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As projeções do mercado para a inflação sofreram uma inflexão importante do começo do ano para cá. Na Legacy Capital, gestora que administra R$ 15 bilhões em fundos de investimentos, não foi diferente. Dos 6,30% esperados para 2025 seis meses atrás, a expectativa já caiu para cerca de 4,50%.
A visão é de que, embora a economia siga forte, a elevação de juros pelo Banco Central – que colocou a taxa Selic em 15% ao ano no mês passado – está fazendo seu papel no controle da atividade e do avanço dos preços. E desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o assunto da vez é quando os juros começarão a cair.
Para Pedro Jobim, sócio e economista-chefe da Legacy, é difícil que isso aconteça neste ano – mas é “um pouco menos difícil” do que já foi. “Assim que tiver um pouco mais de convicção a respeito da desaceleração da atividade econômica, o BC pode dar início ao processo de corte de juros”, disse ao programa InfoMoney Entrevista. Ele é o convidado dessa semana, em uma série especial de conversas com painelistas da Expert XP 2025, um dos maiores eventos sobre investimentos do mundo.

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“Temos mais quatro reuniões do Copom nesse ano. Acho que o BC ficará parado em três, mas na última do ano, se eventualmente a desaceleração estiver presente, pode-se até começar a namorar a possibilidade de queda”, afirmou – a despeito de a ata do último Copom mencionar cinco vezes que os juros seguirão altos por um período bastante prolongado. “Talvez o período bastante prolongado não seja tão prolongado assim”.

Confira alguns dos principais trechos da entrevista abaixo ou a entrevista completa no player acima:
“Com fim do ciclo de alta dos juros, próxima etapa é buscar o momento da queda”
No começo do ano, chegamos a ter projeção de 6,30% para a inflação em 2025. Fomos reduzindo, e hoje a projeção está um pouco acima de 5%, com um número mais próximo de 4,50% em 2026, quase no limite da meta. O aperto monetário faz efeito, e nossa aposta é na desaceleração da atividade econômica.
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Agora, com o ciclo encerrado, a próxima etapa é buscar o momento em que os juros vão começar a cair.
O relatório de inflação do Banco Central sugere que a projeção para o primeiro trimestre de 2027 é de 3,4%, um número já considerado em torno da meta. E assim, fica mais próxima a possibilidade de queda de juros.
“O entendimento é de que seria muito difícil acontecer nesse ano, e ainda acho que é difícil, mas ficou menos difícil. Acho que no começo de 2026 o BC pode fazer algum tipo de ajuste para baixo”
Leia também: Será que o Copom estacionou mesmo a Selic em 14,75%? Há quem duvide
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“Temos 4 reuniões do Copom nesse ano, e BC deve ficar parado em 3”
Sabemos que, historicamente, o Banco Central considera que uma projeção de 3,3% para a inflação está em torno da meta. Não estamos muito longe disso.
Assim que tiver um pouco mais de convicção a respeito da desaceleração da atividade econômica, o BC pode dar início ao processo de corte de juros. Talvez o “período bastante prolongado” [mencionado na ata da última reunião do Copom] não seja tão prolongado assim. Tanto a ata quanto o relatório de inflação foram no sentido até de desautorizar um pouco, na margem, toda essa ênfase do adjetivo.
O mercado vai ficar buscando os primeiros sinais de atividade para baixo para cravar o início do corte de juros.
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“Temos mais quatro reuniões do Copom nesse ano. Acho que o BC ficará parado em três, mas na última do ano, se eventualmente a desaceleração estiver presente, pode-se até começar a namorar a possibilidade de queda. Senão, no começo de 2026”
“Bolsa está diante de um cenário binário” e dependente da eleição
Temos posições em bolsa, mas não tão representativas para o desempenho do fundo, seja a favor, seja contra.
A bolsa, como outros ativos, está diante de um cenário binário. Para 2027, se você tiver a continuidade desse governo, não é um cenário bom para os ativos. Se tiver troca de governo, é um cenário bom. Isso vai ter implicações bem distintas para juros, bolsa e moeda. Estamos evitando tomar posições maiores em função dessa bifurcação à frente.
Mas acho que em breve isso vai mudar. Até o final do ano a gente espera que bolsa volte a ser um driver de desempenho positivo nos fundos da casa.
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Temos posições em algumas empresas que não estão bem precificadas – algumas vendidas, outras compradas. E uma carteira long short também. Mas nada muito relevante no conjunto do nosso risco.
Estamos aguardando para, se for o caso, tomar uma posição maior em bolsa. Esperamos que a perspectiva para o Brasil a partir de 2027 seja melhor.
