Perto da eleição, Câmara resiste a votar Previdência

Falta de votos e vontade crescente do Congresso de virar a página e enfrentar outros assuntos reduzem chance de aprovação da reforma.

Victor Scalet

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Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados, durante pronunciamento do Presidente Temer. Foto José Cruz/Agência Brasil
Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados, durante pronunciamento do Presidente Temer. Foto José Cruz/Agência Brasil

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O Congresso volta do recesso com uma perspectiva muito reduzida de aprovação da reforma da Previdência. Como consequência da campanha de mídia do governo, os deputados encontraram durante o recesso uma resistência à proposta menor que a esperada em suas bases – mas isso ainda não se traduziu em votos e muito depende do reinício dos trabalhos.

 Conversamos com ministros do Planalto e representantes de bancadas do PMDB, DEM, PSDB, PSD, PP, PR e SD. Enquanto a contagem de 275 votos é vista com ceticismo até por parte da equipe de articulação política do governo, ante os 308 necessários. Há disposição de que a página da Previdência seja virada até fevereiro para que outros temas possam entrar na pauta do Congresso.

 Uma alternativa seria uma votação no estilo “tudo ou nada”, mas a estratégia esbarra na indisposição de Maia de forçar os deputados a tomar posição sem certeza de aprovação. Maia, apesar de se apresentar como pré-candidato ao Planalto, tem como principal caminho a reeleição à presidência da Câmara. Constranger seu colégio eleitoral a se posicionar sobre a Previdência às vésperas da eleição de outubro não parece ser um caminho considerado pelo deputado.

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 Sem grande pressão de preços de mercado, que já consideram diminuta a probabilidade de aprovação da reforma, a boa nova é que a virada do ano traz um orçamento novo com mais de R$ 11 bilhões em emendas que, apesar de impositivas, têm o momento da liberação a critério do Executivo.

 Para os deputados, uma emenda empenhada antes da eleição faz muita diferença, em especial em um pleito que será marcado pela falta generalizada de recursos. O Executivo certamente usará essa carta para tentar amealhar votos.

 Por enquanto o Planalto vai continuar dizendo que acredita na aprovação da reforma, mas ponderando as condições atuais acreditamos que hoje a maior probabilidade é de que a PEC da previdência não seja levada para apreciação da Câmara.

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Victor Scalet

É analista político e estrategista macro da XP Investimentos, responsável pela pesquisa XP/Ipespe. É mestre em economia e, antes de se juntar à XP, trabalhou por sete anos na área econômica de instituições financeiras.