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SÃO PAULO â Juros baixos, crescimento gradual da economia e a agenda de reformas do governo foram os fatores que ajudaram a bolsa brasileira a subir mais de 30% no ano passado e devem continuar beneficiando o mercado de ações em 2020.
A expectativa é consenso entre Betina Roxo, analista da XP Investimentos, Pedro Sales, gestor da Verde Asset, e Felipe Hirai, sócio da Dahlia Capital, que participaram nesta quarta-feira (15) do evento âOnde Investir 2020â, do InfoMoney.
âA gente acha que em fevereiro o Banco Central vai fazer mais um corte na Selic, o que é muito positivo para as empresas, já que reduz o custo da dÃvida delas. Isso beneficia a bolsa, que deve atingir 140.000 pontos no fim deste anoâ, afirmou Betina.
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Hirai destacou que estamos no meio de um grande movimento de alta da bolsa no Brasil e que, desde o meio da década de 1960 até agora, o Brasil só teve quatro grandes momentos como esse: no regime militar, redemocratização, plano real e boom das commodities.
âSão eventos raros. (…) Eles não são movimentos de 10% ou 30%, são movimentos de 10 vezes ou 30 vezes. Desde que começou isso, que a gente chama de âquinta ondaâ do Ibovespa, o Ãndice em dólar cresceu três vezes. Então, ainda estamos no começo do ciclo, que geralmente dura anos. (…) Para os próximos anos, a gente ainda consegue enxergar a bolsa crescendo mais umas duas vezes ou duas vezes e meiaâ, disse o sócio da Dahlia.
Para Sales, a queda de juros impactou muito a precificação dos ativos. âSe você for olhar, por exemplo, o IMA-B 5+, que é um Ãndice de tÃtulos do governo indexados à inflação de longo prazo (NTN-B), ele subiu 30% no ano passado, praticamente igual ao Ibovespa.â
O próximo passo, segundo ele, é o crescimento de lucro das empresas. âEstá apenas no inÃcio. à exatamente no começo da retomada econômica que você tem o melhor momento para as empresas: tem crescimento de receita com boa expansão de margem. A empresa entrega mais com pouca estrutura, com a estrutura que ela já temâ, disse.
Dividendos
Sobre proventos, os especialistas ressaltaram que, hoje, o investidor ganha para âcorrer o riscoâ de as empresas crescerem o lucro. à um cenário bem melhor do que no passado.
âEstamos no nÃvel mais alto da história de rendimentos dos dividendos da bolsa menos o juro real. Ou seja, o acionista está sendo remunerado para incorrer risco na empresa e ter a ação. Essa relação era negativa e há pouco tempo ficou positivaâ, disse Betina.
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A maior participação de investidores pessoas fÃsicas na bolsa â efeito da queda dos juros e da necessidade de diversificação de portfólio, com aumento do risco â, também corrobora o ambiente positivo para o mercado de ações brasileiro.
âMenos de 1% da população brasileira está na bolsa. Nos EUA, que já estão acostumados com juros baixos há muito tempo, esse número é de praticamente 70%â, enfatizou a analista da XP. âTem bastante espaço para aumentar o número de investidores.â
Eles comentaram sobre os fundos serem uma boa opção para os investidores novatos da bolsa, já que neles você tem um gestor que vai fazer a seleção profissional dos papéis por você.
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Hirai também destacou que alguns Ãndices além do Ibovespa devem estar no radar dos investidores. O Ãndice de Small Caps da B3, por exemplo, subiu muito mais do que o Ibovespa em 2019 e continua em tendência de alta para este ano.
Ações
Quais as ações para investir em 2020? Segundo Betina, a XP recomenda, entre outras ações, Lojas Renner (LREN3), Localiza (RENT3), Via Varejo (VVAR3), Ecorodovias (ECOR3), Vale (VALE3), JBS (JBSS3) e Eztec (EZTC3). âSão nomes que estão em patamares atrativos e têm um diferencial quando comparados aos pares.â
Já Hirai apontou Eneva (ENEV3), Petrobras (PETR3, PETR4) e Totvs (TOTS3), enquanto Sales apontou BR Distribuidora (BRDT3), âque está passando por uma transformação de gestão após ter sido privatizadaâ.
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O gestor também gosta do setor de planos de saúde, com recomendação de Intermédica (GNDI3), Sulamérica (SULA3) e Hapvida (HAPV3). âSó um quarto dos brasileiros têm planos de saúde e os outros três quartos têm entre seus principais desejos ter um plano de saúdeâ, disse. Ainda na carteira da Verde estão Mercado Livre e C&A Modas (CEAB3).
Risco
âNão tem céu de brigadeiroâ, disse Sales sobre o investimento em bolsa. Ele enfatizou que as aplicações em renda variável são, sim, arriscadas, e que isso deve ser considerado pelos investidores. âMas eu acho que no momento atual o risco é menor, comum em cenários de juros baixos.â
Entre os riscos atuais apontados pelos especialistas está o acordo comercial entre Estados Unidos e China, que teve sua primeira fase assinada hoje, além das eleições americanas e a desaceleração da economia global.
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âO mercado à s vezes exagera na percepção desses riscos. (…) Se você voltar há 10 anos, a grande preocupação dos investidores globais era a crise soberana da Europa, aà veio a desaceleração forçada da China, aà veio o populismo no mundo, aà depois veio eleições americanas, aà depois guerra comercial. Mas a grande verdade é que o euro continua aÃ, a China desacelerou mas continua robusta, os EUA tiveram uma mudança, mas seguem se recuperando. Para aquelas pessoas que focam em investimentos de longo prazo, esses riscos são minimizados. à uma questão de calibrar portfólio, se protegerâ, disse Hirai.
Onde Investir 2020 continua
Nesta quinta-feira (16), o Onde Investir 2020 começa com painel sobre como a polÃtica pode mexer com os mercados. Confira a programação completa do evento aqui.
Perdeu algum painel? Não se preocupe, todo o conteúdo ficará disponÃvel no canal do YouTube do InfoMoney.
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