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SÃO PAULO – As empresas brasileiras estão identificando aumento da complexidade nos seus negócios nos últimos anos. Essa é uma das conclusões de um estudo internacional da consultoria KPMG, intitulado Confronting Complexity (Enfrentando a Complexidade), que ouviu 1.400 executivos de 22 países, entre eles, o Brasil.
Segundo o estudo, 62% dos executivos brasileiros identificaram aumento na complexidade dos negócios nos últimos dois anos. Pelo menos 36% dos que responderam a pesquisa no Brasil disseram que esperam continuidade desse crescimento no futuro. Nesta avaliação, o Brasil fica atrás apenas da África do Sul (38%), China (43%) e Austrália (44%).
Segundo o levantamento global, mais de 50% dos líderes de empresas no mundo todo afirmaram que vão testar novas abordagens para gerenciar os negócios nos próximos dois anos. Para 94% dos ouvidos, trabalhar com a complexidade dos negócios é fundamental para o sucesso de seu empreendimento.
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A pesquisa da KPMG revela que os líderes de empresas globais enfrentam um fluxo contínuo de problemas e estão lutando para encontrar novas soluções que possam se tornar vantagens competitivas, diante desse alto nível de complexidade.
Os executivos reforçaram que administrar suas empresas está ficando cada vez mais difícil, principalmente em função do aumento da regulamentação governamental, mudanças tecnológicas e também do gerenciamento de informações. Os desafios que essas condições trazem são mais riscos, aumento dos custos e a necessidade cada vez maior de novas capacitações.
Medidas
Segundo avaliação da metade das empresas (na média mundial), os métodos comuns utilizados para melhorar o gerenciamento de informações, reorganizações corporativas e a gestão de programas de recursos humanos não estão sendo eficazes para enfrentar a complexidade. O mais ineficaz de todos os itens mencionados foi o esforço para influenciar as políticas públicas, que funcionou bem para apenas 33% dos entrevistados.
“Para enfrentar os desafios que a complexidade apresenta, equipes gerenciais bem sucedidas estão buscando maneiras novas de incorporar agilidade e inovação em suas culturas corporativas e desenvolver estruturas flexíveis para gerenciar as demandas e necessidades dos mercados”, defende a sócia-líder do Global Business Group da KPMG no Brasil, Marienne Coutinho.
Desenvolvidos e em desenvolvimento
A pesquisa revelou algumas variações importantes em como a complexidade é sentida e gerenciada em diferentes partes do mundo. Entre as economias maduras da América do Norte e Europa, atualmente, a regulamentação é vista como a principal causa de complexidade, seguida por problemas com o gerenciamento das informações.
Nas economias em desenvolvimento, como Brasil, México, China e Índia, a velocidade da inovação é o que mais preocupa. Nesses países, a política tributária surgiu de maneira muito mais forte nas respostas dos executivos. No resultado global, com 57% das indicações, a questão tributária também teve alto índice entre as principais causas da complexidade.
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Das empresas brasileiras, o aumento da regulamentação é o fator que mais contribui para o nível atual de complexidade (36%), seguido do aumento da velocidade da inovação (30%) e das fusões e aquisições (30%).
Já quando o assunto são os fatores que vão guiar a complexidade dos negócios nos próximos dois anos, as empresas brasileiras listam a velocidade de inovação como principal destaque, com 88% das respostas. Em seguida, vem a gestão da informação, com 79% das opiniões. Poucos no entanto, acreditam que operar em mais países possa contribuir para a complexidade: apenas 17%.
Quatro em cada cinco empresários brasileiros veem algum potencial para gerar oportunidade a partir da complexidade. Cerca de 95% enxergam a complexidade como uma oportunidade para tornar as companhias mais eficientes, 88% como uma oportunidade para criar novas e melhores estratégias e 80% como uma chance para expandir os negócios para outras regiões.