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SÃO PAULO – A captação líquida dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) apresenta, neste ano, o maior crescimento entre todos os tipos de fundos de investimentos do Brasil.
Segundo a Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid), no acumulado até junho de 2008, a captação líquida destes fundos somava R$ 16,03 bilhões, com crescimento de 488% sobre o mesmo período de 2007.
Enquanto categorias de fundos mais tradicionais como renda fixa, multimercados e ações acumularam saldo de aplicações negativo no semestre, os FIDCs demonstraram expansão consistente desde o ano passado.
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Crescimento da categoria
A razão para o crescimento dos FIDCs se deve à sua utilização pela indústria, principalmente nos setores de imóveis e de infra-estrutura, responsáveis pela maior atração de recursos. De acordo com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), até 12 de junho deste ano, já foram registrados R$ 4,95 bilhões em ofertas nesse tipo de investimento, com aumento de 41% sobre os R$ 3,5 bilhões no mesmo período de 2007.
Segundo Carlos Fagundes, diretor da Integral-Trust, consultoria que desenvolve operações estruturadas, os FIDCs são considerados uma boa opção para investidores, visto que oferecem baixo risco por estarem lastreados aos direitos creditórios de uma empresa, e por isso estão sendo absorvidos pelo mercado.
Captação vantajosa
Fagundes explica que com a atual crise nos mercados financeiros, desencadeada por problemas de liquidez entre as instituições financeiras internacionais, as empresas de menor porte, que muitas vezes não são acompanhadas por agências de classificação de risco, procuraram a securitização como forma de captar recursos.
“Os instrumentos de captação em renda variável têm ciclos e o atual não se apresenta viável”, alega o diretor. Os FIDCs permitem que estas empresas acessem o mercado com ativos de baixo risco de crédito e avalizados por ratings qualificados. “Estamos emitindo cotas seniores, de prazos alongados entre quatro e cinco anos, com ratings AAA, que têm grande demanda”, afirma Fagundes.
“Além disso, companhias e bancos de médio porte, ao entrar no circuito financeiro com a emissão dos direitos creditórios, começam a construir um histórico para, num futuro, emitirem ações ou debêntures”, completa o diretor.
Por que investir?
Em relação aos fundos de renda variável, os FIDCs apresentam a vantagem de não estarem sujeitos à oscilações causadas pelo noticiário financeiro. Já em relação à renda fixa, os FIDCs muitas vezes pagam prêmios mais atrativos. “Este fundos geralmente rendem de 104% a 108% do CDI e de 6% a 8% da Selic”, esclarece Fagundes.
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Vale ressaltar que os FIDCs somente vendem cotas a investidores qualificados, ou seja, pessoas físicas ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 300 mil e que atestem por escrito sua condição de investidor qualificado, de acordo com as normas da CVM.