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O depoimento do presidente do Fed, Alan Greenspan, ao Senado norte-americano hoje pela manhã foi bem recebido pelo mercado, por dois motivos principais. Em primeiro lugar, deixa aberta a possibilidade de novas reduções nas taxas de juros, pois, segundo Greenspan, o Fed está preparado para agir de forma mais rápida do que no passado, dado que a velocidade de ajuste da economia também aumentou. Além disso, a divulgação de novas projeções do Fed para o crescimento da economia norte-americana apontam uma taxa anual na faixa de 2% a 2,5%, indicando que o Fed não acredita que os EUA entrarão em recessão em 2001.
Greenspan admitiu que a desaceleração econômica na segunda metade de 2000 foi muito mais forte do que inicialmente prevista, sobretudo para os setores de bens duráveis e equipamentos, que em suas palavras “cresciam a taxas que não poderiam ser sustentadas”. A rápida desaceleração ocorreu, de acordo com Greenspan, em função do forte reajuste de estoques ocorrido no período, uma vez que novos sistemas permitem às empresas um controle muito mais eficiente do processo produtivo. Ao observarem um acúmulo de estoques de seus clientes acima do esperado, as empresas rapidamente reduziram a produção, freando de forma substancial o crescimento da economia. Outro fator apontado como responsável pela rápida desaceleração da economia foi o aumento de custos de energia, em função da alta do preço do petróleo.
O presidente do Fed admite que os riscos de desaceleração da economia ainda existem em 2001, sobretudo enquanto durar o período de ajuste de estoques. Porém, deixou claro que, da mesma forma em que os ganhos tecnológicos aumentaram a velocidade de ajuste da economia, o Fed também está preparado para “responder de forma mais agressiva do que ocorrido nas últimas décadas”. Esta nova postura, já observada através dos dois cortes nas taxas de juros efetuados em janeiro – resultando na queda da taxa básica em um ponto percentual para 5,5%, tranqüilizou os mercados e abriu caminho para novas reduções nas taxas caso a economia apresente novos sinais de desaceleração nos próximo meses.
Além das novas previsões do Fed para o crescimento do PIB norte-americano em 2001, que passaram de 3,25% a 3,75% para 2,0% a 2,5%, Greenspan também divulgou as novas estimativas para a taxa de desemprego e inflação. Segundo o Fed, a taxa de desemprego atingirá 4,5% no final do ano, frente a 4,2% atualmente, enquanto a taxa de inflação cairá para 1,75% a 2,25% em 2001, comparado aos 2,5% observados em 2000.
Reagindo às declarações de Greenspan, os índices de ações apresentavam bons ganhos às 13h12, com o Nasdaq Composite subindo 2,35% e o Dow Jones e o S&P 500 registrando altas de 0,42% e 0,93%, respectivamente.