IM Trader
Conteúdo editorial apoiado por

Ibovespa fecha estável, com noticiário político amenizando pressão negativa do exterior; Dólar avança 0,28%

Barreiras para aprovar de PEC de Transição e sinalização do Senado sobre mudança na Lei das Estatais seguraram índice brasileiro

Publicidade

O Ibovespa fechou em leve queda de 0,01% nesta quinta-feira (15), aos 103.737 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira, por conta do cenário interno, se descolou das fortes quedas registradas nos Estados Unidos.

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram, respectivamente, 2,25%, 2,48% e 3,23%. Segundo especialistas, por lá, o pessimismo refletiu, principalmente, as falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, da véspera, e as da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, de hoje.

“Os índices americanos caem forte em função da interpretação do anúncio do Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto] de ontem. A decisão veio como o esperado [com alta de 0,50 ponto percentual], mas as projeções das autoridades do Federal Reserve vieram com tom mais duro, apesar de o discurso do Powell não ter sido tão restritivo”, diz Luiz Adriano Martinez, gestor de portfólio da Kilima Asset.

Entre as sinalizações do Fed, destaque para o aumento da projeção do juros em 2023, que saiu de 4,6% para 5,1%.

Ao mesmo tempo, foram divulgados hoje indicadores da atividade dos setores de varejo e industrial dos Estados Unidos, que vieram aquém do consenso. O primeiro, em novembro, recuou 0,6% na base mensal, quando o esperado era uma baixa de 0,1%. O segundo teve queda de 0,2%, ante projeção de recuou de 0,1%.

Dados que trazem uma atividade econômica junto com uma taxa de juros alta por um período maior, de acordo com as falas do Fed, para investidores, aumentam a chance de a maior economia do mundo enfrentar uma recessão.

Continua depois da publicidade

“Após o Fomc, há muita gente acreditando que as autoridades monetárias americanas não irão elevar a taxa de juros até 5% ou levar e manter por um período menor. Podemos, por isso, ter correções fortes no S&P 500 no futuro próximo, conforme a atividade econômica caia ou a inflação não ceda”, contextualiza Felipe Cima, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

A menor atividade econômica derrubou os treasuries yields: os para dez anos fecharam a uma taxa de 3,452%, com menos 5,1 pontos-base, e os para dois anos foram a 4,232%, com menos 1,7 ponto.

Apesar disso, o dólar ganhou força mundialmente e o DXY subiu 0,84%, a 104,64 pontos. Frente ao real, o dólar subiu 0,28%, a R$ 5,315 na compra e a R$ 5,316 na venda.

Continua depois da publicidade

Ibovespa fica estável devido a cenário interno

Se o Ibovespa vinha caindo a semana toda por conta do noticiário político, hoje foi também ele que ajudou o índice a se manter estável e fugir da queda global dos ativos de risco.

“Hoje tivemos um cenário interno melhor do que o externo. Seguimos com a questão da PEC de Transição, que está travada, e tivemos o Senado sinalizando que não irá votar a mudança na Lei das Estatais”, explica Cima. “Se tivermos uma PEC mais palatável, um novo arcabouço fiscal ou sinalização de reforma tributária, podemos ter uma folga para a queda de juros no ano que vem”.

Rodrigo Cohen, co-fundador da Escola de Investimentos, vai no mesmo sentido. “O Ibovespa teve um dia melhor, na minha opinião, por conta do possível descarte do PT da PEC da Transição. Se não votarem hoje, por falta de acordo, provavelmente não sairá do papel. O mercado vê isso como positivo, já que diminui a preocupação fiscal”, debate.

Continua depois da publicidade

A curva de juros brasileira, com isso, caiu em bloco. No pré-fechamento, o DI para 2024 perdia 16,4 pontos-base, a 13,90%, e o para 2025, 23,5 pontos, a 13,59%. Os DIs para 2027 e 2029 foram a 13,36% e 13,20%, com menos 24 pontos ambos. O DI para 2031, por fim, fechou a uma taxa de 13,31%, perdendo 23 pontos.

“Juros futuros seguem voláteis, mas recuam por toda a curva devido à questão fiscal mais amena dada a dificuldade de aprovar a PEC da transição e favorece a alta dos ativos de risco. De qualquer maneira, o tema deve seguir gerando volatilidade no mercado e elevando o risco, exigindo cautela dos investidores”, expõe Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram companhias ligadas ao mercado interno e de crescimento. Os papéis ordinários da Cielo (CIEL3) fecharam com alta de 3,49% e os da MRV (MRVE3), com mais 2,89%.

Continua depois da publicidade

As ações das companhias do governo brasileiro também se recuperaram, por conta do recuo quanto à mudança da Lei das Estatais no Senado, e foram destaque entre as altas por peso. Os papéis ordinários do Banco do Brasil (BBAS3) ganharam 2,83%. Os ordinários e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) subiram, respectivamente, 2,55% e 2,65%.