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Dentre as diversas opções de investimento uma em especial tem atraído a atenção dos investidores: a alternativa de investir em euro. O interesse surgiu dada a possibilidade de valorização frente ao dólar, o que de certa forma ocorreu neste ano. Contudo, o investimento em euro é uma boa alternativa? Como qualquer outro investimento, é preciso ponderar os riscos antes de decidir sobre a aplicação.
O euro é a moeda comum européia que atingirá seu grande momento em primeiro de janeiro do próximo ano, quando doze dos quinze países que compõem a União Européia passarão a adotá-lo como moeda corrente. Neste sentido, somente justificaria alocar uma parte de seus recursos aos fundos que acompanham o euro caso as perspectivas para de crescimento para a economia européia sejam melhores do que as para os EUA, que acabam sendo refletidas no desempenho das moedas.
Perspectivas econômicas dirigem cotações
Comparando as duas economias, a norte-americana e a dos países que compõem a zona do euro, notamos que o cenário ainda é incerto. Sobre os EUA pesam os riscos que podem trazer a guerra, caso os conflitos se intensifiquem, mesmo porque os terroristas já anunciaram que prepararão contra-ataques. Neste sentido, a percepção de que o país possa entrar em recessão não está descartada.
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Quanto à Europa, a atenção passa a ser sobre o Banco Central Europeu (BCE) que controla as políticas fiscais e monetárias dos países que passarão a utilizar o euro. Sendo assim, no curto prazo o foco principal de atenção passa a ser as reuniões do BCE, que devem definir o nível de taxa de juros para a região. O BCE tem adotado um maior conservadorismo nas últimas reuniões temendo uma possível elevação da inflação no continente europeu. No entanto, se os juros forem reduzidos, a economia tende a crescer com o aumento do investimento.
Posição do BCE não ajuda economia
Ao contrário do Fed (banco central norte-americano), o BCE adota uma política de juros bem mais severa. Com o decorrer dos atentados terroristas e apoiado nas indicações de que os EUA caminhavam para a recessão, o Fed já promoveu nove corte dos juros desde o inicio do ano, sendo dois deles desde os ataques terroristas de 11 de setembro. Com isso, os juros nos EUA passaram de 6,5% no início do ano para os atuais 2,5%, o que representa um corte de 4 pontos percentuais nos juros de referência.
Por outro lado, desde o início do ano, os juros para a zona do euro caíram apenas 1 ponto percentual, passando de 4,75% ao ano para 3,75% ao ano. Com dois cortes de 0,25 ponto percentual cada e mais um de 0,5 ponto percentual após os atentados aos EUA, o BCE caracteriza uma política monetária bem menos agressiva que a norte-americana. Segundo a autoridade européia, qualquer queda dos juros poderia comprometer as taxas de inflação que estão estimadas em 2,3% para a região neste ano de 2001.
Esta posição tem deixado os ministros das finanças dos países da zona do euro bastante descontentes, já que parte deles aceitaria uma inflação maior em troca de um crescimento econômico também maior. O euro é o primeiro a sentir os reflexos da austeridade do BCE, chegando a atingir neste ano mais de US$ 0,95, para voltar a operar novamente mais próximo ao patamar de US$ 0,89, como o que se tem notado atualmente.
Cotação pode se ajustar
Desta forma, a relação entre a economia européia e a norte-americana é o principal fundamento que deve ser observado antes de optar pelo investimento em euro. Caso a conclusão é de que a economia dos EUA se recuperará mais rapidamente que a européia, o dólar deve ficar mais forte e mais atrativo que o euro e vice-versa. Vale lembrar que, a partir de quando for oficialmente aceito nos países da Europa, o euro pode sofrer um reajuste frente ao dólar pelo aumento de procura da moeda no continente que pode terminar por deixar as duas cotações mais próximas umas das outras.
De qualquer forma, assim como o investimento em dólar, o euro sofre das mesmas incertezas e riscos que qualificam os investimentos cambiais, que são direcionados frente às expectativas econômicas entre os que adotam a moeda. O euro pode subir quando o BCE afrouxar a política dos juros, mas até quando este impulso pode durar pode ser tão incerto quanto dizer quando o dólar se desvalorizará frente ao real.