E o patinho feio, enfim, virou um belo cisne…

No turbilhão que é o setor automotivo, algumas marcas e produtos se destacam! E aqui, o nosso patinho feito, virou um vistoso cisne!

Raphael Galante

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Publicidade

Caro leitor; digníssima leitora; um dos pontos que já abordamos aqui, é que este ano o setor automotivo será palco de grandes emoções e reviravoltas! Aquelas coisas que nunca passariam pela nossa cabeça, estão se concretizando! Isso serviu também para nós fazermos uma série de autocríticas.

Bem, aqui vou tratar de duas dessas GRANDES MUDANÇAS.

A primeira de todas é o desempenho da única marca (dentre as 15 que mais vendem) que está com crescimento nas vendas.

Continua depois da publicidade

Observação: A Jeep não conta, pois ela saiu do “nada”, para alguma coisa.

Estamos falando da francesa PEUGEOT. Se pegarmos o seu volume de vendas, ela é a única que apresenta crescimento! No acumulado deste ano (janeiro a maio), as vendas de veículos estão com retração de 26,3%. Já a Peugeot registrou crescimento de 1,15%. Isso implicou num aumento de participação de mercado na ordem de 37% sobre o ano anterior.

Este EXCELENTE desempenho da Peugeot – eu aposto um picolé de limão – não foi projetado/estimado por nenhum analista – e eu era um cara cético com a marca. A estratégia global da marca (BACK IN THE RACE) está sendo certeira!

Continua depois da publicidade

Alguns pontos que podemos reforçar, é que o produto, que já era de qualidade, ficou muuiiiiiiiitoooooo melhor (o exemplo mais recente é o novo motor do Peugeot/208 que é o melhor dentre os seus concorrentes). Além disso, a marca se reposicionou e está trabalhando apenas com produtos de alta gama. Ela otimizou as suas linhas de produção, o que permitiu um aumento no preço dos carros.

Este ano, um veículo Peugeot custa em média R$ 63,6 mil; contra R$ 60,3 mil do ano de 2015 e de R$ 52 mil no ano de 2014. Ou seja, a nova oferta de carros novos com alta qualidade/tecnologia, gerou esse aumento no preço médio do carro de quase R$ 14 mil e, com isso, a marca está ganhando mais.

Não com os 1,15% em volume de vendas mas, sim, 13,78% no seu faturamento.

Continua depois da publicidade

Por fim, em nossa humilde opinião, a marca só conseguiu dar essa guinada pois resolveu seu problema crucial: o  francês (e aqui, não sendo xenofóbico, isso serve para a marca alemã, japonesa, americana coreana e por aí vai…). Quando mudaram a gestão do francês para um brasileiro nativo – na verdade brasileira, pois só uma mulher para colocar a casa em ordem – foi que a marca mudou da água para o vinho – e foi para um “senhor” Bordeaux!

O segundo ponto, foi que eu sempre “meti pau” na Fiat com as suas picapes, em especial com a Fiat Strada “PATO” cabine dupla. E, aqui,  não queimei a língua… eu me queimei por inteiro!!

Quando falávamos em picapes médias (Ex.: Ranger, S10, Hilux, L200), o conceito era mais ou menos: “…¼ vai para a Toyota e as outras 5 marcas que se esbofeteavam pelos outros ¾…”

Continua depois da publicidade

E quando a Renault entrou “serelepe” com a sua picape, ela já fez um “burburinho”, mas esqueceram o principal: um motor a diesel, uma vez que as picapes a diesel correspondem – na média – por 70% das vendas. A Fiat já não cometeu esse erro, e entrou com um produto com “pequenas-grandes diferenças”, onde saiu da mesmice que era o mercado de picapes e, convenhamos, o pessoal da Fiat sabe fazer mídia: eu, pessoalmente, já não aguento mais ouvir  os meus filhos cantando: “I like to Mobi, Mobi!”.

Voltando para a picape da Fiat. O acerto dela foi tão grande, mas tão grande, que aquilo que a gente pensava que nunca iria acontecer (A Toyota Hilux ver o seu castelo ruir), começou a acontecer!

Nos últimos dois meses, o pequeno Davi deu uma bordoada na gigante Golias! Mas o pessoal da Fiat bateu feio, tipo bater em bêbado! Em abril, eles cravaram 31% do mercado e 28% em maio. Sendo que os 70% que restaram, são divididos – agora – por sete empresas.

Continua depois da publicidade

SHARE

2014

2015

jan-16

fev-16

mar-16

abr-16

mai-16

2016

AMAROK

10,6%

10,3%

14,3%

11,3%

9,2%

7,6%

4,6%

8,81%

FRONTIER

6,9%

4,9%

3,4%

2,5%

3,6%

2,4%

3,4%

3,07%

HILUX

25,7%

27,6%

37,2%

26,9%

25,7%

21,6%

22,9%

25,89%

L200

12,2%

12,2%

7,4%

7,3%

6,0%

7,8%

6,1%

6,83%

OROCH

0,0%

2,7%

11,3%

9,8%

9,1%

9,3%

10,1%

9,80%

RANGER

14,3%

14,2%

9,2%

14,6%

8,9%

5,5%

8,9%

9,02%

S10

30,2%

28,1%

16,6%

14,1%

14,4%

14,7%

16,4%

15,20%

TORO

0,0%

0,0%

0,7%

13,4%

23,0%

31,1%

27,6%

21,38%

O consolo para o pessoal da Toyota, é que continuam líder no mercado de picapes a diesel.

E, assim, queimei a minha língua duas vezes.

Mas que o Fiat Strada “PATO” cabine dupla, continua sendo um pato…. ahhhhh isso ela continua… FOREVER AND EVER!!!

Autor avatar
Raphael Galante

Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva