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Existe um conceito (o qual eu sinceramente não me recordo quem disse) que é mais ou menos o seguinte:
“…o caos e o medo do caos, atraem mais caos!…”
Então, vamos entrar no nosso “caótico” setor automotivo. Quem acompanha o mercado, vendo os dados do setor ou lendo algumas matérias que foram publicadas nas mais diversas mídias, mostra que o setor entrou em processo de estabilização.
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Várias matérias mostraram que nesta primeira quinzena, as vendas estão crescendo.
Ou seja, o setor parou de sangrar!
E parou mesmo: os números de vendas dos primeiros sete meses deste ano, indicam isso:
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VENDAS DE AUTO NOVOS – MIL UNIDADES |
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|
MÊS |
VENDAS |
MÉDIA DIÁRIA |
|
Janeiro |
149,7 |
7,48 |
|
Fevereiro |
142,1 |
7,89 |
|
Março |
173,2 |
7,88 |
|
Abril |
157,5 |
7,88 |
|
Maio |
162,2 |
8,11 |
|
Junho |
166,4 |
7,56 |
|
Julho |
175,0 |
8,33 |
Percebemos no volume médio diário, que o setor está tentando quebrar a barreira dos oito mil carros vendidos/dia. E o volume de vendas deverá manter-se acima de 8 mil carros/dias, até o final do ano.
Na verdade, o que aparece para nós, é que o mercado encontrou o seu fundo do poço. De fato, se imaginarmos um gráfico em forma de “u”, podemos dizer que estamos na “barriga do u” com uma “possível tendência de crescimento” para o próximo ciclo.
Crescimento “MEGA-THUNDER-BLASTER” modesto!
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E agora vamos entrar no tópico do texto. Onde o “caos e o medo do caos, geram mais caos”.
Como assim? O mercado parou de cair e o caos está aumentando?
Sim, lógico!
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O que existe é o princípio básico do ser humano. Que é o princípio de subsistência. Quando acuado e/ou em perigo extremo, tomam-se medidas desesperadoras.
Agora, caro leitor e digníssima leitora, imaginem que há uns 4-6 anos atrás você pediu algumas centenas de milhões de dólares à sua matriz para: Uma nova fábrica de motores; uma nova planta fabril; fazer o desenvolvimento de novos produtos; pois lá atrás todo mundo tinha o conceito de que: “o Brasil era o país do futuro, e o futuro era agora”; ou seja, éramos “a última coca-cola do deserto”!
E, se levarmos em conta que 11 em cada 10 executivos erraram as suas previsões; e de que: o Brasil “o país do futuro” onde esse futuro não irá chegar nas próximas décadas, no mesmo conceito do burro atrás da cenoura, você pode ter a certeza que “a batata de muita gente tá assando”.
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E o que eles (as montadoras/executivos) fizeram para resolver os problemas?
A única coisa que podiam: COMEÇARAM A VENDER CARROS!
Confuso? Calma ai…
O que começaram a fazer foi: matar lentamente e com requintes de crueldade, o seu principal canal de vendas: O concessionário.
Como assim? A partir do momento que a fábrica passa a vender direto a “grandes contas” que LOCALIZA boas opções de negócio (sacou?), ela prostitui o preço do veículo e, para fazer isso, retira o possível ganho do concessionário.
Vocês podem dizer: mas isso é bom para o consumidor!
Sim… num primeiro momento é maravilhoso! Mas depois – como tudo na vida – a conta chega!
Por exemplo, neste mês, a Fiat deverá vender uns 27,5 mil veículos. 60% deverá ser feito através de faturamento direto da montadora. O que quer dizer que 11 mil carros foram vendidos pelas concessionárias. Que a rede Fiat seja de uns 500 concessionários (é mais), quer dizer que cada um deles vendeu 22 carros por mês, ou 1 carro novo por dia.
Faça o exercício de ir na frente de uma concessionária Fiat da sua região e imagine esse empresário ganhando uns 8% bruto na venda de um Unozinho; Palio ou Mobi.
O exemplo foi da FIAT, mas serve para toda marca (menos para o nosso trio de ferro: Honda; Hyundai e Toyota).
Isso não paga nem a conta do aluguel…
O que está acontecendo é que, segundo a FENABRAVE, 700 concessionárias fecharam as portas em 2015 e uns 600 deverão encerrar as suas atividades este ano.
Se lembra que para o consumidor essa “briga” de preço foi boa? Agora imagina com 1,3 mil concessionárias a menos e eu precisando fazer a manutenção/revisão do veículo?
Como disse a conta chega e está chegando agora! Alguns Estados (E-S-T-A-D-O-S) não tem mais a representação de algumas marcas (e aqui estou falando do TOP 10 que é 95% do mercado) na figura do concessionário. Precisa fazer a revisão do veículo? Tem uma concessionária logo ali… no outro estado.
Algumas regiões do interior de São Paulo, por exemplo, estão na mesma situação. Aquele consumidor que tinha feito um bom negócio agora tem que se deslocar uns 200 Km para fazer a revisão do carro. E se não fizer, perde a garantia da fábrica!
Olha que programão! Você acorda cedo num sábado, pega o carro, vai para outra cidade (200 Km de distância), deixa o carro para a revisão, se tiver sorte pega no mesmo dia; senão, vai até a rodoviária pegar um “busão” para voltar para a sua casa e depois fará o processo novamente, para pegar o carro na próxima semana.
Uaaauuuu… programa maravilhoso para namorados fazerem juntos!
O preço do carro brasileiro é caro?
Sim!
Matar o elo mais fraco vai resolver a situação da indústria? Não! Só vai gerar “mais caos”