Publicidade
SÃO PAULO – Não seria bom se você pudesse comprar um carro sem ter que pagar tantos juros sobre as parcelas? E que tal dividir o pagamento em até 60 meses? Pois saiba que isto é possível, sim. Comprar um automóvel ou uma moto, por meio de consórcio, ainda é uma boa saída para quem não dispõe de muitos recursos ou não quer gastar muito dinheiro com parcelas elevadas.
Pressa é inimiga do consórcio
Antes de entrar em uma análise mais detalhada dos custos de se financiar um carro ou de comprá-lo de forma programada através de um consórcio, é preciso entender que existe uma diferença ainda mais importante entre as duas opções: o prazo de recebimento do veículo.
Por mais que as operadoras de consórcios tentem “vender” a idéia de que boa parte das pessoas é sorteada logo no início, existe o risco de você só ser sorteado ao final do prazo de duração do consórcio. Em outras palavras: assumindo que os consórcios de veículos duram, em média, entre 36 e 60 meses, este pode ser o tempo que você terá que esperar para sair guiando o carro dos seus sonhos.
Continua depois da publicidade
Neste contexto, o consórcio é recomendado para quem não tem pressa, ou seja, já tem um carro e está planejando a sua troca. No consórcio o consumidor pode se programar, começar a pagar as prestações e, quando for contemplado, trocar o veículo.
Atenção na assinatura do contrato
Mas o primordial para a pessoa que quer começar a participar de um grupo de consórcio é ter certeza de onde está colocando os pés. Para isso, é importante ficar atento às regras e ler com cuidado o regulamento do grupo no qual pretende entrar.
Nele devem constar informações como prazo máximo, número de participantes, critério definido de como será o sorteio em lance e a discriminação das taxas cobradas, assim como procedimentos em caso de inadimplência. Afinal, você precisa saber o que acontece com as suas prestações, caso algum participante atrase os pagamentos.
De maneira geral, nunca aceite participar de um consórcio sem antes checar junto ao Banco Central (BC), que é o órgão que regulamenta o setor, se a administradora do consórcio em questão está autorizada a funcionar e formar novos grupos.
Comparar custos exige cautela
O grande apelo dos consórcios é de que não são cobrados juros. Mas, como você verá a seguir, é preciso cuidado com esta afirmação. Como ressalta a presidente da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio), Consuelo Amorim, “em alguns consórcios as taxas de administração cobradas são tão elevadas, que acabam tornando a opção pelo consórcio pouco atrativa”.
Nos financiamentos, a análise é relativamente fácil. Segundo a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a taxa média mensal cobrada nos financiamentos de veículos está em 3,22% para o mês de fevereiro (2007). Entretanto, ela pode ser menor, já que o levantamento da entidade leva em conta também o financiamento de usados, cujas taxas de juros são mais elevadas.
Continua depois da publicidade
A disparidade nas taxas em geral reflete a parcela que é dada de entrada; quanto maior ela for, menor tende ser a taxa de juro, e vice-versa. Assim, quem financia apenas 50% do veículo pode conseguir taxas mais baixas, mas para quem dá uma entrada de apenas 20%, a taxa tende a ser mais alta.
Mas, e no consórcio, como funciona? A primeira coisa que se deve esclarecer é que, ao contrário do que muitos imaginam, existem outros custos além da taxa de administração. Em primeiro lugar é preciso reservar uma quantia todos os meses para a compra do bem, que é destinada ao chamado fundo comum. Além disso, algumas administradoras exigem uma contribuição extra a um fundo de emergência, equivalente a algo como 5-10% do valor do fundo comum.
Vamos ilustrar o exemplo de um consórcio de duração de 60 meses, que tem como objetivo a formação de um fundo comum equivalente a 100% do valor do bem e um fundo de reserva de 5% deste valor. Tomando como base os dados do Banco Central, pode-se assumir uma taxa de administração de 12,27%, que é a média cobrada nos consórcios de veículos novos nacionais.
Continua depois da publicidade
Neste caso, a prestação do consórcio deve ser calculada como sendo 1,95% do valor do bem (ou 100%+5%+12,27%= 117,27%/60 meses). Porém, se o prazo do consórcio for de apenas 36 meses, então a taxa mensal será de 3,26% (ou 117,27%/36).
Decisão depende do seu objetivo
Contudo, não se pode esquecer que, enquanto no financiamento a prestação é função da evolução do saldo devedor, no consórcio ela é função do valor do bem, que tende a crescer a uma taxa bem menos acentuada.
Diante disso, pode-se constatar que a escolha entre consórcio e financiamento é mais difícil do que parece em um primeiro momento, pois envolve, além de uma análise detalhada dos custos, o seu planejamento individual. Para quem não tem paciência de esperar pelo sorteio, o consórcio, mesmo envolvendo custos menores, pode não ser interessante. Por outro lado, quem tem quantia suficiente para arcar com metade do valor do carro, pode encontrar opções mais interessantes no financiamento.