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Economia em Pílula – uma dose de economia no seu dia | por Pedro Lula Mota
Um dos fatores mais evidentes de que regredimos anos ou décadas em nossa história é o tipo debate econômico atual. Há pouco tempo o debate era se cresceríamos a 3% ou 4% ao ano, se o índice Ibovespa romperia os 100mil pontos, níveis civilizados de taxas de juros e inflação e quantas linhas férreas poderiam ser construídas. Até então achávamos que tínhamos feito a lição de casa, mas o jogo virou (por motivos que já discutimos muitas vezes por aqui).
Atualmente o debate é dominado apenas por questões fiscais, ajuste fiscal, déficit público, contas públicas, inflação e outros temas do dinheiro público, nada muito diferente do que existia no ambiente pré-Plano Real e anos 80. Não é por menos, a situação fiscal é muito delicada e exige além de medidas de ajuste fiscal de curto prazo, reformas estruturais que já vem sendo sinalizadas há tempos e que se afloraram em sua forma mais cristalina no último ano.
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Porém, o nosso futuro foi penhorado.
Observando a tabela abaixo, mesmo em um cenário relativamente otimista, em que a economia saia da recessão em 2017 e comece a crescer moderadamente (cerca de 2% ao ano), a relação dívida bruta/PIB, subirá para 85% no final de 2019. Existem outros cenários mais otimistas ou catastróficos. Contudo, a economia precisará crescer a taxas chinesas para conseguir estabilizar sua dívida nos próximos anos, hipótese que não parece ser muito crível diante do cenário atual.
Economistas mais esotéricos são veementemente contra políticas de austeridade, alegando que com a retomada da atividade econômica, a arrecadação irá aumentar por ser cíclica e o superávit se elevar. Porém, segundo as projeções, essa ideia já não será mais suficiente para fecharmos a conta da festa.
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E não esse trata de ser pessimista, as tabelas buscam apenas dimensionar o tamanho do nosso buraco nos diversos cenários, a realidade se impõe. Não resta dúvida de que a dívida pública brasileira está em trajetória explosiva, o desafio é saber qual será a inclinação dessa trajetória nos próximos anos.
Serão necessários superávits enormes para estabilizarmos a dívida, ao custo de contenção de gastos, aprovação de reformas e fim de privilégios. Além de um amplo acordo político e conscientização da sociedade, pois haverá resistências às medidas necessárias, tanto no meio empresarial quanto em segmentos da população.
Caso contrário, basta apenas a percepção de insolvência da dívida pública para um desastre ainda maior se desenhar, e o nosso futuro além de já penhorado, será levado à bancarrota.
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Nota: Projeções são baseadas nos relatórios elaborados pelo Credit Suisse.
Para consulta-los: https://br.credit-suisse.com/site/publico/relatorios_analises/relatorios.seam



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