O primeiro MK28 a gente nunca esquece

Já ouviu falar de obsolescência programada? É algo inventado pela indústria que não permite que você fique com aquele carro mais velho que tanto gosta, aquele primeiro celular com o qual você já se acostumou, aquele eletrônico já meio fora de forma. Sim. Tudo muda, seja em pequenos "gadjets" seja na indíustria aeronáutica. Nesta semana aconteceu isto com um dos mais modernos - e já ultrapassados - jatos já fabricados até hoje... C`est la vie?

Paulo Panayotis

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Aeroporto de Congonhas, São Paulo. Creio que foi em  1992. O comandante Rolim Amaro, dono e fundador da TAM, espera os jornalistas na entrada do avião.  Era a primeira vez que eu voava com um Fokker 100. Era a estreia da ponte aérea Rio São Paulo com um aparelho moderno, silencioso e muito confortável: o holandês Fokker 100. Terminava a era dos  saudosos “Electras” que fizeram história na aviação comercial brasileira. Cobria a tão aguardada estreia dos jatos pela TV Globo. A bordo, dezenas de jornalistas, morangos, champanhe e o divertido Comandante Rolim. 

Chamo do jeito que eu quiser…
Nesta semana, novamente a bordo de um Fokker 100, a cena se repete. O avião é o mesmo. As circunstâncias, embora diferentes, também anunciam o fim de mais uma era. “Quando recebemos nossos primeiros aparelhos , os apelidamos de MK28. Eram, na verdade, Fokker 100, dispara José Eframovich, presidente da Avianca. E por que, pergunta um jornalista, chamam os Fokker 100 de MK 28? “Por que os aviões são nossos e chamamos eles do jeito que a gente quiser”.

Sai de cena um gigante discreto!
Brincalhão, turbinado, irrequieto, Eframovich, no papel de comissário de bordo, vai descrevendo a trajetória da empresa que se mistura a dos jatos MK 28: “Desde 2006, as 14 aeronaves MK-28 da Avianca realizaram aproximadamente 240 mil horas de voo  em187 mil voos. Transportaram 12 milhões de passageiros!” Emocionado, o incansável comissário-presidente da Avianca, continua: “São cerca de 30% mais eficientes e 50% mais silenciosos que seu antecessor, o F28 Fellowship (1967). Das 278 aeronaves fabricadas, cerca de 146 ainda estão em operação em 30 empresas diferentes ao redor do mundo.”

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Gadjet antigo
Na contramão da crise, a Avianca voa com alguma turbulência mas, ao que tudo indica, em velocidade de cruzeiro. “Após dois anos, concluímos a renovação da frota e passamos a operar com os aviões mais novos do mercado doméstico, garante o vice-presidente comercial e de marketing, Tarcísio Gargioni. Discreto porém ativo, Gargioni é, a exemplo de Eframovich,  aquele tipo de executivo que coloca a mão no manche, digo, na massa! “Somente neste ano, recebemos oito Airbus 320 que substituirão os queridos MK28. A decisão foi estratégica, pois os novos aparelhos trarão uma economia de quase 30 por cento”, completa. Em tempos de dólar alto e economia em rota de colisão político-econômica, trata-se de uma medida mais do que necessária.

Mais conforto, menos desperdício
No último voo do F100, digo, do MK-28, pelos céus de São Paulo, não consegui deixar de sentir uma saudade gostosa. É como se desfazer daquele carro antigo, companheiro, confiável, porém que gasta muito e está tecnologicamente ultrapassado. É a vida! Com os novos Airbus 320 a capacidade da Avianca sobe dos atuais 100 passageiros transportados na ponte aérea pelos “vôvoos” MK28, para 162 passageiros. Passageiros que ganham  em tecnologia, com sistemas individuais de entretenimento e outros mimos. Ganha o meio ambiente com aparelhos  mais eficientes e menos poluidores. E “la nave va” como diria Felini!

“Mudernos”…
 Modernidades necessárias? Óbvio! Mas quem não se lembra dos áureos tempos da Varig, com seus talheres de prata, bebida à vontade e aquelas “aeromoças” chiquérrimas? Saudosismo à parte, fica um consolo e um elogio pessoal. No meio da aridez das barrinhas de cereais, a “irrequieta” Avianca é um oásis nos céus. Serve comida quentinha, tem comissárias de bordo escolhidas a dedo,  se esforça em primar pela pontualidade e ainda serve bebidas! Elogios à parte, um pedido pessoal: Eframovich e Tarcísio: por favor, continuem metendo a mão no manche, ops!

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Paulo Panayotis, Mirian Petrone, Pres. Abr | Crédito: Paulo Panayots


FOKKER 100 apelidado de MK28 pela Avianca | Crédito: Paulo Panayots


Charme e elegância no embarque no último do MK28 em Congonhas, SP voo| Crédito: Paulo Panayots

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José Eframovich, o presidente comissário | Crédito: Paulo Panayots


Diretoria da AVIANCA comemora o final de um ciclo e a frota mais nova do mercado doméstico durante voo | Crédito: Paulo Panayots


Jornalistas brindam durante último voo do jato que revolucionou o mercado doméstico brasileiro | Crédito: Paulo Panayots

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ista do Guarujá durante último voo do MK28 | Crédito: Paulo Panayots


Bombeiros jogam água no MK28 durante o pouso em homenagem tradicional na aviação | Crédito: Paulo Panayots

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