Impeachment! O dia seguinte…

O que acontecerá com o Brasil se ocorrer o Impeachment? E o que aconteceria se não ocorresse? Hoje o blog do Terraço Econômico elabora uma análise sobre os dois cenários.

Terraço Econômico

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“Às vezes, a melhor maneira de esclarecer algumas coisas é incitar algumas dúvidas nas pessoas”

O dia seguinte depois do impeachment…

Estamos no feriado de 15 de novembro de 2015, a pouco mais de dois meses para o natal e o país já sente no dia a dia os sinais da recessão. Com o dólar a R$ 4,20, aqueles brasileiros que pela primeira vez iriam viajar ao exterior para passar as festas de final de ano, começam a rever os seus planos. A inflação acumulada de 12 meses atingindo 10,5% também mostra que o presente das crianças este ano vai ser menor. Por fim, a taxa Selic, que teve uma alta para 16% a fim de evitar uma desvalorização maior do dólar após o impeachment da presidente Dilma, também dificulta as compras a prazo dos brasileiros.

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Sabendo dessa difícil situação que vive o país, o recém-empossado presidente do Brasil, Michel Temer, fará um discurso em rede nacional a fim de acalmar o ânimo dos mercados e principalmente da população, que parece não ter se contentado com apenas um impeachment.

Isso porque, após a queda da presidente Dilma em 20 de outubro – data da quarta manifestação após a onda que se iniciou em 15 de março – os cortes de investimentos e as demissões em massa se intensificaram. O desemprego atingiu a marca de 10% e os presidentes das multinacionais que estão deixando o país justificam este caos em uma única frase: “o Brasil não é mais um país política e economicamente estável, não podemos nos dar o luxo de investir em países em que não sabemos quem será o presidente amanhã”

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5 presidentes do Brasil – De todos eles, apenas Sarney não teve risco de impeachment

 

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O dia seguinte depois do não impeachment…

Estamos em Fevereiro de 2025. O único impeachment na história da democracia brasileira foi o de Fernando Collor. Collor que agora é ministro da Casa Civil e comenta o novo recorde do Brasil. O país acaba de assumir a liderança no ranking mundial de corrupção da ONG International Transparency. Collor é enfático ao dizer: “Temos que ver a quem atende os interesses desses órgãos, não podemos confiar em qualquer ranking que vemos por aí, estamos combatendo a corrupção dia após dia”.

A publicação do ranking veio bem a calhar com a nova matéria da Revista Veja – que hoje em dia possui mais de 30 seguranças na sua entrada para evitar que seus funcionários sejam agredidos e sua fachada seja apedrejada. O mais novo caso de corrupção do país, o BNDESão – que envolve casos de propina para empréstimos do BNDES – está movimentando o congresso. Há quem defenda que a presidente do país, Roseana Sarney, sabia do caso, há quem diga que não se pode provar nada. Fato é que a sensação “no Brasil pode tudo que não dá em nada” está cada dia maior. Alguns inclusive dizem ter ouvido de políticos envolvidos “aqui não tem problema, em 2005 não teve impeachment de Lula, em 2015 não teve da Dilma, porque agora iria ter?”.

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Grupos que se articulam para manifestações são chamados de golpistas enquanto membros da base governista diz que o Brasil é uma democracia jovem de apenas 40 anos e que o povo não aguentaria, neste momento, um processo de impeachment…

Elucubrações a parte, felizmente essas são apenas reflexões exageradas (será?)… porém é um cenário bem possível caso a presidente Dilma realmente sofra um impeachment ou caso o povo opte pela inação. Para aqueles que são a favor do impeachment um alerta: “cuidado com aquilo que se deseja”. Para os que são contrários ao impeachment, devemos ter em mente que não tomar nenhuma ação é por si só tomar uma ação.

A favor ou contra o impeachment da presidente Dilma, temos que refletir nas consequências das nossas vontades e no dia depois de amanhã, ele pode ser diferentes do que imaginávamos…

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“Como uma multidão cega, que frequentemente não sabe o que quer, porque raramente sabe o que é bom para ela, levaria a cabo por si mesma uma empreitada tão grande e tão difícil quanto um sistema de legislação?O povo, por ele próprio, quer sempre o bem, mas, por ele próprio, nem sempre o conhece”
(Rousseau 1.772)

Por Leonardo de Siqueira Lima*

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Terraço Econômico

O Terraço Econômico é um espaço para discussão de assuntos que afetam nosso cotidiano, sempre com uma análise aprofundada (e irreverente) visando entender quais são as implicações dos mais importantes eventos econômicos, políticos e sociais no Brasil e no mundo. A equipe heterogênea possui desde economistas com mestrados até estudantes de economia. O Terraço é composto por: Alípio Ferreira Cantisani, Arthur Solowiejczyk, Lara Siqueira de Oliveira, Leonardo de Siqueira Lima, Leonardo Palhuca, Victor Candido e Victor Wong.