Tímidos ou extrovertidos: quem investe melhor e ganha mais na bolsa?

Segundo artigo publicado pela Reuters, o melhor investidor é aquele que possui uma personalidade que mescla os melhores lados de pessoas extrovertidas e introvertidas

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SÃO PAULO – Quando pensam em investidores bem sucedidos, normalmente as pessoas visualizam alguém com personalidade forte, que consegue manter várias conversas ao mesmo tempo, olha diversas telas de computador simultaneamente e ainda negocia ações. E se esse estereótipo estiver errado?  E se a pessoa mais quieta na sala for a mais bem sucedida nos investimentos? 

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O articulista Chris Taylor, da Reuters, levanta a questão e lembra que pesquisas indicam que os extrovertidos possuem genes que incentivam a busca de risco. Por isso, eles estariam geneticamente mais propensos para tomar decisões de investimentos mais arriscadas, enquanto os tímidos têm instintos mais sólidos e preferem operar baseados em pesquisas.

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 “Um clássico exemplo de uma pessoa introvertida que toma riscos cuidadosos e bem calibrados é o megainvestidor Warren Buffett”, afirma Susan Cain, autora do best-seller “Quiet: The Power of Introverts” (Quieto: o poder dos introvertidos, em tradução livre).

Buffett evita discursos públicos e prefere Omaha, ao invés da loucura de Wall Street, mas, mesmo assim, apresenta resultados invejáveis. “Introvertidos são mais cautelosos do que os mais extrovertidos, mas isso não significa que eles evitam todos os riscos. Eles apenas refletem mais antes de decidir”.

Genética
Pode existir uma base biológica para explicar essa diferença na hora de investir. Variações de genes podem fazer as pessoas extrovertidas terem uma quantidade maior do neurotransmissor dopamina, associado com a busca de recompensa. Os introvertidos, por outro lado, têm mais serotonina, que é ligado ao bem-estar e felicidade.

No entanto, se, para ser um bom investidor, tudo que fosse necessário fosse ser introvertido, todas as pessoas mais tímidas estariam ricas. No entanto, esse grupo também possui seus próprios problemas na hora de investir. Os introvertidos podem se prender muito em pesquisas detalhadas e, com isso, perder oportunidades chave.

“Após a crise de 2008, quando as ações estavam baratas, muitas pessoas introvertidas não toleravam riscos e não investiram, e continuam não investindo. Então eles perderam essa chance”, diz Michael Pompian, um parceiro da Mercer Investment Consulting e coautor de um texto no Journal of Wealth Management sobre como a personalidade pode afetar escolhas de investimento.

O ideal seria uma pessoa que mescla características, de acordo com Susan Cain. Dessa maneira, essa pessoa poderia maximizar as vantagens e minimizar as desvantagens de cada tipo de personalidade.

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