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SÃO PAULO – Até setembro de 2008, o que se via na economia brasileira era um momento de otimismo. Os índices de emprego e renda apresentavam constantes avanços. A inflação, apesar de representar ameaça constante, resquício do passado, vinha sendo controlada. Setores industriais registravam recordes de produção. O varejo, recordes de vendas. Com isso, os investidores se sentiam mais confortáveis para enfrentar riscos.
Foi então que uma crise, iniciada no mercado imobiliário norte-americano, se mostrou mais global do que se podia imaginar. No Brasil, o primeiro efeito foi a restrição de crédito, sem contar na fuga de investidores e no impacto na confiança do consumidor. Agora, a previsão é de que a economia desacelere, o desemprego bata na porta de alguns brasileiros e, conseqüentemente, a renda diminua.
Diante deste cenário, o investidor deve tomar ainda mais cuidado a cada passo. Afinal, o que se deslumbra é um horizonte de incertezas. Com ações em baixa, falta de crédito imobiliário e queda no preço dos automóveis, fica a dúvida: onde alocar seus recursos diante da crise?
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Ações
O ano de 2008 não foi dos melhores para quem investiu no mercado acionário. “Fechamos com prejuízo grande. Quem entrou perdeu 40%, no mínimo. Um levantamento que fizemos até o dia 30 de dezembro mostrou que, das 346 ações listadas na Bolsa, só 34 fecharam em alta no ano passado”, afirmou o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira.
Quem saiu da Bolsa quando viu o preço das ações caindo, certamente amargou perdas. O número negativo também representa oportunidades, afinal, a regra básica para quem investe na renda variável não é “comprar na baixa e vender na alta”? O final de 2008 foi um período positivo para quem queria conhecer o mercado acionário.
“Para quem está pensando em vender essas ações no final de 2009 ou de 2010, vejo boas oportunidades. Muitos governos estão com esforços para recuperação da economia, que vai ser de maneira mais lenta, porque houve quebra da confiança do investidor”, afirmou Vieira, que acredita que a recuperação deva demorar cerca de dois anos.
Diante de tudo isso, o economista-chefe afirmou que as ações são investimentos rentáveis num momento de crise para quem precisa do dinheiro no longo prazo, uma vez que há tempo para recuperar as perdas. “Com a ação, você está tomando um investimento de longo prazo e, historicamente, isso é bastante rentável”.
Imóveis
Na crise que se apresenta, a rentabilidade dos aluguéis de imóveis pode ser maior do que a de grande parte das ações na Bolsa. Porém, com menos riscos, no longo prazo a modalidade pode não garantir ganhos maiores do que os papéis, desde que estes sejam escolhidos de maneira correta e diversificada.
Um movimento que tem se verificado é que justamente o segmento em que a crise norte-americana estourou, o imobiliário, aqui no Brasil tem abrigado os investidores mais assustados do mercado acionário. Mas isso acontece com grandes investidores. Os imóveis mais buscados são os comerciais, com valores entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões. O rendimento de um imóvel alugado gira em torno de 0,7% de seu valor de venda, superior à caderneta de poupança e alguns fundos de renda fixa.
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“Historicamente, o imóvel representa alternativa segura para investidores. Nos últimos anos, entretanto, houve intensa migração de investimentos para o mercado de capitais, que está passando por um momento de muita volatilidade. Alguns grandes investidores já passaram a buscar alternativas menos arriscadas”, disse a gerente de Locação e Vendas da Lello, Roseli Hernandes.
O problema, nesta modalidade, é a falta de crédito imobiliário, isso para quem pretende contratá-lo para adquirir um imóvel com a finalidade de alugá-lo. “Nos imóveis, vai cair o nível de financiamento, apesar de o governo incentivar esse mercado. Este ano não vai ser bom para as construtoras, então deve retrair um pouco, mesmo porque está havendo aumento das taxas de juros”, ponderou Vieira.
Automóveis
A expectativa da Fenabrave (Federação Nacional de Veículos Automotores) para 2009 é de queda nas vendas de veículos, de 19% em relação a 2008. No total, deverão ser comercializados 2,155 milhões de automóveis e comerciais leves neste ano, contra 2,661 milhões estimados para 2008, que terá um crescimento acumulado de 13% sobre 2007.
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Com isso, os preços devem cair. É por causa da desvalorização do automóvel, que começa quando ele é retirado da concessionária, além de outros gastos e depreciação, que os automóveis não são considerados um investimento. Portanto, podendo ser classificada como uma aquisição de bem de consumo durável, qualquer comparação entre a compra de automóveis com investimentos fica sempre complicada.
Para conseguir algum retorno, é preciso comprá-lo com preço abaixo do mercado e ainda conseguir vendê-lo com rapidez, uma vez que o carro parado exige manutenção.
Dicas
A principal dica dos especialistas aos investidores é ter cautela e prudência diante do cenário de incerteza.
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É preciso buscar mercados que tenham maior liquidez com um retorno menor, mas que sejam mais seguros. “No momento, para quem tem por volta de 55 anos, eu diria para ir para os títulos do tesouro”, afirmou Vieira, da Souza Barros, adicionando que a inflação deve ficar em 4,5% em 2009 e os juros a 13% ao ano, com tendência de alta.
Enfim, depois de analisar a rentabilidade, a principal dica é “não colocar todos os ovos na mesma cesta”, diversificando em risco e modalidades de investimento.