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O choque de juros anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), com a decisão de acelerar a alta da Selic para 1 ponto percentual e praticamente contratar mais dois incrementos na mesma magnitude no início de 2025, deve ajudar na transição de comando do Banco Central.
Na opinião de economistas, a nova diretoria, a ser comandada por Gabriel Galípolo, vai ganhar tempo e começar a trabalhar num ambiente de mais credibilidade enquanto o ajuste está sendo feito.

Economistas classificam recado do Copom sobre novas altas como duro, mas necessário
Ao contrário dos avisos anteriores, a diretoria do BC voltou a sinalizar a tendência futura e praticamente antecipou duas novas altas da mesma magnitude no início de 2025; Selic pode ir a até 15% em maio

Copom acelera ritmo, sobe Selic para 12,25% e prevê mais 2 altas de 1 ponto
Copom comentou que os desafios do cenário mais recente exigem uma política monetária ainda mais contracionista e optou por realizar um ajuste de maior magnitude
Segundo o chefe de economia para Brasil e de estratégia para América Latina do BofA, David Beker, a entrega do bastão com o novo cenário mais restritivo ajuda na transição, “de sair de um cenário Roberto Campos Neto para um cenário de Galípolo.

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Mas ele disse que será preciso esperar um tempo até que a ancoragem das expectativas de inflação, que é um processo que não acontece de uma hora para outra. “Tem que dar tempo ao tempo. Em qual nível vai ser ancoragem é difícil de saber”, comenta.
Para Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, o movimento agressivo do BC teve dois objetivos: o primeiro foi dar um choque de credibilidade, mostrando que o BC vai fazer de tudo para trazer a inflação para a meta, independentemente da postura fiscal do governo. “Seria o ‘whatever it takes’ 2 do nosso BC, comenta, citando uma expressão muito usada pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell.
O segundo objetivo é dirimir as dúvidas com relação à postura do BC quando da mudança da sua diretoria e, principalmente, do seu presidente. “Já temos contratada uma Selic a, no mínimo, 14,25% a.a.. Pode subir mais? Pode. Os nossos cálculos, com o dólar acima de R$ 6,00 e as expectativas de inflação desancoradas como estão, poderia chegar próximo de 17,00% a.a..”, estima.
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Mas ele pondera que a estratégia do choque só funciona se tiver impacto sobre as expectativas do mercado, causando um círculo virtuoso, onde o real se aprecia frente ao dólar e as taxas da parte longa da curva de juros futuros caem.
Na opinião de Luis Cezario, economista chefe da Asset 1, a sinalização foi positiva, porque mostrou a disposição do comitê de levar a Taxa Selic mais rapidamente para um patamar suficientemente contracionista.
“Além disso, entendemos que a comunicação adotada facilita a transição no banco central ao indicar o novo presidente do Banco Central dará continuidade à estratégia definida na última reunião comandada pelo atual presidente da autarquia.”
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Apesar de considerar que o Copom agiu corretamente ao ser mais hawkish nesta quarta-feira, Alexandre Espirito Santo, coordenador de economia e finanças da ESPM e economista da Way Investimentos, lembra que controlar as expectativas é uma tarefa dificílima nesse momento e colocará os holofotes sobre o novo Copom, que assume a partir de janeiro.
“Os mercados cobrarão a devida autonomia da instituição para a consecução da meta, como, aliás, ficou subentendido no comunicado de hoje”, afirma
O planejador financeiro Idean Alves, acredita que, nas próximas reuniões, com Gabriel Galípolo na presidência do BC, o Copom deve continuar vigilante, e com menor apetite a alta de juros, se a inflação assim permitir.
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Para ele, há uma grande interrogação se Galípolo vai manter o pulso firme assim como Campos Neto. “Mas a história recente da década passada e do pós-pandemia mostra que a inflação é o inimigo global do século até aqui, e que se não for combatida com o remédio amargo da alta de juros, haverá nos próximos anos mais renda circulando, porém com menos poder de compra, o famoso ‘ganha mais não leva’, o qual terá um impacto grande sobre a classe baixa e a classe média no geral.”