O “ilusório” negócio de vender veículos.

Mais de 700 concessionárias encerram a sua atividade. Este é só o começo...

Raphael Galante

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Caro leitor, digníssima leitora; em geral, 11 em cada 10 comentários feitos aqui no blog, apontam que o grande problema do setor automotivo é: o preço do veículo (demasiadamente caro)! Temos comentários como: que as cadeias do processo acabam extorquindo os consumidores com lucros absurdos; que “bem feito” para eles; basta eles abaixarem preços que eles vendem e por aí vai…

Neste post de hoje, vamos tentar mostrar o “tamanho do nabo” que os concessionários (ou seja, os franqueados) estão tendo.

E porque vamos falar deles? Bem… o presidente da FENABRAVE (é a federação que congrega todos os concessionários), aponta para o fechamento de quase 700 concessionárias neste ano (uns 50 mil empregos fechados). E, aqui, o concessionário (como todo o franqueado) sempre será o elo que mais sofre em momento de crise.

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A montadora ainda pode arrumar outras saídas para amenizar a sua produção (por exemplo: exportando mais). Já o concessionário, não!

O que vem acontecendo com eles ao longo do tempo?

Bem… as montadoras perceberam que o mercado já não estava assim “tão bom” e começaram a praticar “coisas de montadora”. A primeira foi aumentar o número de pontos de vendas. Ou seja, o bolo não estava crescendo e eu coloquei mais boca para comer. Do ponto de vista da montadora, P-E-R-F-E-I-T-O!  Coloquei mais pessoas para vender e assim chegar ao meu objetivo. Do lado dos franqueados, aquilo que já não era bom, ficou pior.

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Aí, como tudo é lindo e maravilhoso, algumas montadoras pensaram que o concessionário não é “um elo importante” e começaram a vender diretamente para grandes contas (e algumas nem tão grande assim).

Em resumo, o que aconteceu com eles (concessionários):

* Aumento de concorrência dentro da marca;
* A minha montadora pensado que é melhor que o concessionário;
* A economia entrando em depressão.

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Qual é o tamanho do “preju” deles?

A tabelinha abaixo aponta isso:

VENDA MÉDIA MENSAL POR CONCESSIONÁRIA

V %

MARCA

2010

2011

2012

2013

2014

2015

15 / 14

15 / 10

CITROEN

57

53

39

31

25

14

-45,03%

-75,67%

FIAT

85

75

82

68

57

36

-37,15%

-57,64%

FORD

66

55

58

62

54

37

-32,15%

-44,16%

GM

112

99

112

111

82

50

-39,85%

-55,86%

HONDA

62

58

82

79

76

81

5,98%

30,02%

HYUNDAI

61

52

42

69

71

54

-24,50%

-10,92%

MITSUBISHI

30

28

26

24

24

15

-36,30%

-48,84%

NISSAN

44

54

70

38

30

23

-25,20%

-48,39%

PEUGEOT

49

45

34

27

21

14

-32,33%

-71,42%

RENAULT

65

74

78

60

48

30

-37,39%

-54,11%

TOYOTA

60

53

62

90

97

79

-17,94%

32,11%

VW

98

90

104

83

63

42

-32,62%

-57,00%

MÉDIA

76

69

74

68

58

40

-30,80%

-47,73%

 Simplificando, na média, todos estão vendendo 31% a menos do que o ano passado. Sobre 2010, a retração é de quase 50%, e algumas marcas com -75%.

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O fechamento de mais de 700 concessionárias, como a FENABRAVE apontou, foi “o mínimo” por enquanto. A tendência é de piora para 2016. A “alta lucratividade” do setor, apontada por grande parte dos nossos leitores, deve estar em outro lugar. No caso dos franqueados imagine você vender quase 50% a menos com um custo 50% maior, em seis anos? Essa conta não fecha, não vai fechar e eles vão quebrar!

Apesar de falarmos aqui de média, veja o resultado dos nossos japas. Eles são demais! Por isso que eles são o filé-mignon no setor de distribuição de veículos. Dificilmente eles “fazem coisas de montadoras”.

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Raphael Galante

Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva