Estava fácil prever o futuro do Brasil em 2013

Em agosto de 2013, Leonardo De Siqueira Lima, editor do Terraço Econômico, em um momento Nouriel Roubini tupiniquim arriscou algumas previsões e esperava o pior para a economia brasileira. Ele acertou?

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Terraço Econômico | Por Leonardo de Siqueira Lima

As previsões são difíceis, sobretudo quando dizem respeito ao futuro, já dizia o ex presidente francês Jacques Chirac. Portanto não é nossa coisa favorita fazer o papel de Mãe Dináh, Mick Jagger, Polvo Paul ou Nouriel Roubini (O doutor Apocalipse). Mas parece que essa projeção aqui estava fácil, quando foi feita em agosto de 2013 no artigo chamado “A crise ainda nem chegou e o pior ainda está por vir!”. Veja o texto na integra:


Protestos e greves pelas ruas, crescimento sendo revisado para baixo a cada dia, popularidade da presidente despencando, rebaixamento de nota de dívida pela Fitch e o índice Bovespa atingindo o menor nível em quatro anos…

O Brasil vem apresentando um grande problema nos últimos anos, baixo crescimento e inflação elevada. O chamado voo de galinha já é responsável por fazer o governo Dilma apresentar um crescimento médio do PIB de apenas 1,8% e inflação de 6,2%. Sim, o pior desempenho desde o governo Collor…

Diante desse tenebroso cenário, fica uma pergunta: existe saída para se livrar dessa maldição que o assombra o Brasil há anos?

Sim, e os economistas, pelo menos dessa, parecem ter um consenso para solucionar: é necessário um ajuste fiscal urgente para combater a inflação!

A notícia triste é que já sabemos que esse ajuste não será feito… Reduzir gastos do governo significaria no curto prazo, desaquecer a economia. Tarefa indigesta já que amargamos um crescimento de 0,9% em 2012. As projeções também não nos dão motivos para animar: para 2013 e 2014 espera-se um crescimento do PIB de apenas 2%.

Além disso, não podemos esquecer que o governo já entrou em campanha eleitoral e medidas impopulares como corte de gastos não parecem ser politicamente viáveis nas atuais circunstâncias. Dessa maneira abre-se espaço para outras medidas menos impopulares como um aumento significativo dos juros, dessa vez para a casa dos dois dígitos.

O problema nessa segunda alternativa é que com juros maiores, o custo de captação das empresas aumenta e diversos investimentos deixam de ser viáveis. Investimentos esses que são extremamente importantes para melhorar a infraestrutura do país.

Para piorar, o cenário de baixo crescimento acabará desaquecendo o mercado de trabalho e direciona o país para uma situação das mais críticas: inflação alta, baixo crescimento e aumento do desemprego.

Ou se faz esse ajuste, ou podemos afirmar sem sombra de dúvidas que a crise ainda nem chegou e o pior está por vir. Se o governo continuar postergando a necessidade de reforma para depois das eleições em 2015, essa conta chegará com juros e correção monetária para toda sociedade. Nós não somos a prova de crise!


A pergunta que não quer calar. O Terraço Nouriel Roubini acertou em seus palpites?

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Como gostamos mais de números do que bons discursos responderemos apenas com um gráfico, que compara a situação do país em 2013 e a situação que estamos hoje. Afinal, tem ou não tem crise?

Sem título

Selic 2015: Selic atual, da última reunião do COPOM em 29 de julho.
PIB 2015: Expectativa para 2015, segundo o boletim focus do Banco Central.
Inflação 2015: Inflação dos últimos 12 meses acumulada, segundo IBGE.
Dólar 2015: Dólar comercial em 31 de agosto de 2015.

leo

 
Obs: O artigo original foi publicado em 03/08/2013, e pode ser acessado pelo seguinte link:
http://carodinheiro.blogfolha.uol.com.br/2013/08/03/a-crise-ainda-nem-chegou-e-o-pior-ainda-esta-por-vir/

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