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Caro leitor, digníssima leitora; vocês não leram errado! E, não! Não estou sobre efeito de remédios controlados, e muitos menos eu bati a minha cabeça (eu acho)! As vendas de veículos (automóveis e comerciais leves) estão bombando! O resultado econômico deste ano (PIB) já foi para as cucuias há muito tempo – a questão é saber quanto será a retração do PIB. Vamos chegar próximo a -3%? Sim, não? Provavelmente, sim…
Mas, no adorável mundo automotivo, as vendas de carros estão em trajetória oposta: vivemos um dos melhores anos de vendas de veículos.
Quem me acompanha aqui no blog deve achar que estou delirando (ou que fumei o cigarrinho do capeta). Basta ver os últimos posts, como: “Nada é tão ruim que não possa piorar”; “a cegueira do setor automotivo”; “começa a cair o último bastião do setor automotivo”; “caos automotivo”. E por aí vai…
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Mas, hoje, baixou o espirito de Pollyanna!
O foco principal aqui do blog sempre foi para análises sobre o setor automotivo (numa visão rodriguiana), mais especificamente o mercado de novos. Mas, para darmos uma onda otimista, vamos trabalhar com os números de vendas de automóveis de veículos novos e usados.
Quando falamos em veículos usados, precisamos fazer alguns cortes: tem o “semi-novo” de (0 a 3 anos de uso); o “usado jovem” (de 4 a 8 anos) e algumas outras classificações, mas carros com mais de 9 anos de fabricação não estamos considerados.
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Por que não? Esse carro (ano 2006), dificilmente vai ser trabalhando numa concessionária de veículo e raramente será vendido por um lojista de usados. Esse tipo de veículo – em grande parte – é transacionado de particular para particular. Soma-se a isso que, esse veículo, é mais difícil de financiar (por causa das garantias).
Então vamos lá:
O que aconteceu no acumulado deste ano? No período de janeiro a outubro? Trabalhando apenas com o filé-mignon (novos e seminovos) as vendas de veículos foram de 5,337 milhões de carros contra 5,114 milhões sobre o mesmo período do ano anterior. Crescimento de 4,35%. Ou seja, foram vendidos 220 mil carros, a mais, neste ano.
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As vendas de carros estão crescendo 4,35% com um PIB de -3%! É um baita resultado. Se colocarmos no bolo as vendas dos “usados jovens” (4 a 8 anos de uso) temos 9,32 milhões de carros vendidos contra 9,42 milhões sobre o ano anterior. Retração de 1%, ou então, crescimento de 1,74% sobre o período do ano de 2013 (9,16 milhões).
A tabelinha que fizemos (de janeiro a outubro de cada ano) exemplifica melhor:
|
VENDAS |
2013 |
2014 |
2015 |
|
NOVOS |
2.949.243 |
2.691.083 |
2.064.368 |
|
SEMI-NOVOS |
2.204.899 |
2.423.336 |
3.272.694 |
|
USADO JOVEM |
4.006.087 |
4.305.298 |
3.982.523 |
|
TOTAL |
9.160.229 |
9.419.717 |
9.319.585 |
|
NOVOS + SEMI-NOVOS |
5.154.142 |
5.114.419 |
5.337.062 |
|
DISTRIBUIÇÃO |
2013 |
2014 |
2015 |
|
NOVOS |
32,20% |
28,57% |
22,15% |
|
SEMI-NOVOS |
24,07% |
25,73% |
35,12% |
|
USADO JOVEM |
43,73% |
45,71% |
42,73% |
|
TOTAL |
100% |
100% |
100% |
|
V% |
14 / 13 |
15 / 14 |
15 / 13 |
|
NOVOS |
-8,75% |
-23,29% |
-30,00% |
|
SEMI-NOVOS |
9,91% |
35,05% |
48,43% |
|
USADO JOVEM |
7,47% |
-7,50% |
-0,59% |
|
TOTAL |
2,83% |
-1,06% |
1,74% |
|
NOVOS + SEMI-NOVOS |
-0,77% |
4,35% |
3,55% |
O que isso quer dizer? Como vocês podem verificar, no acumulado deste ano, sobre o mesmo período do ano de 2013, as vendas de veículos novos registraram queda de 30%. Já as vendas dos nossos semi-novos, avançaram 48,4%. O carro novo que representava mais de 32% deste nosso total, caiu 10 pontos percentuais e, em 2015, ele representa apenas 22% de todos os carros que foram comercializados. Por outro lado, as vendas de carros usados entre 0 a 3 anos, viram a sua participação saltar de 24% para mais de 35%, no mesmo período (aumento de 11 pontos percentuais).
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O que aconteceu ao longo dos últimos meses foi uma inversão da trajetória das vendas entre o novo e o semi-novo. Lógico que o sonho da maioria dos consumidores de carros é o carro novinho! Mas, a partir do segundo semestre do ano passado, percebemos que as vendas de veículos novos desaceleraram e as dos semi-novos ganharam corpo. No segundo semestre do ano passado, as vendas eram pau-a-pau. Somente neste ano, as vendas dos semi-novos se descolaram completamente dos novos:

O que concluímos: que o brasileiro é apaixonado por carro! As vendas de carros não diminuíram neste ano, pelo contrário, o nosso filé-mignon registra crescimento de 4,35% neste ano. Independentemente da situação econômica do país, houve a comercialização de 220 mil carros a mais neste ano.
O grande ponto é que, com a diminuição do poder aquisitivo do consumidor, aumento da insegurança (desemprego), dificuldade na obtenção de crédito, criou-se um cenário para que o consumidor migre do novo para o semi-novo. E, isto, de fato está ocorrendo! Porém, o volume de compradores de carro não diminuiu! O péssimo cenário econômico impacta na venda de veículos novos. Por fim, soma-se a isso o conceito de que que o preço do carro novo é demasiadamente caro, segundo visão dos nosso leitores (11 em cada 10 acham isso). Esse consumidor prefere o semi-novo completinho do que o “crássico pé-de-boi”. E, num cenário adverso, essa migração de consumo fica mais explícita.
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Diferentemente do que pensa os nossos leitores, não acho que o carro brasileiro seja caro. Eu tenho, certeza absoluta, QUE EU GANHO MAL PACAS!!