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A plataforma do Tesouro Direto saiu do ar no fim da manhã desta quinta-feira (17), diante de um ambiente de maior volatilidade após o anúncio, pelo governo federal, de um reajuste de 15% no valor do Bolsa Família. Até então, as taxas vinham em forte baixa, no dia seguinte à mais uma queda da Selic, mesmo com a alta de juros nos Estados Unidos. Mas o humor do mercado virou, com curva de juro em alta, junto com o dólar e a queda da Bolsa, refletindo preocupações fiscais.
Após a volta da suspensão, o Tesouro Prefixado 2032 subia de 14,15% na abertura desta manhã para 14,34%, alta de 19 pontos-base. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançava de 14,19% para 14,39%, alta de 20 pontos-base, e o Prefixado 2029 foi de 13,81% para 13,95%.
Nos títulos de inflação, o movimento também foi de alta generalizada. O IPCA+ com Juros Semestrais 2060 subia de 7,18% para 7,24%, o IPCA+ 2032 avançava de 7,61% para 7,69%, e o IPCA+ 2050 ia de 7,19% para 7,26%.
O reajuste de 15% representa um impacto relativamente limitado em 2026, de R$ 5,8 bilhões, mas alcança cerca de R$ 22 bilhões em 2027. “O problema, para o mercado, não está na política de transferência de renda em si, mas na combinação entre o caráter permanente da despesa e a ausência, até o momento, de detalhes suficientes sobre sua compensação”, avalia Gustavo Assis, CEO da Asset.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren, destaca que o reajuste nessa magnitude apenas recompõe a inflação de março de 2023 a agosto de 2026, e está adequado aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Eleitoral. “Não se trata de conceder benefício novo, mas de neutralizar a perda nominal”, escreveu em publicação no X. “O resto é fantasia ou desconhecimento.”
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Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, destaca que persiste a preocupação do Copom com a desancoragem das expectativas de inflação, e que o balanço de riscos manteve assimetria para cima. Ele avalia que a continuidade da desaceleração da atividade e uma inflação mais favorável ainda permitem um corte na próxima reunião, embora ela ocorra logo após o segundo turno eleitoral, o que aumenta a incerteza.
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Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, interpreta que a mensagem mais provável é que o ciclo de cortes chegou ao fim, ou está muito perto disso, devido à projeção de inflação do BC, ao cenário externo e por causa do cenário eleitoral. Trevisan pondera que a Selic segue alta, e recomenda cautela na renda fixa, com prazos curtos e disciplina no crédito privado, e reforça a importância de manter parcela do patrimônio fora do país.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde julho de 2023, e o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a estabilidade de preços é a base do crescimento econômico e que a decisão representa “um passo importante” nessa direção, chegando a dizer que ela beneficia especialmente os americanos “menos favorecidos”, já que a inflação mais baixa preserva o poder de compra dos salários.
Apesar da alta, os rendimentos dos Treasuries recuaram logo depois do anúncio, em ajuste de preços que já refletiam a decisão na véspera da reunião. Agentes avaliam que a postura firme de Warsh no combate à inflação tranquilizou os investidores quanto ao compromisso do banco central com a convergência ao redor da meta de longo prazo.
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Veja as taxas do Tesouro Direto às 12h14 desta quinta-feira (17):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0735% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,95% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,34% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,39% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,69% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,53% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,32% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,38% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,26% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,24% | 15/08/2060 |
