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A elevação de 0,50 ponto percentual na taxa Selic pelo Copom na última reunião de 21 de março tem grande possibilidade de se repetir na reunião das autoridades monetárias desta quarta-feira. A maioria dos elementos que levaram o Copom a interromper a tendência de queda dos juros continua sem solução, justificando um novo aumento nas taxas, desta vez provavelmente para 16,25%.
Em primeiro lugar, o comportamento da inflação continua decepcionando. Quase todos os índices de preços apresentaram variação acima das expectativas em março, com destaque para o IPCA, que guia as metas inflacionárias do governo. De acordo com este índice, a inflação de março chegou a 0,38%, acima das expectativas de 0,32% dos analistas. Mais do que isso, o acumulado no ano já chega a 1,42% em apenas três meses, frente à meta de 4,0% do governo para o ano todo.
Outra variável importante é a taxa de câmbio. Após a forte valorização do dólar no final do mês passado, vista como temporária por alguns, a moeda norte-americana parece ter achado um novo patamar na faixa entre R$ 2,15 e R$ 2,18. Caso este patamar seja mantido, quase que certamente isso gerará pressões sobre os preços, podendo dificultar ainda mais o cumprimento das metas inflacionárias do governo.
Dos fatores que podem afetar diretamente o câmbio, ao menos dois não devem permitir que a moeda norte-americana retorne a um patamar próximo a R$ 2,00. Por um lado a balança comercial continua apresentando resultados decepcionantes neste início de ano, já acumulando um déficit de US$ 676 milhões até o final de março, bastante superior às expectativas iniciais do mercado. Por outro lado o atraso no cronograma de privatizações, sobretudo no setor elétrico, pode reduzir o fluxo de investimentos estrangeiros diretos, também contribuindo para a manutenção da taxa de câmbio em níveis próximos ao patamar atual.
No que diz respeito ao mercado internacional, a situação também não parece favorável. Apesar dos importantes progressos desde a posse do ex-ministro Domingo Cavallo como “super ministro” na Argentina, o panorama continua delicado no nosso país vizinho. Dado que a influência da situação argentina sobre os títulos da dívida externa brasileira é grande, e alguns destes ativos servem como indicação do “risco Brasil”, uma possível deterioração na situação Argentina traria novos efeitos negativos. Caso isto ocorresse, a remuneração dos títulos brasileiros voltaria a subir, o que impactaria diretamente no nível de taxas de juros interno.
Também a situação dos mercados acionários norte-americanos é preocupante, pois o mercado parece ainda não saber medir exatamente a magnitude dos efeitos da forte desaceleração da economia sobre os resultados das empresas, gerando forte volatilidade. Além do mercado mais instável, a situação atual gera um maior apetite por ativos de menor risco, reduzindo assim a demanda por ativos de países emergentes como o Brasil.
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O Banco Central, monitorando de perto os fatores acima, possivelmente deve tomar a decisão de acompanhar a expectativa do mercado e aumentar a Selic na próxima reunião. Vale lembrar que o contrato de DI futuro com vencimento em maio, hoje apresentando taxas efetivas na faixa de 16,49%, já indica claramente a expectativa de um aumento na Selic entre 0,50 e 0,75 ponto percentual. Desta forma, a manutenção da Selic no patamar atual parece cada vez mais improvável, o que de um lado facilita a tarefa do governo no sentido de cumprir suas metas, porém traz efeitos negativos para o resto da economia, sobretudo no campo fiscal através do aumento do já elevado custo de financiamento da dívida pública.