Maior apetite por risco impulsiona mercados emergentes e de high yield

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

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A entrada líquida de R$ 731,7 milhões em capital estrangeiro na Bovespa em janeiro deve ser encarada não somente como um sinal da melhor percepção do risco Brasil por parte dos investidores estrangeiros, mas também como parte de um movimento global de realocação de ativos rumo aos chamados “mercados de risco”. O Brasil, como parte do grupo de mercados emergentes, tem sido um dos beneficiários desta tendência, que também tem afetado positivamente outros mercados latino-americanos como o México e a Argentina, além das empresas de high yield , ou alto risco, do mercado norte-americano.

O mercado de títulos de high yield norte-americano é usado historicamente como termômetro para medir o apetite dos investidores por ativos de risco mais elevado, sobretudo aqueles no grupo de non investment grade, ou seja, abaixo da escala de risco recomendada para investimento pelas agências internacionais de classificação de risco como Moodyïs, Standard & Poors e Fitch.
Após um desempenho bastante ruim em 2000, com reduzido volume de novas emissões e elevação dos spreads, ou diferencial em relação aos títulos do Tesouro norte-americano, o mercado de high yield teve em janeiro o melhor mês nos últimos dez anos, com um volume de novas emissões de cerca de US$ 14 bilhões – cerca de 30% do total emitido no ano 2000. Em paralelo, o spread médio, medido pelo Speculative Grade Industrial Index da Standard & Poors, passou de 1.048,5 pontos base (10,485 pontos percentuais acima do rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano) para 923,2 pontos base, queda de 125,3 pontos base. Segundo o índice de títulos de high yield da corretora Merril Lynch, o ganho médio foi de 6% em janeiro, recuperando a perda acumulada de 5,1% em 2000.

O efeito sobre os mercados emergentes pode ser sentido tanto nos mercados de renda fixa como em ações. O sucesso das emissões de US$ 1,5 bilhão e de um bilhão de euros por parte do Brasil em janeiro não somente mostra a possibilidade de financiamento a menores custos no mercado internacional como também pode abrir caminho para que o setor privado desenvolva novos canais de captação de recursos. O México, possuidor de um rating superior ao do Brasil, foi bem sucedido nesta estratégia: após a emissão do governo federal mexicano na segunda semana de janeiro, o mercado teve boa recepção para os papéis de empresas mexicanas, tanto privadas como estatais. Assim , empresas como a gigante de telecomunicações TelMex e a petrolífera Pemex foram capazes de levantar US$ 1 bilhão cada uma em novas emissões. Mas esta “euforia” do mercado não ficou restrita somente à América Latina; a Índia, que também faz parte do grupo de mercados emergentes, registrou entrada de capital estrangeiro em instrumentos de renda fixa e variável de US$ 905 milhões em janeiro, frente a US$ 1,56 bilhão acumulado em 2000.

A velocidade da retomada do interesse dos investidores por ativos de alto risco surpreendeu a todos, sobretudo dentro do contexto de forte desaceleração da economia norte-americana, o que certamente aumentará o número de empresas inadimplentes do mercado de high yield. No entanto, após a sucessão de crises que se abateu sobre os mercados emergentes nos últimos três anos (Ásia, Rússia, Brasil, e mais recentemente Argentina e Turquia), muitos investidores reduziram de forma significativa a parcela de suas carteiras investida em ativos de risco.

A perspectiva é que em 2001 boa parte destes investidores continue, a exemplo do ocorrido em janeiro, ampliando a alocação para ativos de risco. Os efeitos positivos para o Brasil não se restringem somente à possibilidade de captação no mercado internacional a custos mais baixos ou à valorização do mercado acionário por conta da entrada de novos investidores, mas sim à redução do custo de financiamento da dívida pública e seus efeitos sobre a economia. Não será fácil repetir o desempenho registrado em janeiro em diversos mercados, porém a continuidade desta tendência será mais do que suficiente para garantir um bom ano, a não ser que o tão temido hard landing da economia norte-americana realmente ocorra.

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Equipe InfoMoney
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