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Aeroporto de Congonhas, São Paulo. Creio que foi em 1992. O comandante Rolim Amaro, dono e fundador da TAM, espera os jornalistas na entrada do avião. Era a primeira vez que eu voava com um Fokker 100. Era a estreia da ponte aérea Rio São Paulo com um aparelho moderno, silencioso e muito confortável: o holandês Fokker 100. Terminava a era dos saudosos “Electras” que fizeram história na aviação comercial brasileira. Cobria a tão aguardada estreia dos jatos pela TV Globo. A bordo, dezenas de jornalistas, morangos, champanhe e o divertido Comandante Rolim.
Chamo do jeito que eu quiser…
Nesta semana, novamente a bordo de um Fokker 100, a cena se repete. O avião é o mesmo. As circunstâncias, embora diferentes, também anunciam o fim de mais uma era. “Quando recebemos nossos primeiros aparelhos , os apelidamos de MK28. Eram, na verdade, Fokker 100, dispara José Eframovich, presidente da Avianca. E por que, pergunta um jornalista, chamam os Fokker 100 de MK 28? “Por que os aviões são nossos e chamamos eles do jeito que a gente quiser”.
Sai de cena um gigante discreto!
Brincalhão, turbinado, irrequieto, Eframovich, no papel de comissário de bordo, vai descrevendo a trajetória da empresa que se mistura a dos jatos MK 28: “Desde 2006, as 14 aeronaves MK-28 da Avianca realizaram aproximadamente 240 mil horas de voo em187 mil voos. Transportaram 12 milhões de passageiros!” Emocionado, o incansável comissário-presidente da Avianca, continua: “São cerca de 30% mais eficientes e 50% mais silenciosos que seu antecessor, o F28 Fellowship (1967). Das 278 aeronaves fabricadas, cerca de 146 ainda estão em operação em 30 empresas diferentes ao redor do mundo.”
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Gadjet antigo
Na contramão da crise, a Avianca voa com alguma turbulência mas, ao que tudo indica, em velocidade de cruzeiro. “Após dois anos, concluímos a renovação da frota e passamos a operar com os aviões mais novos do mercado doméstico, garante o vice-presidente comercial e de marketing, Tarcísio Gargioni. Discreto porém ativo, Gargioni é, a exemplo de Eframovich, aquele tipo de executivo que coloca a mão no manche, digo, na massa! “Somente neste ano, recebemos oito Airbus 320 que substituirão os queridos MK28. A decisão foi estratégica, pois os novos aparelhos trarão uma economia de quase 30 por cento”, completa. Em tempos de dólar alto e economia em rota de colisão político-econômica, trata-se de uma medida mais do que necessária.
Mais conforto, menos desperdício
No último voo do F100, digo, do MK-28, pelos céus de São Paulo, não consegui deixar de sentir uma saudade gostosa. É como se desfazer daquele carro antigo, companheiro, confiável, porém que gasta muito e está tecnologicamente ultrapassado. É a vida! Com os novos Airbus 320 a capacidade da Avianca sobe dos atuais 100 passageiros transportados na ponte aérea pelos “vôvoos” MK28, para 162 passageiros. Passageiros que ganham em tecnologia, com sistemas individuais de entretenimento e outros mimos. Ganha o meio ambiente com aparelhos mais eficientes e menos poluidores. E “la nave va” como diria Felini!
“Mudernos”…
Modernidades necessárias? Óbvio! Mas quem não se lembra dos áureos tempos da Varig, com seus talheres de prata, bebida à vontade e aquelas “aeromoças” chiquérrimas? Saudosismo à parte, fica um consolo e um elogio pessoal. No meio da aridez das barrinhas de cereais, a “irrequieta” Avianca é um oásis nos céus. Serve comida quentinha, tem comissárias de bordo escolhidas a dedo, se esforça em primar pela pontualidade e ainda serve bebidas! Elogios à parte, um pedido pessoal: Eframovich e Tarcísio: por favor, continuem metendo a mão no manche, ops!
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Paulo Panayotis, Mirian Petrone, Pres. Abr | Crédito: Paulo Panayots
FOKKER 100 apelidado de MK28 pela Avianca | Crédito: Paulo Panayots
Charme e elegância no embarque no último do MK28 em Congonhas, SP voo| Crédito: Paulo Panayots
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José Eframovich, o presidente comissário | Crédito: Paulo Panayots
Diretoria da AVIANCA comemora o final de um ciclo e a frota mais nova do mercado doméstico durante voo | Crédito: Paulo Panayots
Jornalistas brindam durante último voo do jato que revolucionou o mercado doméstico brasileiro | Crédito: Paulo Panayots
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ista do Guarujá durante último voo do MK28 | Crédito: Paulo Panayots
Bombeiros jogam água no MK28 durante o pouso em homenagem tradicional na aviação | Crédito: Paulo Panayots