O PMDB não é o PT. Entenda a diferença

Dizer que o PT é igual ao PMDB apenas demonstra uma visão simplista da realidade e um niilismo barato em relação à política. O primeiro erro é comparar partidos e políticos apenas sob a ótica da corrupção, sem levar em conta aspectos ideológicos e institucionais O segundo equívoco é equalizar a corrução, sem distinguir o grau e o propósito. Sob esses aspectos o PMDB é bem diferente do PT.

Alan Ghani

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Se você, leitor, for um crítico do PT, provavelmente já ouviu a seguinte frase daquele pessimista de carteirinha:  “ mas com o PMDB não vai mudar nada”, “o PMDB também é corrupto”, o “brasileiro também é corrupto”, “a corrupção está no DNA do brasileiro, nada vai mudar”.

Essas frases demonstram apenas uma visão simplista da realidade e um niilismo barato em relação à política. O primeiro erro é comparar partidos e políticos apenas sob a ótica da corrupção, sem levar em conta aspectos ideológicos e institucionais. O segundo equívoco é equalizar a corrução, sem distinguir o grau e o propósito.

Do ponto de vista ideológico, o PT no poder não é apenas mais um partido populista corrupto fisiológico, mas uma organização com clara orientação ideológica. De acordo com o próprio presidente Lula, o PT quer instaurar um regime socialista no Brasil -“Ainda não sabemos que tipo de socialismo queremos.” (Lula, América Libre – 2010). Se as palavras do próprio Lula não foram suficientes, o que dizer dos fatos concretos, como o silêncio em relação às atrocidades cometidas em Cuba, ao apoio explícito à Venezuela e ao Irã, e aos financiamentos via BNDES às ditaduras cubanas, venezuelanas e africanas, todas de orientação marxista?

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No plano institucional, “nunca antes na história deste país”, se viu tamanho desrespeito institucional. Instituições não é apenas um termo pomposo, mas algo muito sério que representa as regras dos jogos de uma sociedade, sejam elas formais ou informais. É o cumprimento destas regras que garantem a democracia e a estabilidade econômica. E nenhum partido na história do Brasil apodreceu tanto as instituições como o PT. A seguir, relembro. alguns exemplos.

Quanto ao desrespeito às instituições formais, quem não se lembra das tentativas do governo barrar o julgamento técnico do TCU sobre as contas fiscais do governo Dilma? E a tentativa de barrar às vésperas das eleições a divulgação de dados de desemprego do IBGE, negativos para o governo Dilma? E a nomeação de Lula para a Casa Civil, claramente para escapar da cadeia? E o que dizer da “bunker” num hotel em Brasília, montado por Lula, o presidente de facto não eleito,  no qual negociavam-se cargos e dinheiro de maneira escandalosa para barrar o impeachment? E o financiamento de blogs sujos pela SECOM para difamar qualquer opositor ao partido? Aliás, nem era preciso recorrer a esses exemplos, batava relembrar como Lula tratava as instituições ao falar dos membros do STF e do procurador Rodrigo Janot nas gravações interceptadas pela Polícia Federal.

Já em relação às instituições informais, o PT acabou com qualquer tentativa de diálogo, de contraditório, vital para a democracia. Se você criticasse o governo, pronto, já estava uma militância no Twitter, no Facebook, nos diretórios acadêmicos da faculdade das universidades e na mídia para lhe rotular de fascista, dizendo que você só criticava o PT por não gostar de negro, pobre e homossexual, etc..Pior, ao reagir a essas calúnias, típicas de regimes autoritários, você mesmo era  acusado de extremista e destruidor de diálogos, no melhor exemplo da máxima atribuída a Lênin, acuse –xingue-o do que você é, acuse-o do que você faz. Em suma, a militância petista abusou da estratégia de caluniar adversários para, logo em seguida, se vitimizar, trazendo o cinismo para dentro da vida pública. As relações informais, que garantem o bom convívio em sociedade, também se deterioraram.

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E o que dizer dos discursos ou falas de petistas graúdos como Rui Falcão, Lula, Jaques Wagner e Stédile (MST) estimulando a militância a sair na rua para por desordem no país no caso de impeachment de Dilma e prisão de Lula?  E a falta de decência da presidente Dilma em não colaborar com a transição do seu vice, Michel Temer, pensando exclusivamente em si e em seu partido, num ato egoísta e mesquinho, prejudicando milhares de brasileiros? Sem contar os aumentos de gastos propostos por Dilma às vésperas de seu impeachment, apenas para prejudicar seu sucessor e sair com a imagem de “popular”, quando, na verdade,  sua gestão provocou o caos fiscal no país com suas pedaladas e maquiagem das contas públicas, iludindo e empobrecendo milhares de brasileiros, num estelionato eleitoral frio e calculado. E por falar em estelionato eleitoral, e o marketing sujo do “petroleiro” João Santana, ao fazer sumir um ovo de seus adversários na corrida de eleição? 

Bom, e a corrupção que atingiu cifras bilionárias, levando praticamente à destruição da Petrobras? E o mensalão, a criação do Congresso paralelo sob o comando do Czar José Dirceu? E a morte do prefeito Celso Daniel? A corrupção, que já é condenável por si só, foi mais que um desvio temporário para enriquecimento ilícito no governo petista (é claro que houve também), mas se tornou método sistemático  a serviço de um projeto totalitário de poder.

Diante de todos os fatos relembrados, não dá para dizer que o PT e o PMDB são iguais e que o Brasil não mudou (para pior) sob o lulopetismo. É evidente que o PMDB tem problemas ligados à corrupção e ao fisiologismo, mas o caráter sistêmico da corrução, o desrespeito institucional e o projeto ideológico tornam ambos os partidos bem diferentes, conforme destaquei em entrevista para a jornalista Paula Barra da InfoMoney (aqui). As palavras da advogada e professora Janaína Paschoal sintetizam os exemplos trazidos neste artigo. “ a corrupção não dá a correta dimensão do problema! Eles (o PT) corroeram o país!” Definitivamente, o PT e o PMDB não são iguais.

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.