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Estamos em março; acabou o carnaval e finalmente o ano começou. Aleluia! E, pelo menos, março começou quente! E o que aponta o setor automotivo para a gente? Bem… esse vai ser o quarto ano consecutivo de queda nas vendas.
Ok… isso já é chover no molhado e eu já estou parecendo com o corvo de Poe.
Mas o pessoal do setor é bem-humorado! O que está rolando é um bolão para saber o tamanho da queda. A gente aposta uma retração entre -8% a -10%. Mas tem coleguinhas trabalhando com até -25%.
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De quanto vai ser a queda?? Ah, aí já é loteria! É a mesma coisa o que aconteceu com o mercado financeiro na semana passada: acredito que eram pouquíssimos os que esperavam o dólar cair o que caiu e a bolsa subir o que subiu. Mas até quando vai isso?? L-O-T-E-R-I-A!
Aqui vamos começar a apontar onde o perrengue é pior! O que a gente percebe conversando com o pessoal – sediado aqui em São Paulo – é que as dificuldades são imensas!
E aqui falamos tanto do sentimento de concessionários como do de montadoras. Os custos operacionais para fazer o negócio “virar”, são esmagadores!
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Por exemplo, aqui em São Paulo, para se ter uma concessionária numa região “boa”, com uma metragem razoável (show room de novos e usados, área de serviços (peças e oficina)), podemos colocar o custo de aluguel por volta de R$ 100 mil (PREÇO CAMPEÃO! Tipo: “negócio de pai para filho”)
Se fizermos nossa já conhecida conta de padoca, imaginando que sua margem bruta (concessionário) é de 10%, vendendo carros pelo preço médio de R$ 50 mil, precisaria vender 20 carros, apenas para bancar o aluguel do seu prédio.
Ou seja, o cara que ganha dinheiro vendendo carro e que trabalha em grandes centros (capitais) é milagreiro!
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Mas, infelizmente, a dinâmica do mercado não está favorável para eles. O que vem acontecendo com o mercado de carros quando a gente separa aquilo que é vendido nas capitais e no interior?
Bem, levantamos as vendas da última década e tentamos ver o que está acontecendo. Quando o mercado estava bombando em vendas, o motor de crescimento era o interior do país. As vendas de veículos nas capitais do país representavam 50% das vendas. E esse número caiu para 40%. Perda de quase 10 pontos percentuais.

O mercado automotivo cresceu alicerçado na força do interior. Ele foi o grande puxador nas vendas de carros. E é até o momento. Quando pegamos as vendas dos últimos 10 anos, nos baseamos pela estimativa que 2016 será “praticamente” equivalente ao ano de 2007 (em volume de vendas), com um viés de queda.
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Mas esse viés já é realidade para as capitais. Neste primeiro bimestre, ao compararmos o volume de vendas sobre o mesmo período de 2007, o mercado registra crescimento de 2,82%. O interior apresenta evolução de 20,4% e as capitais estão com retração de quase 15,2% sobre o ano de 2007!
O setor automotivo terá, em 2016, um ano equivalente ao de 2007. As capitais terão um ano de vendas, um pouco melhor do que o de 2005. Ou seja, elas venderão o mesmo que em 2005, com um custo quase 100% maior. Se você sair por aí (nas capitais), vai ver a quantidade de lojas que fecharam nos últimos tempos.
Se as capitais vão ter um ano parecido ao ano de 2005, quanto carros foram vendidos em 2005? Apenas 1,615 milhão, sendo que quase 1 milhão foram nas capitais.
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E pensar que, em 2012 (que tá logo ali), tínhamos vendidos 3,63 milhões de carros…
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V% nas vendas – 1º Bimestre |
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Capital |
Interior |
Total |
|
08 / 07 |
29,96% |
32,18% |
31,08% |
|
09 / 08 |
-3,42% |
7,53% |
2,16% |
|
10 / 09 |
5,95% |
10,07% |
8,16% |
|
11 / 10 |
14,09% |
22,58% |
18,73% |
|
12 / 11 |
-3,78% |
2,92% |
0,00% |
|
13 / 12 |
3,78% |
8,36% |
6,44% |
|
14 / 13 |
4,20% |
6,84% |
5,76% |
|
15 / 14 |
-19,42% |
-25,78% |
-23,22% |
|
16 / 15 |
-33,32% |
-29,00% |
-30,83% |
|
16 / 07 |
-15,18% |
20,41% |
2,82% |