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Tem se tornado clichê dizer que o mundo está experimentando um cenário de choque de oferta vindo de todos os lados. Guerra na Ucrânia, lockdown na China (embora com maior flexibilização agora), levando a aumentos dos preços de alimentos, gás natural, fertilizantes, defensivos agrÃcolas, carvão e petróleo.
DifÃcil fazer qualquer prognóstico razoável com as mudanças observadas nos tabuleiros geopolÃticos e geoeconômicos. Mas a verdade é que o Ãmpeto populista de oferecer subsÃdios para consumidores de energia já atravessou o Atlântico e aportou em um dos lugares mais liberais do mundo. O Reino Unido.
O membro do partido conservador e Chanceler do Tesouro do Reino Unido (âChancellor of the Exchequerâ), Rishi Sunak, estabeleceu uma alÃquota adicional de 20% sobre os ganhos das petroleiras britânicas, produtoras de petróleo do Mar do Norte e a gigante BP, passando de 40% para impressionantes 65%.
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O objetivo é o de custear a ajuda de £ 12 bilhões a 15 bilhões à s classes menos abastadas, com empréstimos subsidiados e doações debitadas das contas de energia, com valores que variam de £ 300 a £ 650 por famÃlia.
Mas o que isso tudo tem a ver com o preço do petróleo? Convém lembrar que os 27 paÃses membros da União Europeia acabaram de aprovar um banimento de 2/3 do petróleo vindo da Rússia. Se somarmos esse novo choque de oferta com uma maior flexibilização da polÃtica de Covid zero na China, é possÃvel que testemunharemos um aumento no preço do petróleo até o final do ano, além dos cerca de US$ 120 o barril do brent.
Se juntarmos as polÃticas expansionistas advindas ou de subsÃdios custeadas por maiores impostos sobre as petrolÃferas ou simplesmente por maior endividamento público, há de se ressaltar o risco de um maior desbalanceamento entre oferta e demanda.
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Note, ninguém aqui está defendendo que as famÃlias menos abastadas não mereçam subsÃdios em um cenário de aceleração de inflação corroendo renda e poder de compra das famÃlias. Não obstante, tais polÃticas que começam a pipocar por aqui e em outros paÃses tendem a manter o consumo de energia em patamares originais, com uma oferta mundial menor, puxando os preços para cima.
O risco é o de que polÃticas que subsidiem as contas de energia possam se tornar inócuas, isso se este desequilÃbrio macroeconômico entre oferta e demanda for intensificado com maior consumo em um cenário de maior escassez.
No final das contas, essas polÃticas de subsÃdio de energia, conquistadas com maiores impostos sobre as petrolÃferas e/ou maior endividamento público, podem se enfraquecer, caso as contas de energia forem majoradas justamente por causa desses mesmos subsÃdios, que impedem um ajuste na demanda da energia pelas famÃlias.