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Não vou entrar no mérito sobre o controle de vendas de armas nos EUA, o qual o presidente Obama quer impor, até porque não traz nada de essencialmente novo. De acordo com Ben Shapiro, (veja aqui), Obama só está chamando a atenção para leis que já existem no país por razões eleitoreiras. Segundo ele, como na prática, este controle não vai mudar muita coisa, prefiro analisar as lágrimas de Obama.
Na política mundial não tem ninguém que melhor represente a esquerda progressista que Barack Obama. Obama representa o ícone do que costumo chamar de inteligentismo. Certamente o leitor conhece algum inteligentista, aquela pessoa metida a intelectual, mas ao mesmo tempo cool, pop, descolada e que faz questão de frisar o quanto é bem intencionada, o quanto ama a natureza, a humanidade, o pluralismo, etc…Com aquele jeito de se vestir propositalmente desleixado, o inteligentista é um tipo extremamente vaidoso obcecado por aplauso pelo aplauso.
As lágrimas de Obama tocam o coração dos inteligentistas. Afinal, não interessam os resultados a serem produzidos ou o respeito à constituição americana. O que interessa mesmo são as intenções do presidente americano, tão humano e que chora para lutar pelo desarmamento nos EUA. Obama encanta este público não só pelo seu choro, mas também pelos vídeos de exercícios, pela capa da Rolling Stone, por participar de reality show, por sua mulher entregar o Oscar, por não chamar terroristas islâmicos de “terroristas islâmicos”, mas apenas de radicais, por não se meter nas questões do Oriente Médio, mesmo deixando a região um caos, por permitir um acordo nuclear desastroso com o Irã que coloca em risco a segurança nacional de muitos países do mundo. Não importa, Obama é um homem cheio de boas intenções. Os inteligentistas amam Obama, Obama ama os inteligentistas.
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Mas o que chama atenção não são os motivos pelos quais os inteligentistas idolatram Obama, mas a incapacidade de enxergar contradições sobre uma mesma pessoa, sobre uma mesma realidade. Obama não chorou pelas vítimas dos atentados de San Bernadino . Claro, o choro tem endereço certo. Para que chorar com vítimas cujos assassinos eram terroristas islâmicos? Para que chorar e correr o risco de ser rotulado de islamofôbico? Logo ele, o ícone do relativismo cultural. Para que chorar e legitimar a dor das vítimas, tratando terroristas como terroristas, sem o discurso da vitimização do Ocidente? Para que chorar, quando se pode atribuir a culpa de um assassinato não ao criminoso, mas ao porte de armas?
Mas para a esquerda progressista e para os inteligentistas, não importa não enxergar as contradições. Aliás, eles não querem entender as contradições, mas vivenciá-las. O duplo padrão, a aceitação da contradição como algo normal e o fingimento histérico já fazem parte da nossa realidade. A ficção nunca esteve tão próxima do mundo atual. Para quem já leu o antológico livro 1984, sabe muito bem do estou falando. A incapacidade de enxergar a própria hipocrisia – isto sim, é motivo de choro!
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