A derrocada do mercado de carros novos…

<div><span style="background-color: #ffffff">O novo perfil dos consumidores de carros, parece "gostar mais" no carro seminovo ao invés do novo. Seria esse o fim de um ciclo?</span></div>

Raphael Galante

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A derrocada do mercado de carros novos…

As vendas de carros estão em queda? Se você é leitor do blog, sabe que sim. Mas na real, não estão!

Por mais que a gente fale que as vendas de carros (neste primeiro quadrimestre) registraram o pior resultado da última década, elas não estão em queda!

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Pelo contrário: aquela retração onde todos falam que o mercado caiu 27,5% (inclusive nós), passou para um crescimento de 2%.

Essa é a realidade do mercado, um crescimento de 2% nas vendas.

Mas, como assim?

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Aqui vamos tratar de um ponto conceitual. O que é carro novo? É só aquele que é vendido por uma concessionária? Aquele que, quando você compra, aparece no hodômetro a distância percorrida máxima de uns 10 KM? E aquele carro, com tudo isso, mas que ficou perdido no pátio da concessionária e/ou montadora por um ano, ou seja, estamos em 2016, mas comprei um 2015?

O carro novo evoluiu, ele mudou e os conceitos precisam ser adequados. O primeiro de todos é a qualidade do produto. Num passado não muito distante, você precisava fazer a primeira revisão com 6 meses, e tinha garantia máxima de 1 ano. Hoje em dia os carros trabalham com garantia média de 3-5 anos.

Parênteses: Nos EUA, tem concessionários que dão garantia de 10 anos ou 100.000 milhas.

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Por que não comprar um carro com 1 ou 2 anos de uso? Com “ainda” garantia de fábrica?

Bem, o que estamos querendo dizer é que o “conceito carro novo” está mudando. Alguns fatores (atualmente os econômicos) estão acelerando essa mudança de percepção do cliente!

Lógico que eu adoraria ir até uma concessionária, ser bem tratado e sair com um carro “zero”. Mas a atual conjuntura (principalmente com a escassez de crédito), fez com que esse consumidor se questionasse sobre o valor que ele paga no carro “zero”. Outro ponto foi, convenhamos (eu entendo), mas as fábricas tinham que continuar a elevar os preços dos carros novos? Não podiam segurar um pouquinho? Sei como eles pensam, entendo, mas poderia ter rolado um “projetinho” de segurar um pouco os custos. Além disso, as montadoras “zoam” com o mercado quando elas pensam que não precisam das concessionárias, e vendem diretamente ao consumidor…

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A mudança foi acelerada! As vendas de carros “zero” são as piores (no quadrimestre) dos últimos 10 anos… mas as venda de carros não param de crescer! Esse ano, as vendas cresceram 2%, saltando de 2,03 milhões para 2,07 milhões neste.

 

 

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Perceba que a venda de novos que representava 60% em 2013, caiu pela metade neste ano.

Lógico que SEMPRE haverá demanda para o carro novo, mas a indústria precisa repensar a sua visão sobre o tema. Acima de tudo, o concessionário precisa enxergar o que está acontecendo. Sei que, quando montei o meu negócio, o foco principal era vender carro “zero”, mas a realidade do mercado hoje é outra. Em 2015, tivemos o fechamento de 1,1 mil concessionárias. Ou eu me adéquo à nova realidade, ou virarei estatística…

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Raphael Galante

Economista, atua no setor automotivo há mais de 20 anos e é sócio da Oikonomia Consultoria Automotiva