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SÃO PAULO – Com o baque da crise, os resultados de uma das mais tradicionais estratégias de investimento foram postos à prova. O buy and hold, que sugere comprar os ativos e segurar para evitar as instabilidades de curto prazo, trouxe dúvidas no momento em que ações voltaram a patamares de anos atrás. Para alguns dos seguidores desta estratégia, o investimento de anos e anos foi por água abaixo em curto espaço de tempo.
Basicamente, o buy and hold é uma estratégia de longo prazo. Partindo da hipótese de mercados eficientes, de que as informações disponíveis estão embutidas nos preços, é muito difícil para o investidor obter retornos superiores ao mercado.
Sendo assim, a melhor alternativa seria comprar e segurar, para evitar que movimentos aleatórios de curto prazo comprometam o desempenho do portfólio. As crises costumam impor um desafio extra a esta estrutura. Após perdas substanciais, a trajetória para se recuperar os preços se multiplica, ficando refém da capacidade de recuperação.
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Com o buy and hold em xeque, John Coumarianos resolveu, para o portal MorningStar, aplicar a teoria à prática. Tomando por base o mercado norte-americano, o autor verificou os resultados de um portfólio combinado entre ações e títulos de dívida corporativa. Chegou à conclusão que um portfólio balanceado, com 50% de ações e 50% de títulos, foi relativamente bem considerando dois períodos: de 10 anos e dos últimos 20 meses.
Completamente balanceado
Neste 50/50, a parcela das ações é representada pelo índice Standard & Poor’s 500, enquanto a dos títulos é tomada pelo Barclays Capital US Aggregate Bond Index. No acumulado de uma década até o final de agosto deste ano, o portfólio balanceado trouxe retorno acumulado de 38%.
Mesmo com o prejuízo da crise sobre as ações, haja vista que o S&P 500 caiu 7,7% neste período, o índice dos títulos corporativos contribuiu com valorização de 84%, tornando possível o 38% de retorno.
Considerando os últimos 20 meses, que pega exatamente a fase de maior tumulto nos mercados norte-americanos, esta combinação trouxe retorno negativo de 9%. “Se você não consegue suportar uma perda desta, você tem baixa tolerância ao risco e deve reconsiderar se 50% de exposição em ações é razoável para o seu perfil”, afirma Coumarianos.
Alocação moderada
Uma combinação mais arrojada do portfólio, com 60% de exposição a ações e 40% aos títulos de dívida, também trouxe resultados interessantes. Para o mesmo período de 10 anos, este portfólio “mais moderado” rendeu 74%. Por outro lado, nos 20 meses, carrega desvalorização de 15%.
Assim por diante
Dentre estas amostras, a ideia defendida pelo autor é que, respeitando a tolerância de cada um ao risco, um bom ponto de partida é iniciar com um portfólio próximo ao completamente balanceado. A partir daí, a estratégia de buy and hold das ações pode aparecer de maneira mais significativa.
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Isto porque o portfólio balanceado garante, de certa forma, cobertura à ponta ruim, proporcionando relativa manutenção do capital nos períodos negativos às ações, por exemplo. Partindo da estratégia completamente balanceada, o investidor pode adotar o buy and hold quando estiver diante de períodos de maior turbulência, aumentando gradativamente o percentual de exposição às ações nos períodos de queda acentuada dos preços.
Do passo inicial com o portfólio balanceado, esta estratégia levaria os interessados em tomar mais risco, pouco a pouco, a ter uma carteira de alocação mais moderada, e assim por diante.