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Ibovespa cai 0,25%, com peso de mineradoras e siderúrgicas; dólar cai 0,48%, a R$ 4,78

Companhias ligadas ao setor de siderurgia e mineração recuam após estímulos na China irem mais para o lado do consumo

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O Ibovespa fechou em queda de 0,25% nesta quarta-feira (19), aos 117.552 pontos, em um dia marcado, principalmente, pelo recuo das commodities. O principal índice da Bolsa brasileira, com isso, destoou do que foi visto nos Estados Unidos, onde os maiores benchmarks fecharam em leve alta.

“O que pegou bastante hoje foi a questão do estímulo do governo chinês para acelerar o consumo. O mercado interpretou como insuficiente, ou seja, frustrou as expectativas. Tivemos queda das mineradoras por todo o mundo”, comenta Pedro Canto, analista CNPI da CM Capital.

Na véspera, após o produto interno bruto (PIB) tímido no segundo trimestre, o gigante asiático prometeu medidas para estimular o consumo doméstico – o que, além de ser visto como insuficiente, não deve aumentar a demanda de commodities metálicas.

“A gente vem acompanhando, no cenário doméstico, uma queda nas commodities, principalmente em relação ao minério de ferro, que vem puxando a bolsa para baixo”, endossa Gustavo Harada, chefe da mesa de renda variável da Blackbird Investimentos.

As ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 0,27%, apesar de a companhia ter trazido uma prévia operacional melhor do que o consenso esperava no segundo trimestre. De qualquer forma, VALE3 teve baixa menor do que outras do setor de mineração e siderurgia. As preferenciais série A da Usiminas (USIM5) perderam 2,83% e as ordinárias da CSN (CSNA3), 0,94%.

Além de siderúrgicas e mineradoras, companhias ligadas ao mercado interno e de crescimento também foram destaques entre as quedas do Ibovespa. As ações preferenciais da Alpargatas (ALPA4) perderam 7,66%, as da Méliuz (CASH3), 4,27% e as da Locaweb (LWSA3), 4,07%.

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A curva de juros subiu e, em parte, foi responsável por esses resultados. Os DIs para 2024 ganharam um ponto-base, indo a 12,77%, e os para 2025, seis pontos, a 10,79%. As taxas dos contratos para 2027 e 2029 subiram, respectivamente, 7,5 e sete pontos-base, a 10,23% e 10,57%. Os DIs para 2031 foram a 10,77%, com mais oito pontos.

“Juros aqui sobem de forma discreta acompanhando treasuries lá fora. Investidores estão em compasso de espera para as decisões do Federal Reserve na semana que vem”, debate Leandro Petrokas, diretor de research da Quantzed. “Predominam apostas de alta de 0,25 ponto percentual (99,8% na CME) para a próxima reunião do Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês] no dia 26/07, uma vez que a atividade econômica e o emprego seguem elevados, o que pressiona a inflação”.

Nos Estados Unidos, os treasuries yields para dois anos ganharam 1,7 ponto-base, vindo em uma tendência de alta nos últimos dias.

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Já os índices americanos fecharam em alta, com Dow Jones subindo 0,31%, o S&P 500, 0,24% e o Nasdaq, 0,03%.

“Bolsas americanas reduziram os ganhos da manhã com investidores também cautelosos em relação aos balanços das empresas tech, que serão divulgados em breve. Pela manhã, o otimismo veio com o balanço do Goldman Sachs, que agradou o mercado”, comenta Petrokas.

No mercado de câmbio, também em um dia marcado pela volatilidade, o dólar comercial fechou a quarta-feira em baixa ante o real, com a moeda brasileira sendo favorecida pelo avanço de commodities agrícolas como a soja e o milho nos mercados internacionais, importantes produtos de exportação do Brasil. O dólar comercial fechou em queda de 0,48%, a R$ 4,785 na compra e 4,786 na venda.