promissão (SP)

Yres Guimarães, de Rio Verde (GO)

Zilda Aparecida Dias, de Rio Claro (SP)

Empresas

Alves Transportes LTDA., sediada em Araguaína (TO)

Associação Direita Cornélio Procópio, sediada em Cornélio Procópio (PR)

Gran Brasil Viagens e Turismo LTDA., sediada em Frutal (MG)

Primavera Tur Transporte EIRELI, sediada em Primavera do Leste (MT)

RV da Silva Serviços Florestais LTDA, sediada em Piraí do Sul (PR)

Sindicato Rural de Castro, sediado em Castro (PR)

Squad Viagens e Turismo LTDA, sediada em Cariacica (ES)