Lula ministro?

Análise sobre a possível entrada de Lula para o ministério de Dilma Rousseff como última cartada política do governo

Richard Back

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BRASÍLIA – Dilma e Lula – PT a reboque – se encontraram na semana passada. Na pauta: um ministério para Lula. Um importante deputado governista nos disse que, se aceitar, Lula iria para a Casa Civil e Jaques Wagner seria deslocado para a Justiça.

Seria a última cartada política do governo para sobreviver.

Acontece que Lula, mesmo com forte pressão do PT, não raciocina assim. Animal político que é, ele calcula que ir para o governo seria atrelar mais ainda seu destino ao de Dilma. Ou seja: Ou se salvariam juntos, ou cairiam juntos. Lula sabe que ainda tem capital político, e que um eventual governo Temer estaria disposto e necessitaria de diálogo com ele, que aí encontraria a formula para se salvar, ao seu legado e ao PT.

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Mas Lula pode ser convencido, o argumento de que sendo ministro ele sairia das mãos de Sérgio Moro tem bastante valor.

No meio político governista de Brasília tem boa aceitação a possibilidade de Lula no governo. A reclamação geral é que o governo está paralisado e não tem um ministro que passe credibilidade e cumpra os acordos feitos sem ser desautorizado por Dilma. Parlamentares acreditam que Lula emprestaria prestígio, faria as negociações necessárias para que o governo saísse do cerco em que se encontra, e conseguiria construir uma agenda de governabilidade. É fato que Lula ainda tem muita ascendência sobre o universo político aqui no planalto central.

Em Lula aceitando a oferta de ser ministro, resta saber duas coisas: Seria uma interdição de Dilma, uma “renúncia interna”, ou ele iria apenas para se livrar de Moro. Se Lula for pela segunda razão implicaria em dar sobrevida curta a um governo sem rumo nem agenda, e com prazo de validade que terminaria antes de 2018 – com ele afundando junto. Se ele for pela primeira razão, Dilma teria que aceitar Lula como o presidente de fato, porque o mundo político e empresarial iria todo atrás dele e ela ficaria ainda mais isolada. Ele seguramente faria mudanças na linha política e econômica do governo, e se conseguir acumular poder, não é difícil de imaginar que poderia fazer mudanças na equipe econômica também. Mas todas essas são conjecturas a serem investigadas após uma resposta definitiva de Lula sobre o assunto.

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Enquanto isso, a política segue andando de lado, em compasso de espera. Há espera para ver o que sai da convenção do PMDB, o que acontecerá nas manifestações de rua e seus reflexos, que passos Lula dará nos próximos dias, que medidas tomará o governo, caso tome alguma, e o quanto avança a lava-jato nos próximos dias, seja em delações, seja em operações.

Nesse cenário complicado as reformas com reflexo econômico que exijam um mínimo de pactuação para sua aprovação estão seriamente comprometidas. A discussão em Brasília é unicamente sobre política.

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Richard Back

É coordenador de macro sales e análise política da XP Investimentos. Acompanha o cenário brasileiro há uma década e especializou-se também em política internacional.