O aquecido mercado de carros!

Esqueçam tudo o que eu disse esse ano! As vendas de carros estão BOMBANDO!!

Raphael Galante

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Caro leitor, digníssima leitora; vocês não leram errado! E, não! Não estou sobre efeito de remédios controlados, e muitos menos eu bati a minha cabeça (eu acho)! As vendas de veículos (automóveis e comerciais leves) estão bombando! O resultado econômico deste ano (PIB) já foi para as cucuias há muito tempo – a questão é saber quanto será a retração do PIB. Vamos chegar próximo a -3%? Sim, não? Provavelmente, sim…

Mas, no adorável mundo automotivo, as vendas de carros estão em trajetória oposta: vivemos um dos melhores anos de vendas de veículos.

Quem me acompanha aqui no blog deve achar que estou delirando (ou que fumei o cigarrinho do capeta). Basta ver os últimos posts, como: “Nada é tão ruim que não possa piorar”; “a cegueira do setor automotivo”; “começa a cair o último bastião do setor automotivo”; “caos automotivo”. E por aí vai…

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Mas, hoje, baixou o espirito de Pollyanna!

O foco principal aqui do blog sempre foi para análises sobre o setor automotivo (numa visão rodriguiana), mais especificamente o  mercado de novos. Mas, para darmos uma onda otimista, vamos trabalhar com os números de vendas de automóveis de veículos novos e usados.

Quando falamos em veículos usados, precisamos fazer alguns cortes: tem o “semi-novo” de (0 a 3 anos de uso); o “usado jovem” (de 4 a 8 anos) e algumas outras classificações, mas carros com mais de 9 anos de fabricação não estamos considerados.

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Por que não? Esse carro (ano 2006), dificilmente vai ser trabalhando numa concessionária de veículo e raramente será vendido por um lojista de usados. Esse tipo de veículo – em grande parte – é transacionado de particular para particular. Soma-se a isso que, esse veículo, é mais difícil de financiar (por causa das garantias).

Então vamos lá:

O que aconteceu no acumulado deste ano? No período de janeiro a outubro? Trabalhando apenas com o filé-mignon (novos e seminovos) as vendas de veículos foram de 5,337 milhões de carros contra 5,114 milhões sobre o mesmo período do ano anterior. Crescimento de 4,35%. Ou seja, foram vendidos 220 mil carros, a mais, neste ano.

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As vendas de carros estão crescendo 4,35% com um PIB de -3%! É um baita resultado. Se colocarmos no bolo as vendas dos “usados jovens” (4 a 8 anos de uso) temos 9,32 milhões de carros vendidos contra 9,42 milhões sobre o ano anterior. Retração de 1%, ou então, crescimento de 1,74% sobre o período do ano de 2013 (9,16 milhões).

A tabelinha que fizemos (de janeiro a outubro de cada ano) exemplifica melhor:

VENDAS

2013

2014

2015

NOVOS

2.949.243

2.691.083

2.064.368

SEMI-NOVOS

2.204.899

2.423.336

3.272.694

USADO JOVEM

4.006.087

4.305.298

3.982.523

TOTAL

9.160.229

9.419.717

9.319.585

NOVOS + SEMI-NOVOS

5.154.142

5.114.419

5.337.062

       

DISTRIBUIÇÃO

2013

2014

2015

NOVOS

32,20%

28,57%

22,15%

SEMI-NOVOS

24,07%

25,73%

35,12%

USADO JOVEM

43,73%

45,71%

42,73%

TOTAL

100%

100%

100%

       

V%

14 / 13

15 / 14

15 / 13

NOVOS

-8,75%

-23,29%

-30,00%

SEMI-NOVOS

9,91%

35,05%

48,43%

USADO JOVEM

7,47%

-7,50%

-0,59%

TOTAL

2,83%

-1,06%

1,74%

NOVOS + SEMI-NOVOS

-0,77%

4,35%

3,55%

O que isso quer dizer? Como vocês podem verificar, no acumulado deste ano, sobre o mesmo período do ano de 2013, as vendas de veículos novos registraram queda de 30%. Já as vendas dos nossos semi-novos,  avançaram 48,4%. O carro novo que representava mais de 32% deste nosso total, caiu 10 pontos percentuais e, em 2015, ele representa apenas 22% de todos os carros que foram comercializados. Por outro lado, as vendas de carros usados entre 0 a 3 anos, viram a sua participação saltar de 24% para mais de 35%, no mesmo período (aumento de 11 pontos percentuais).

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O que aconteceu ao longo dos últimos meses foi uma inversão da trajetória das vendas entre o novo e o semi-novo. Lógico que o sonho da maioria dos consumidores de carros é o carro novinho! Mas, a partir do segundo semestre do ano passado, percebemos que as vendas de veículos novos desaceleraram e as dos semi-novos ganharam corpo. No segundo semestre do ano passado, as vendas eram pau-a-pau. Somente neste ano,  as vendas dos semi-novos se descolaram completamente dos novos:

O que concluímos: que o brasileiro é apaixonado por carro! As vendas de carros não diminuíram neste ano, pelo contrário, o nosso filé-mignon registra crescimento de 4,35% neste ano. Independentemente da situação econômica do país, houve a comercialização de 220 mil carros a mais neste ano.

O grande ponto é que, com a diminuição do poder aquisitivo do consumidor,  aumento da insegurança  (desemprego), dificuldade na obtenção de crédito, criou-se um cenário para que o consumidor migre do novo para o semi-novo. E, isto, de fato está ocorrendo! Porém, o volume de compradores de carro não diminuiu! O péssimo cenário econômico impacta na venda de veículos novos. Por fim, soma-se a isso o conceito de que que o preço do carro novo é demasiadamente caro, segundo visão dos nosso leitores (11 em cada 10 acham isso). Esse consumidor prefere o semi-novo completinho do que o “crássico pé-de-boi”. E, num cenário adverso, essa migração de consumo fica mais explícita.

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Diferentemente do que pensa os nossos leitores, não acho que o carro brasileiro seja caro. Eu tenho, certeza absoluta, QUE EU GANHO MAL PACAS!! 

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Raphael Galante

Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva