
FIIs alternativos podem ajudar a descorrelacionar carteiras, diz fundador da Suno
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Para Tiago Reis, fundador da Suno Research, a expansão para ativos alternativos — como energia, infraestrutura ou data centers — pode ajudar a reduzir a correlação das carteiras em relação aos fundos mais tradicionais do mercado.
Segundo ele, o universo de REITs nos Estados Unidos mostra que o conceito de investimento imobiliário pode ir muito além dos setores mais conhecidos no Brasil, como shoppings, galpões logísticos e lajes corporativas.
Alta do petróleo afeta os FIIs?
Apesar da turbulência externa, Evandro Buccini, sócio e diretor de crédito da Rio Bravo Investimentos, não acredita que a demanda por fundos imobiliários deva mudar de forma significativa no Brasil. Segundo ele, a classe de ativos já possui forte presença nas carteiras dos investidores.
“Os fundos imobiliários já têm uma difusão muito grande no país. Liquidez, renda mensal recorrente e previsibilidade continuam sendo os fatores que sustentam o interesse dos investidores”, comenta.
Em relação aos investimentos, Buccini destaca que ativos indexados ao IPCA tendem a se beneficiar relativamente em cenários de maior pressão inflacionária, sobretudo em horizontes mais longos. Essa dinâmica também pode favorecer, ainda que de forma marginal, fundos imobiliários de papel com exposição a CRIs indexados ao IPCA
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Mudo a carteira?
Para Sidney Angulo, sócio do E-Business Park, os movimentos macroeconômicos — como oscilações no petróleo ou no dólar — tendem a ter impacto limitado sobre o setor imobiliário no curto prazo.
Segundo o investidor, os fundos imobiliários costumam reagir de forma mais marginal a choques externos. Isso ocorre porque os ativos estão vinculados a imóveis físicos e contratos de longo prazo, o que tende a reduzir a volatilidade em comparação com outros mercados.
“Eu não monto um portfólio. Eu monto uma carteira de imóveis. Quando faço uma alocação, penso em algo consistente e de longo prazo. Por isso eu mudo muito pouco”, explica. Ele afirma que, durante períodos de queda acentuada das cotas, sua estratégia foi ampliar posições.
Momento “benigno” para tijolo
Segundo os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar, da equipe de research da XP, o momento atual do mercado tende a ser mais favorável para fundos de tijolo, especialmente diante da expectativa de queda dos juros ao longo do ciclo econômico.
Na avaliação dos especialistas, o mercado de FIIs atravessa uma fase considerada mais benigna, principalmente para ativos mais sensíveis à taxa de juros.
“O mercado se encontra atualmente em uma fase mais benigna, especialmente para os FIIs de tijolo, dada sua maior sensibilidade às variações dos juros”, afirmam os analistas no relatório.