As 6 melhores ações de dividendos para a carteira sobreviver às eleições

Com a disputa eleitoral ditando o humor da bolsa, as carteiras de setembro seguem ancoradas em quem deve ter mais resiliência para seguir pagando - a exemplo de elétricas como a Copel

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A corrida eleitoral passou a ditar o humor da bolsa brasileira na virada para setembro. Conforme as pesquisas foram apontando uma disputa presidencial mais equilibrada, o investidor voltou a comprar ativos locais, e o Ibovespa emendou uma sequência de altas que levou o índice de volta aos maiores patamares desde maio, num movimento que devolveu boa parte do terreno perdido no mês anterior.

Mas a retomada não veio para as ações preferidas para estratégias de dividendos. O Índice de Dividendos (IDIV) terminou agosto com recuo de 1,65%, pior que o do Ibovespa. É esse o pano de fundo com que as corretoras montaram as carteiras deste mês, fechadas quando o movimento eleitoral apenas começava a se desenhar.

Em vez de correr atrás do rali, as casas reforçam a preferência por empresas que geram caixa agora e distribuem proventos de forma previsível, teses que não dependem de uma reprecificação política para entregar retorno.

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Entre as dez corretoras e casas de análise consultadas pelo InfoMoney, seis papéis aparecem em pelo menos cinco das dez carteiras analisadas. Destaque novamente para figurinhas carimbadas da lista, como Petrobras, Allos e Axia Energia, mas também para empresas como a Copel, nome que atrai por ter receitas reguladas e risco menor de sensibilidade a inadimplênciaro.

Veja as ações de dividendos mais recomendadas para setembro:

AçãoNº de recomendaçõesDividend Yield 12 meses
Petrobras (PETR4)811,72%
Allos (ALOS3)713,06%
Axia Energia (AXIA3)74,20%
Itaú Unibanco (ITUB4)68,29%
Vale (VALE3)510,10%
Copel (CPLE3)59,49%
Fontes: BTG Pactual, Itaú BBA, Ativa Investimentos, Terra Investimentos, Ágora Investimentos, XP Investimentos, Genial Investimentos, BB Investimentos, Santander, Andbank e Economatica

Petrobras (PETR4)

A estatal aparece em oito das dez carteiras e lidera o ranking. Para o BTG Pactual, a companhia combina desempenho operacional robusto, com produção acumulada no ano de cerca de 2,77 milhões de barris por dia contra um guidance de 2,4 a 2,6 milhões, e forte capacidade de precificação, já que cerca de 70% da produção abastece as próprias refinarias. O banco estima dividend yield (rendimento apenas com proventos) de aproximadamente 9% para 2027 e vê espaço para o breakeven de fluxo de caixa livre se aproximar de US$ 60 por barril.

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O Santander elevou a recomendação para compra e revisou o preço-alvo da ordinária para R$ 60,00, projetando dividend yield de cerca de 10% em 2026 com a companhia priorizando a redução do endividamento. A Terra Investimentos destaca o segundo trimestre, quando o lucro líquido alcançou R$ 52,4 bilhões, alta de 97% na comparação anual, com R$ 17,4 bilhões aprovados em dividendos e juros sobre capital próprio no período. Para a Genial, a Petrobras é hoje quem melhor representa o estilo da carteira de dividendos, porque combina proventos altos com um múltiplo que não depende de crescimento para se justificar.

Allos (ALOS3)

A companhia, que tem 55 shoppings no portfólio, 45 deles próprios, aparece em sete carteiras e é vista como uma das teses mais defensivas do setor imobiliário listado. O BTG Pactual aponta previsibilidade de receitas, vacância e inadimplência em níveis saudáveis e dividend yield projetado próximo de 13%, além de considerar que o mercado ainda não precificou plenamente a virada estratégica da companhia em direção à maximização do retorno ao acionista.

O Santander reitera compra com preço-alvo de R$ 38,50 e projeta DY de 13,5% para 2026, com a ação negociando a 8,5 vezes o preço sobre AFFO estimado, ante média histórica de 13,7 vezes. A XP elevou o peso do papel na carteira de 7,5% para 10%, apoiada no valuation e na maior visibilidade de retorno ao acionista, e calcula o maior dividend yield entre as operadoras de shopping que acompanha.

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Axia Energia (AXIA3)

A antiga Eletrobras soma sete indicações e é uma das preferências do setor elétrico entre as casas consultadas. O BTG Pactual argumenta que a perspectiva de preços de energia mais altos beneficia diretamente a companhia, dada a quantidade de energia disponível para venda, e projeta dividend yield médio de 10% entre 2027 e 2029, com alavancagem caindo para 2,1 vezes em 2027.

O Santander projeta Ebitda de R$ 32,4 bilhões em 2026, alta de 47% na comparação anual, e vê oportunidade para a nova gestão reduzir em mais de 50% os custos com pessoal, material e serviços de terceiros nas principais subsidiárias. A Andbank chama atenção para a aprovação de nova recompra de R$ 3,7 bilhões em ações, que eleva o programa anunciado em 2026 para R$ 7,7 bilhões, com a maior parte da execução prevista para o segundo semestre.

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Itaú Unibanco (ITUB4)

O maior banco privado do país soma seis recomendações e é apontado como a alternativa defensiva mais natural do setor. O BTG Pactual mantém o papel como banco large cap preferido mesmo após a queda de cerca de 10% em dólares em agosto, provocada pelo aumento dos resgates de estrangeiros, e destaca qualidade de ativos de primeira linha com o papel negociando a 7,6 vezes o lucro estimado para 2027.

O Santander colocou o Itaú como principal escolha entre os bancos, com preço-alvo de R$ 51,00 para 2027, apoiado no lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre e no retorno sobre patrimônio de 24%. A Ágora Investimentos reforça que a rentabilidade superior e sustentável justifica o prêmio de valuation frente aos pares, com o dividend yield adicionando retorno no curto prazo.

Vale (VALE3)

A mineradora aparece em cinco carteiras. O BTG Pactual estima retorno ao acionista na faixa de 8% a 9% ao ano entre dividendos e recompras, com a companhia negociando a desconto relevante frente aos pares globais e uma tese de crescimento cada vez menos dependente apenas do minério de ferro, apoiada na ambição de atingir cerca de 700 mil toneladas anuais de cobre até 2035.

O Santander elevou a projeção de preço do minério para 2026 de US$ 100 para US$ 105 por tonelada, sustentado por oferta limitada, custos globais mais altos e demanda resiliente da China somada ao crescimento em Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio. A Andbank destaca o fluxo de caixa livre de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, equivalente a um yield anualizado de cerca de 10%, além dos US$ 1,7 bilhão anunciados em dividendos e juros sobre capital próprio e do novo programa de recompra.

Copel (CPLE3)

A elétrica paranaense fecha o ranking com cinco indicações. O Itaú BBA a incluiu na carteira no lugar do Bradesco e espera dividend yield de cerca de 8% para o ano corrente, apoiado na combinação de geração, transmissão e distribuição, baixa alavancagem e perspectiva de distribuição relevante nos próximos anos.

O BTG Pactual credita a evolução aos compromissos assumidos desde a privatização, com destaque para os resultados da distribuidora, a vitória no Leilão de Reserva de Capacidade e uma revisão tarifária mais favorável do que o mercado projetava. O Santander calcula taxa interna de retorno real de 10,4% e aponta a nova política de dividendos como base de um fluxo previsível de proventos, em uma tese de baixo perfil de risco para o atual ambiente de volatilidade.

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