As “top five” estratégias para manipular a opinião pública e enfraquecer o impeachment

Evidentemente que o PT tem usado estratégias de manipulação da opinião pública para enfraquecer o impeachment da presidente Dilma e a prisão de Lula. Abaixo, mostro quais são estas estratégias de manipulação e desconstruo as armadilhas contidas em cada uma delas.

Alan Ghani

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Evidentemente que o PT tem usado estratégias de manipulação da opinião pública para enfraquecer o impeachment da presidente Dilma e a prisão de Lula. Abaixo, mostro quais são estas estratégias de manipulação e desconstruo as armadilhas contidas em cada uma delas. 

Manipulação 1: Impeachment é golpe porque a presidente Dilma foi democraticamente eleita.

Impeachment: é um instrumento previsto pela Constituição para tirar o presidente quando ele comete crime de responsabilidade. O pedido de impeachment contra Dilma é embasado nos crimes de responsabilidade cometidos por ela. Diga-se de passagem, só é possível ter impeachment de um presidente democraticamente eleito (até onde eu sei, temos eleições no Brasil). Além disso, o PT, no passado, entrou com pedido de impeachment contra Collor e contra FHC. Seria golpe também? Onde fica a coerência do discurso petista?

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Manipulação 2: As manifestações eram contra a corrupção e não contra o PT.

Ninguém protesta contra antes abstratos como a “corrupção”, mas contra o corrupto por ter praticado corrupção. Não dá para prender a corrupção, mas sim o corrupto por ter roubado. Em resumo, os protestos eram contra políticos do PT por terem praticado corrupção.

Manipulação 3: As manifestações eram contra todos os políticos e não apenas os do PT.  Aécio e Alckmin também foram vaiados.

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Qualquer um que foi às manifestações sabe que os alvos principais dos protestos eram Lula, Dilma e o PT. Tinham cartazes também contra Renan Calheiros e Eduardo Cunha, mas em número muito menor do que contra os petistas. Não tinham coros contra políticos do PMDB e nem do PSDB, somente contra o PT.

Mas e as vaias contra Aécio e Alckmin em São Paulo? As vaias para eles foram mais pela postura covarde dos tucanos, de se posicionarem somente agora, do que pelos supostos envolvimentos em corrupção. Prova disso é o vídeo que circulou nas redes sociais onde mostra que os tucanos são chamados de “oportunistas” (aqui e aqui). Aliás, o PSDB é apoiado pela direita (liberal e conservador) apenas no imaginário petista.

Espertamente, alguns formadores de opinião pegam algumas vaias contra políticos do PSDB ou do PMDB e generalizam dizendo que as manifestações eram contra todo o sistema político e, portanto, todos os políticos são iguais, e o PT é apenas mais um partido corruto. Não se trata aqui de defender tucanos e pemedebistas e isentá-los de corrupção – se estiverem envolvidos, que prenda-os também-, mas apenas relatar objetivamente que o foco principal dos protestos era o PT, Dilma e Lula; e o secundário, outros políticos. Existe uma diferença entre ser ator principal e coadjuvante.  

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Essa estratégia fica muito evidente, numas das gravações, quando Lula pede para pautar o editor da Carta Capital, pedindo para soltar um texto dizendo que as manifestações eram contra todo o sistema político e não apenas contra o PT.

Manipulação 4: O brasileiro não pode protestar contra o PT, pois também é corrupto: passa sinal vermelho e já furou fila.

Primeiro, assume-se, sem nenhuma evidência, que todas as pessoas que protestam cometem transgressões cívicas (colam na escola, passam no vermelho, furam fila etc…). Isso é uma suposição, não um fato concreto. Mas é claro que, no meio de 3 milhões, existem pessoas que já cometeram transgressões cívicas. Pergunto: Pelo fato de já terem cometido transgressões cívicas não podem protestar contra o roubo de 40 bilhões de reais? Não se trata em relativizar a transgressão cívica, mas temos que ter senso de proporções. Evidentemente que furar fila é algo errado, mas não se compara a roubar 40 bilhões de reais de uma Petrobras. Uma coisa é uma transgressão (algo errado); outra é praticar um crime. Tanto é verdade que a punição é bem diferente daquele que fura uma fila daquele que rouba o país.   

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Manipulação 5: Lula não pode ser preso porque o grampo é ilegal.

O grampo do Lula foi perfeitamente legal, com autorização judicial. Ninguém grampeou a presidente. Mas se a presidente Dilma telefonou para o ex-presidente Lula e ele estava grampeado, é evidente que a fala de Dilma entrará no áudio. O que se questiona no meio jurídico é se o juiz Sérgio Moro deveria ter autorizado a divulgação dos áudios para imprensa (existem correntes a favor e contra). De qualquer modo, a divulgação do áudio NÃO INVALIDA O CONTEÚDO DAS CONVERSAS DE LULA. Em outras palavras, o  áudio será utilizado como prova contra Lula. 

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.