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Pelo título, poderíamos pensar que se trata de um texto sobre os comportamentos animais de Jean Wyllys e José de Abreu que inauguraram a “revolução dos Bichos” ao colocar o cuspe como prática comum no “debate” brasileiro. Não perderia meu tempo com tamanha nojeira e falta de respeito. Prefiro falar de um dos mais lúcidos e brilhantes comentários políticos feitos nestes dias.
O sociólogo Demétrio Magnoli esclarece o que está por trás da narrativa do “impeachment é golpe”. Para ele, a cúpula do PT preparou tal discurso não para convencer o grosso da população, que não compra a mentira faz tempo, mas para a própria militância petista não abandonar o PT e dar uma esperança ao volta Lula em 2018.
Por mais que haja lavagem cerebral, o choque de realidade pode levar petistas à desilusão: o governo do PT arruinou as contas públicas (descontrole fiscal) e saqueou a Petrobras, gerando uma grave crise econômica que afetou principalmente a vida dos mais pobres. Para evitar uma deserção generalizada, a estratégia do PT é manter o espírito de sua militância ativo contra inimigos imaginários para mascarar a incompetência e a corrupção do próprio partido. Uma passagem do livro “ A Revolução dos Bichos” ilustra bem esta estratégia: : “ (…) transmiti esta mensagem aos que virão depois de vós, para que as futuras gerações continuem na luta até a vitória”.
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Tal estratégia também é muito bem ilustrada em outro romance do mesmo autor, “1984”. O slogan oficial do partido (o Grande Irmão) era: “Guerra é Paz”, Liberdade é Escravidão”, Ignorância é Força ”. A ideia do Partido era afirmar uma contradição até ela se tornar natural e as pessoas perderem a capacidade de enxergar a contradição entre discurso e realidade, entre mentira e verdade. Agora, troque o Grande Irmão pelo PT e acrescente no slogan do partido “impeachment é golpe”. Verás que nunca a ficção esteve tão próxima da realidade.
Mas a narrativa do golpe também serve a outro propósito. Todos nós sabemos que a história ensinada nos colégios é baseada numa visão marxista panfletária chinfrim. Por exemplos, aprendemos que Marighella não era um terrorista com intenções de implantar o comunismo no Brasil, mas um herói que lutava pela democracia. Como bem observou o filósofo Pondé, se não contarmos a história do impeachment do jeito que ela foi, futuramente ela poderá ser narrada para nossos filhos da mesma forma que aprendemos sobre a “boa alma democrática” de Marighella. Sem nenhum exagero, provavelmente dirão em 2050 que a Dilma foi derrubada por defender os interesses dos pobres e o juiz Moro era um agente infiltrado da CIA para destruir a pujança econômica que era o Mercosul.
A maneira que será contada a história sobre o processo de impeachment é tão importante quanto à própria queda de Dilma e o enfraquecimento político do PT. Enganam-se aqueles que acreditam que o poder só é exercido pelo dinheiro ou pela política. O controle da opinião pública talvez seja a principal fonte de poder atualmente, capaz de influenciar o comportamento de milhares de pessoas apenas por uma guerra de narrativas. É justamente nesse campo que os partidos de esquerda (PT, PSOL, etc..) levam ainda muita vantagem, por terem representantes e simpatizantes de suas ideologias nas escolas, universidades e mídia – instituições que exercem um forte controle sobre a opinião publica.
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É dentro deste contexto que o slogan “impeachment é golpe” deve ser analisado. Assim como no livro 1984, o PT também tem seu Ministério da Verdade, o qual cirurgicamente reescreve a história de acordo com a visão ideológica de esquerda conveniente. Em outras palavras, a estratégia é substituir a derrota política de curto prazo por uma vitória moral do PT e das esquerdas no longo prazo construída sobre a mentira do golpe. Já assistimos a esse filme antes. Basta olhar que terroristas do passado assumiram cargos de Estado no Brasil, inclusive a Casa Civil e a Presidência da República.
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