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Desembarquei no aeroporto de Menara, no início da manhã de uma quinta-feira. Pequeno, o aeroporto internacional de Marrakesh mais parecia o aeroclube de São Paulo. Mas o calor e as montanhas Atlas, ao longe, me lembravam do contrário: estava no Marrrocos. De colonização francesa e orientação muçulmana, Marrakesh me fascinou desde o primeiro instante. Um táxi me levou direto ao “Riad”Julia (o equivalente à uma boa pousada no Brasil).
Um filme pela janela
Pelas janelas da velha Mercedes Benz cenas de filme: camelos, cordeiros, mulheres com véus (burcas) encobrindo rostos, homens fumando narguilés (cigarros típicos com filtro à base de água), ambulantes, crianças, crianças, crianças, enfim, estava fascinado! Dez minutos de corrida e o táxi estaciona ao lado de um grande muro, a medina! “ É aqui”, balbucia o motorista em um dialeto que lembrava o inglês.
– Onde? pensei, mas não ousei perguntar.
Paguei. Desci. Peguei as malas e refleti : “Dancei!”. Explico.Fechei a estadia em Marrakesh diretamente de um site de turismo. Nesta época morava em Londres. O Riad (pousada) Julia surgiu como uma excelente relação custo benefício. Dezenas de pessoas haviam qualificado o lugar como fantástico, ótimo!E cá estava: malas na mão, dinheiro no bolso, nervos no ar! Um “guia que, pretensamente também trabalhava no hotel, me esperava: – “Por aqui”, diz ele, em um inglês menos árabe.
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É hoje!!!
E saio seguindo o guia. Ele, com minhas malas. Eu, atrás, com meu receio ocidental. E as ruas ficando cada vez mais estreitas, sorrateiras. E o receio se transformando em medo, começando a incomodar. Continuo em frente. Bravamente, penso: “– É hoje. Vai me esfaquear, roubar e entregar aos cães”. – Chegamos, diz meu esquálido guia! Onde, meu Deus, digo, meus Deuses, onde chegamos ? Uma pequena porta nos mirava ao final de uma rua de pedras com casas tão escuras e assustadoras que quase saí correndo.
Um Paraíso atrás da porta! Abri. Entrei. E me deslumbrei. Do lado de dentro, um oásis em meio ao purgatório! Em uma construção quadrada, com uma fonte de água fresca ao centro, estava meu Riad ! Belíssimo! Um alento de estética e frescor !Meus quatro dias em Marrakesh foram espetaculares… tanto dentro do “Riad” quanto pelas ruas da cidade… Ao longe, as montanhas Atlas me observavam… De noite, os mercadores das montanhas desciam para vender seus produtos, beber e pagar por mulheres… serviços que dificilmente encontram por lá, pelas montanhas…
Mas este é outro artigo…
Por enquanto, basta saber que foi em Marrakesh que provei uma das melhores (e a única) cabeça de cordeiro de minha vida. Difícil mesmo foi mirar aqueles olhinhos miúdos me encarando…
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Pátio Central do Riad Julia, em Marra | Crédito: PAULO PANAYOTIS
Cabeça de cordeiro muito apreciada | Crédito: PAULO PANAYOTIS
Aeroporto de Menara – Marrakesh, Marrocos | Crédito: PAULO PANAYOTIS